Prestação da casa vai subir mais de 100 euros para 480 mil contratos

24/11/2022 03:01:00

Prestação da casa vai subir mais de 100 euros para 480 mil contratos

Prestação da casa vai subir mais de 100 euros para 480 mil contratos

O Banco de Portugal avisa que os riscos para a estabilidade financeira estão a aumentar devido à alta inflação e subida dos juros. Prestações da casa podem subir, em média, 92 euros.

Comentar A prestação mensal do crédito à habitação pode aumentar mais de 100 euros para um número significativo de famílias entre junho de 2022 e final de 2023.Linkedin Mail O Banco de Portugal antecipa que as taxas Euribor cheguem aos 3% no próximo ano.ECO - Parceiro CNN Portugal Há 28 min Banco de Portugal estima subida das Euribor até 3% no final do próximo ano.e receba as informações em primeira mão.

Cerca de 476 mil contratos deverão ter aumentos acima daquele valor caso as estimativas para a evolução da Euribor usadas pelo Banco de Portugal (BdP) no Relatório de Estabilidade Financeira, que foi divulgado ontem, se concretizem.Segundo os dados divulgados pelo supervisor, 34,5% dos cerca de 1,4 milhões de contratos à habitação existente terão aumentos acima de cem euros.Mas em alguns casos a subida será ainda maior.Relacionados Governo ainda sem previsões do encaixe com nova taxa sobre lucros O Banco de Portugal estima que o valor total das prestações pagas pelos particulares em empréstimos da casa passe de cerca de 390 milhões de euros, em junho de 2022, para 520 milhões de euros, em dezembro de 2023.A má notícia não fica por aqui: estas taxas vão continuar a subir no próximo ano.Segundo as contas do supervisor,"o valor médio em dívida dos particulares, de cerca de 64 mil euros, traduz-se numa prestação média estimada de 279 euros em junho de 2022".Nos restantes, a grande maioria, o aumento é maior.Neste quadro,"espera-se que esta aumente 92 euros até ao final de 2023", detalha a entidade liderada por Mário Centeno.O regulador acrescenta que no final de 2023, 10% dos contratos de empréstimo à habitação terão este rácio acima dos 41,2%, depois de em junho de 2022 apenas 5,1% destes contratos tinham uma taxa de esforço acima dos 40%.

Para 41% dos contratos de empréstimos à habitação, espera-se que o aumento da prestação entre junho de 2022 e dezembro de 2023 seja inferior a 50 euros.Em média, a prestação deve subir cerca de 90 euros por mês.Nem todos vão ser impactados da mesma forma, de acordo com o que projeta o supervisor no Relatório de Estabilidade Financeira publicado esta quarta-feira.Apesar de as novas operações de crédito à habitação com taxa de juro fixa ou mista estarem a aumentar, representando nos primeiros nove meses do ano 13% do montante dos novos empréstimos, os contratos com taxas variáveis continuam a dominar, pesando cerca de 90% do total.Riscos a aumentar A predominância dos contratos de crédito da casa com taxas de juro variável e a redução da poupança das famílias estão precisamente entre os riscos apontados pelo Banco de Portugal para a estabilidade financeira.O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, antecipa uma encruzilhada desafiante.Tendo como pano de fundo a alta inflação, as subidas abruptas das taxas de juro e a incerteza que a guerra na Ucrânia traz, o supervisor vê um agravamento dos riscos.Mas para 18,1% dos contratos (253 mil contratos) o cenário que se avizinha é muito mais penalizador na medida em que o agravamento dos juros se traduzirá num aumento da prestação acima dos 150 euros até final do próximo ano.No que diz respeito à poupança, Mário Centeno tem defendido um aumento da remuneração dos depósitos para combater a inflação.O caminho que temos para fazer vai depender do sucesso coletivo que tenhamos na redução da inflação", afirma.

