Coluna | Balbúrdia e racionalidade na crise do PSL

Uma leitura atenta das regras do jogo e um exame cuidadoso do perfil da bancada federal do partido permitem compreender a racionalidade por trás da confusão

23.10.2019

Coluna: Uma leitura atenta das regras do jogo e um exame cuidadoso do perfil da bancada federal do partido permitem compreender a racionalidade por trás da confusão por Rogério Arantes

Uma leitura atenta das regras do jogo e um exame cuidadoso do perfil da bancada federal do partido permitem compreender a racionalidade por trás da confusão

PUBLICIDADE O PSL (Partido Social Liberal) conta com 53 deputados federais e 3 senadores no Congresso Nacional, governa 3 unidades da federação e dispõe de 76 deputados estaduais, distribuídos em 20 assembleias legislativas. Este foi o saldo positivo das eleições de 2018, quando seu principal inquilino chegou à presidência da República, liderando a onda que beneficiou o partido. Não surpreende que a sigla queira estender seus domínios ao plano municipal e esteja empenhada em organizar candidaturas competitivas para 2020, mesmo que ao preço de uma tremenda luta intestina. Luciano Bivar, deputado federal (PE) e presidente do partido, afirmou que a meta do PSL é lançar candidatos próprios em todas as cidades com mais de 100 mil habitantes, algo em torno de 300 municípios. Entre os parlamentares federais do PSL há militares, policiais, delegados, alguns empresários, políticos profissionais que pegaram carona na ascensão de Bolsonaro, mas também novas lideranças dos movimentos de direita, surgidos nos últimos anos e que ocuparam ruas e mídias sociais. Enquanto alguns deles atiram com armas de fogo, outros preferem trocar chumbo pelo Twitter e Whatsapp. Alguns são discípulos de Olavo de Carvalho, outros elaboram suas próprias escatologias; há entre eles quem propõe o fim do estado laico, outro é ex-guarda de trânsito acusado de agir para cancelar suas próprias multas; tem cantor evangélico e um que bombou por quebrar placa de rua que homenageava Marielle Franco; tem dono de time de futebol e há processados pelos crimes de estelionato, intolerância religiosa e violência doméstica; há quem tenha conquistado votos por defender a teoria de que o PT derrubou os aviões de Eduardo Campos e de Teori Zavascki, aliás há ex-petista confessa que diz ter sido curada, e agora é devota das causas da direita; tem um que se apresenta como “matuto” e outro que ganhou popularidade por vender sanduíches apelidados de “comandante Ustra” e “Ernesto Geisel”; há mais de um defensor da “Escola sem partido”, e dentre eles uma professora que quer militarizar o ensino e armar a população, além de retomar os cursos de moral e cívica. Há especialistas em rachadinhas e também em pique-esconde do Queiroz. PUBLICIDADE Até há pouco havia um ex-ator pornô que, num caso de ejeção precoce, foi catapultado da sigla em menos de um ano de mandato. Na verdade, a exibição cinematográfica das entranhas do partido começou logo no início do governo Bolsonaro, com a demissão de Gustavo Bebbiano, ex-presidente do PSL, então na Secretaria Geral da Presidência. Pressionado pela denúncia de candidaturas laranjas do partido e alvejado pelo Twitter de Carlos Bolsonaro, Bebbiano se desentendeu com o presidente, foi demitido, mas caiu atirando: “peço desculpas ao Brasil por ter viabilizado a candidatura de Bolsonaro”, emendando que “tenho vergonha de ter acreditado nele. É uma pessoa louca, um perigo para o Brasil.” De lá para cá, as relações entre Bolsonaro (e seus filhos) e o PSL não evoluíram bem, o partido foi chamuscado por mais denúncias até que, às vésperas de uma operação sigilosa da Polícia Federal contra o presidente da sigla, Bolsonaro cochichou no ouvido de um apoiador, às portas do Alvorada, como se lhe antecipasse o segredo: “Esquece o PSL... o cara [Bivar] está queimado pra caramba”. A partir daí o conflito entre bolsonaristas e bivaristas se agravou, culminando na ameaça de Bolsonaro de deixar a sigla, levando consigo outros tantos. Nesse contexto, a guerra travada em torno da liderança do partido diz respeito diretamente ao conflito entre alas pelo controle da máquina partidária e dos recursos públicos de campanha, fatores cruciais para aqueles que estão se organizando rumo a 2020. Examinadas as listas que circularam nos últimos dias, pode-se dizer que a sigla está rachada matematicamente ao meio: são 23 apoiadores do Delegado Waldir (GO), 23 apoiadores de Eduardo