Dia 10: Os avós não precisam de salvar os filhos dos netos

31/03/2020 11:36:00

CARTAS DE MÃE E FILHA EM TEMPOS DE QUARENTENA: Dia 10: Os avós não precisam de salvar os filhos dos netos

Ímpar, Birras De Mãe

CARTAS DE MÃE E FILHA EM TEMPOS DE QUARENTENA: Dia 10: Os avós não precisam de salvar os filhos dos netos

Uma mãe/avó e uma filha/mãe falam de educação infantil. De birras e mal-entendidos, de raivas e perplexidade, mas também dos momentos bons. Para avós e mães, separadas pela quarentena, e não só.

Enfim, desabafo feito.zenMas, às vezes, fico com a impressão de que os avós acreditam que só o que se faz “em esforço”, é que conta como boa educação. Não há dúvida nenhuma que os tempos mudaram. E, se reparar, não é só nas relações entre pais e filhos. Empregados e empregadores, políticos e eleitores, marcas e consumidores, todos tomam consciência de que ninguém gosta de receber ordens, sem ser tido nem achado para as decisões, que ninguém gosta de não ser escutado e compreendido.

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A carregar.Jornal Económico com Lusa 29 Março 2020, 15:20 No país, que tem uma população de 17 milhões, 771 pessoas já morreram da doença de covid-19 e 10.Covid-19 ..

.. Os Países Baixos ultrapassaram a marca de 10 mil casos do novo coronavírus e mais de 770 mortos pela covid-19, informaram hoje as autoridades sanitárias do país. Foto Sabe o que me provoca mesmo indignação? O facto de haver tantas refeições!!! Desde que a quarentena começou os meus pratos não poisam nas prateleiras. Italianos campeões do mundo de pólo aquático leiloam anéis para financiar hospital Os jogadores italianos campeões do mundo de polo aquático colocaram hoje a leilão anéis de luxo que celebraram esse êxito em 2019 , para financiar o hospital Papa João XXIII de Bérgamo e combater a pandemia da covid-19. É mesa, máquina, mesa, máquina, num ciclo sem fim! Nunca me convenceu muito a moda do jejum intermitente, mas estou quase a pôr a família toda nesse regime.866 testaram positivo para o novo coronavírus, de acordo com o Instituto Holandês de Saúde Pública e Meio Ambiente (RIVM).. Desde Atenas, onde se encontra, tal como o restante plantel do Olympiacos, a cumprir um período de quarentena, o futebolista, de 26 anos, tem acompanhado com atenção a evolução da pandemia do coronavírus em Portugal e, mais concretamente, na região alentejana de Évora, onde tem raízes e familiares.

. O executivo dos Países Baixos deve anunciar na terça-feira se manterá essa estratégia. Federação italiana de râguebi dá por terminada a época sem títulos A época de 2019/20 de râguebi em Itália foi dada por terminada, sem a atribuição dos respetivos títulos, devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), anunciou esta sexta-feira a federação italiana (FIR). Enfim, desabafo feito. Se os filhos ajudam o suficiente nas tarefas domésticas? Não. “Em alguns dias, será possível concluir se houve um achatamento real do número de pacientes hospitalizados e do número de mortes entre os pacientes relatados”, acrescentou. Nem os maridos, normalmente! As mães pedem ajuda, sequer? E pedindo, aceitam a ajuda que lhes é dada? Parece-me que não. Ainda hoje tive de engolir a minha vontade de voltar a dobrar a roupa toda que a minha filha Martinha tinha implorado para dobrar, porque não estava como eu o faria. No país, escolas, bares, restaurantes e cafetarias foram encerrados desde 16 de março, e os exames finais do 12.

A questão é saber se isso é um problema para a família? Porque se for, acho que até a mãe mais zen acabará por arranjar forma de exigir mais. Nestes dias, que têm sido de uma intensidade enorme, tenho a certeza, que as mães e os pais aumentam os pedidos de ajuda, e aumentam também a assertividade, sentindo-se menos culpados por o fazerem. Todas as reuniões e eventos públicos que requerem permissão das autoridades estão proibidos até 01 de junho e as lojas e os transporte público tiveram que tomar medidas para que os utentes respeitem o espaço de um metro e meio estabelecido, sob pena de sanções. E, acredito, que as crianças reagem a isso de forma positiva. Mas, às vezes, fico com a impressão de que os avós acreditam que só o que se faz “em esforço”, é que conta como boa educação.000. Não há dúvida nenhuma que os tempos mudaram.