Um pedido que os bancos até agora parece não terem acolhido, mas que foi reforçado esta quarta-feira."Há necessidade de todos os agentes económicos em Portugal pensarem duas vezes sobre o ganho marginal de curto prazo de aumentarem as suas margens de lucro face ao ganho para todos e permanente a médio prazo de contermos esta espiral inflacionista, o que se aplica aos bancos também", defendeu Centeno na apresentação do relatório.Por isso, Centeno volta a avisar que para conter a inflação, os depósitos bancários têm de render mais.Estas simulações têm por base um cenário em que se espera que as taxas Euribor – taxas a que os bancos emprestam entre si no mercado interbancário e que são usadas nos contratos financeiros, como do crédito à habitação – vão subir para 3% em dezembro de 2023 para os prazos a 3, 6 e 12 meses."Se houver incentivos adicionais à poupança estamos certos de que irão ajudar na contenção dos preços e nesta batalha pela inversão do atual ciclo", acrescentou o governador.Fechar Subscreva a nossa newsletter e tenha as notícias no seu e-mail todos os dias Subscrever Muito obrigado pelo seu registo."Todos os agentes económicos em Portugal devem pensar duas vezes sobre o ganho marginal de curto prazo de aumentar as margens de lucro face ao ganho para todos e permanente, no médio prazo, de contermos esta espiral inflacionista", pediu Centeno.Queda dos preços das casas A redução dos preços das casas é outro dos riscos destacados no relatório, uma situação que poderá também afetar o valor de carteiras de ativos de famílias ou de entidades financeiras, seja de forma direta, seja por via das garantias em operações de crédito.Para os bancos, a subida das Euribor irá traduzir-se num aumento significativo da margem financeira.

"A incerteza corrente, a potencial perda de rendimento real das famílias e aumentos adicionais das taxas de juro poderão reduzir a procura por ativos imobiliários"..Porém, com as restrições na oferta de habitação, o BdP sublinha que não é de esperar um excesso de oferta"que requeira um período prolongado até que seja absorvida pelo mercado".No mesmo documento, o supervisor da banca detalha que a percentagem de transações financiadas com crédito bancário doméstico, cerca de 50% em 2022, é bastante inferior à anterior à crise da dívida soberana - cerca de 75% em 2010.É expectável que quase 11% dos contratos venha a ter uma taxa de esforço (valor da prestação em função dos rendimentos do agregado) superior a 40% em dezembro de 2023, o dobro do que se verificava em junho (5,1%), o que, num quadro de aumento generalizado dos preços, exigirá maior atenção da parte dos bancos no sentido de ajudar a evitar uma situação de incapacidade dos seus clientes de pagarem os empréstimos.Além disso, outro fator que leva o Banco de Portugal a olhar para a situação de uma forma menos preocupada prende-se com a recomendação macroprudencial relativa aos novos créditos às famílias, a qual"promove a resiliência de mutuantes e mutuários nas transações financiadas por crédito".Para o setor bancário, o BdP aponta como um dos perigos"a materialização acrescida dos riscos de mercado e de crédito".

Essa materialização dependerá, em grande medida, da evolução da economia e da taxa de desemprego, do ritmo de subida das taxas de juro e das medidas de apoio adotadas.Mário Centeno antecipa uma"redução muito substancial" dos dividendos que o Banco de Portugal entrega ao acionista Estado nos próximos anos.O documento sublinha ainda que a maior dificuldade em assegurar a redução prevista do rácio de endividamento público, face ao abrandamento real e nominal da economia e a um aumento, eventualmente mais expressivo, das despesas com juros, é outra das vulnerabilidades para a economia portuguesa.Aliás, face às mudanças no contexto dos mercados financeiros e subida generalizada dos juros, Mário Centeno antecipa uma"redução muito substancial" dos dividendos que a instituição que irá entregar ao acionista Estado nos próximos anos.Redução dos preços das casas é um dos riscos, aponta o Banco de Portugal, liderado por Mário Centeno.

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