Bolsonaro (SP) e sete swing voters, que ora aparecem numa lista, ora noutra. Não por acaso, o comando do partido trocou de mãos quatro vezes nos últimos dias e não há previsão segura sobre quem vai ficar de pé na função, até porque os dois andam armados. Um exame dessas listas revela a racionalidade por trás dessa balbúrdia. PUBLICIDADE Embora 49 dos 53 deputados federais estejam em seu primeiro mandato na Câmara, em oito estados eles obtiveram as maiores votações para o legislativo, tornando-se assim políticos com potencial para eleições majoritárias. De fato, nessa amostra quase todos já se declararam pré-candidatos às eleições municipais de 2020. Quem comparar as respectivas listas notará que a maioria deles não só apoia o Delegado Waldir como está no controle dos diretórios estaduais, em linha com Bivar. O caso de São Paulo é a exceção que confirma a regra: Eduardo Bolsonaro (o deputado mais votado da história, com 1,8 milhão de votos) é o presidente estadual do partido, mas a segunda mais votada, Joice Hasselmann (com pouco mais de 1 milhão), está com Waldir/Bivar e a um passo de deixar a sigla se não puder controlar o partido, pelo menos na cidade de São Paulo onde pretende concorrer em 2020. Pelos bastidores que conhece da campanha de 2018, sua eventual saída poderá afetar as perspectivas do PSL e do bolsonarismo, não só para 2020, mas também 2022. As bancadas estaduais estão rachadas, das maiores como São Paulo e Rio de Janeiro, às menores porém importantes como Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A explicação reside em quem detém e quem não detém o controle partidário local, mas os grupos transversais que compõem o partido ajudam a entender porque a distribuição entre os dois pretendentes a líder não é aleatória. Todos os ex-delegados (5), talvez por solidariedade de classe, estão com Waldir, enquanto todos os ex-militares (5) estão com Bolsonaro. Os ex-policiais se dividem, mas estão majoritariamente com o delegado. PUBLICIDADE O grupo mais dividido e com maior número de swing voters, como não poderia deixar de ser, é o dos políticos profissionais: sete estão com Waldir/Bivar, seis com Bolsonaro e três aparecem nas duas listas. Nesse grupo são pelo menos nove os pré-candidatos a prefeito e todos dependem do controle da máquina partidária para se viabilizarem. A situação mais eloquente dessa racionalidade está entre os deputados que ascenderam via movimentos de rua e mídias sociais: sete dos oito estão abraçados a Bolsonaro. Estes são os bolsonaristas de raiz, novatos meteóricos da política, mas que não se ocuparam de controlar, por aversão ou inexperiência, as máquinas partidárias em seus estados. Estão pagando o preço da antipolítica que professaram. E a bem da verdade, o único deputado associado a movimentos que está com Waldir/Bivar é presidente do diretório em seu estado. Nesse cenário, por que os dois grupos não negociam uma solução intermediária e seguem acirrando o conflito? Quando Bolsonaro ameaçou deixar o partido, consultou-se com um ex-ministro do TSE. Deve ter ouvido dele que a única forma de sair conservando os mandatos de seus seguidores seria produzir uma situação de “justa causa”. Por isso elevou o tom das críticas à direção e à falta de transparência no partido. A lei prevê que nesses casos, o político que trocar de legenda poderá conservar o mandato em outra. Por isso os ataques de lado a lado vêm numa escala crescente. PUBLICIDADE Mas além de ser chamado de “vagabundo” pelo adversário Waldir, o presidente também ouviu de seu consultor que de modo algum os deputados migrantes poderão carregar seu quinhão dos fundos partidário e eleitoral. Portanto, abandonar a sigla é deixar recursos preciosos aos que vão ficar e agravar a distribuição no novo partido hospedeiro. Por estas razões, nenhum dos lados têm motivos sólidos para uma saída em bloco da sigla. A balbúrdia deve continuar, mas uma leitura atenta das regras do jogo e um exame cuidadoso do perfil da bancada federal do partido permitem compreender a racionalidade por trás da confusão. SOBRE O AUTOR Rogério Arantes É cientista político, professor da Universidade de São Paulo e atualmente Pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. SOBRE O AUTOR Rogério Arantes É cientista político, professor da Universidade de São Paulo e atualmente Pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. Consulte Mais informação: Época

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