E, se reparar, não é só nas relações entre pais e filhos.700 são considerados curados. Empregados e empregadores, políticos e eleitores, marcas e consumidores, todos tomam consciência de que ninguém gosta de receber ordens, sem ser tido nem achado para as decisões, que ninguém gosta de não ser escutado e compreendido. E não faltam estudos que comprovam como esse respeito torna as pessoas mais colaborantes, mais empáticas e mais capazes de ir ao encontro dos “objectivos” do outro, até para que o outro também vá ao encontro dos seus. O continente europeu, com mais de 363 mil infetados e mais de 22 mil mortos, é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 10. Não acredito que as crianças estejam, em geral, a fazer mais  bullying aos pais do que dantes, e também não acredito que os pais sejam tão tontos que se deixem vitimizar. Parece-me até que pensar assim é de uma condescendência insuportável.472 casos registados até sábado.

Os avós não precisam de salvar os filhos dos netos. Na grande maioria dos casos, os pais adoram viver com os seus filhos, mesmo com o cansaço, mesmo com o caos, mesmo com menos tempo para dois, mesmo com menos dinheiro.528, entre 78. E, acredito, que tiram mais prazer da relação que têm com os filhos. Se isto tem desvantagens? Claro que sim! Ganham-se umas competências e perdem-se outras, mas não se transformam as crianças em delinquentes ou pessoas mais egoístas ou mais incapazes, até porque têm sempre o exemplo dos pais – que afinal de contas foram criados pelos ditos avós! — e o exemplo dos maravilhosos avós! Love, Olá, filha Foto Quem me manda a mim provocar-te. Ler mais + Lidas + Partilhadas. Isto dos filhos pensarem pela própria cabeça dá muito trabalho.

E, embora não tenha tanta certeza como tu de que não há pais vitimizados pelos filhos — e vice-versa —, concedo que puseste o dedo na ferida quando dizes que, tendencialmente, valorizamos mais o trabalho feito em “esforço”. Como se aquele que é cumprido com aparente facilidade e até com boa disposição não contasse tanto. Ou, mesmo nada. É, com certeza, herança de uma educação que valoriza muito a “cruz” e o sacrifício, levando a que as pessoas tenham de se andar constantemente a lamentar da carga que levam sobre os ombros, numa tentativa de subir na consideração dos outros. Até a nível profissional, se sente (sentia?) isso mesmo: aqueles que se atrevem a dizer que se divertem a trabalhar, e que não se queixam do que têm para fazer, são um bocadinho desqualificados.

Mas o que mais me tocou na tua carta foi o teu grito do Ipiranga: “Os avós não têm de salvar os filhos, dos netos.” Vou afixar esta máxima, dentro de mim. Digo isto sem ponta de ironia. É que embora odiasse quando a tua avó vos dizia “Meninos, não cansem tanto a vossa mãe!”, quase que vos acusando de serem responsáveis pelo meu estado de exaustão (o de uma mãe que trabalha e tem três filhos, quando ela teve oito!), agora que sou avó dou por mim a fazer o mesmo. Activamente, a tentar que os netos sintam o peso da culpa pelos pais não dormirem, por lhes terem de aturar as birras, por não poderem namorar sossegados, na esperança de que essa chamada de atenção os torne mais “fáceis”.

É horrível, eu sei, mas o nosso instinto de protecção em relação aos nossos filhos é muito forte. Infelizmente, no entanto, também o temos em relação aos nossos netos e quando sentimos que vocês, pais, não lhes estão a dar o tempo e a atenção que merecem, também vos fazemos uns sermões culpabilizantes. Pois é, sentimo-nos ensanduichados entre vocês. Feito este mea culpa , talvez não entrássemos neste modo tão de 112, se os pais nos ligassem tanto para desabafar sobre o que corre mal — as birras, as insónias, as doenças —, como para nos contar as coisas boas. Se não o fizerem, enviesam-nos o olhar, dando-nos a sensação de esgotamento total, onde, afinal, só estava um momento de desânimo.

E, já agora, podiam maquilhar as olheiras quando nos visitam! O melhor do Público no email Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. .