O 11 inicial: os antigos companheiros de Cristiano Ronaldo no Andorinha

23/11/2022 15:21:00

Em 1993, Cristiano Ronaldo deixava de jogar apenas nas ruas de Santo António, no Funchal, e ingressava no Clube de Futebol Andorinha.

Em 1993, Cristiano Ronaldo deixava de jogar apenas nas ruas de Santo António, no Funchal, e ingressava no Clube de Futebol Andorinha.

Em 1993, Cristiano Ronaldo deixava de jogar apenas nas ruas de Santo António, no Funchal, e ingressava no Clube de Futebol Andorinha.

Linkedin Mail Naquela altura, o pequeno Cristiano juntava-se a três primos mais velhos que já jogavam pela equipa, nos infantis.Steven Meisel Ana Marques Maia O ano de 1993 foi extraordinariamente produtivo e relevante para a carreira do fotógrafo de moda Steven Meisel.Há 9 min EM ATUALIZAÇÃO Cristiano Ronaldo vai deixar o Manchester United, anunciou o clube inglês nas redes sociais, revelando que as duas partes chegaram a um acordo de rescisão por mútuo acordo, e que tem efeito imediato.Linkedin Mail A dois dias da estreia de Portugal no Campeonato do Mundo, o Manchester United anunciou a saída de Cristiano Ronaldo do clube “por mútuo acordo, com efeito imediato”.

Partilhavam a mesma paixão pelo Futebol, a mesma liberdade das ruas e vinham, quase todos, do mesmo berço social.A carreira galática de CR7 está sob escrutínio há duas décadas e, nos dias que se seguem, vai ter cada movimento dissecado pela comunicação social e comentadores desportivos, enquanto estiver ao serviço da Seleção Portuguesa de Futebol, no Qatar.Não é, por isso, de estranhar que a exposição Meisel 93 , organizada pela recém-criada fundação de Marta Ortega Pérez (MOP), actual presidente do grupo Inditex, se tenha apoiado no trabalho que Meisel produziu nesse ano – e que cumprirá 30 anos em 2023 – para dar corpo à única grande exposição individual que o fotógrafo norte-americano realizou ao longo da sua extensa carreira.CR7 com a bola, no plantel dos infantis do Andorinha Créditos: CF Andorinha Na semana de arranque do Mundial, a Grande Reportagem “O 11 Inicial” foi à procura dos primeiros companheiros de equipa de Cristiano Ronaldo, no Clube de Futebol Andorinha, e à descoberta do futuro que lhes estava reservado..Há quase 30 anos não era óbvio que Cristiano Ronaldo viesse a ser jogador profissional, detentor de um rol de prémios e recordes que seria fastidioso elencar.“Isso significaria que Meisel estaria morto – e não é o caso”, justifica, rindo.Na formação dos infantis do Andorinha, em 1993, os colegas fascinavam-se com a destreza de dois primos mais velhos do jogador.

Nuno Viveiros, filho de um irmão de Dolores Aveiro, a mãe de Cristiano, e Adriano Aveiro, sobrinho do pai, Dinis.“Em 1993, Meisel teve uma explosão de criatividade; trinta anos depois, as fotografias que realizou mantêm-se intemporais.Aliás, Nuno foi o primeiro capitão de Cristiano, vestindo a camisola 10 e, segundo relatos dos antigos companheiros do Andorinha, era também a voz que o primo respeitava quando os treinadores não conseguiam dominar a rebeldia do pequeno jogador.Cristiano Ronaldo com a bola, no plantel dos infantis do Andorinha Créditos: CF Andorinha Essa influência viria a ser determinante quando, em 2003, Cristiano Ronaldo, então com 18 anos, saiu do Sporting para o Manchester United e convidou o primo Nuno para lhe fazer companhia, em Inglaterra.” Ora a preto e branco, ora a cores, as 127 fotografias – impressas em grande formato a partir de filme negativo não retocado – estão dispostas ao longo de seis zonas do grande cubo branco que forma o espaço expositivo."Eu, no princípio, não queria ir porque também queria apostar no Andorinha, que estava para subir de divisão.Estava com aquela fome de bola".“Durante o ano de 1993, o Steven fotografou a Linda várias vezes; desenvolveram uma bonita relação”, comenta Moffat.

O antigo capitão recorda que foram os pais que o convenceram a deixar a Madeira, aos 21 anos, para embarcar na aventura do primo mais novo.Foi o ponto final na carreira futebolística que já tinha conhecido um sobressalto quando, aos 12 anos, o pai imigrou para França com a mulher e filhos.” Linda Evangelista, Nova Iorque, 1993 ©Steven Meisel Brent King, Nova Iorque, 1993 ©Steven Meisel."Havia um senhor que me queria levar para o Benfica e nesse espaço, o meu pai vai para França e em seis meses a nossa vida vira toda.Seis meses depois já eu estava em França, com a minha mãe e irmã.E o futebol ficou para trás", relembra Nuno sem ressentimento pela decisão paterna.

Em França, ainda jogou pela equipa juvenil do Bordéus, a cidade francesa onde a família Viveiros vivia, mas a competição assumiu definitivamente um papel secundário na vida do jogador quando o primo foi para Manchester.Durante cinco anos - entre 2003 e 2009 - Nuno Viveiros foi a sombra de Cristiano Ronaldo na cidade inglesa.Na mansão de Alderley Edge, a 20 quilómetros do estádio, o primo mais velho previa e provia as necessidades do jogador do United.Era ele quem o transportava, muitas vezes quem lhe escolhia a roupa e, mais importante, quem o aconselhava."Ele tirava a roupa, ia para o ginásio e eu dava-lhe massagens nos pés, que ele estava todo partido", traz Nuno à memória.

Quando, em 2009, Cristiano assinou pelo Real Madrid, Nuno entendeu que era hora de regressar à ilha, onde já tinha uma filha de uma primeira relação."Já estou farto de estrangeiro, 15 anos de estrangeiro já chega para mim, Cristiano", recorda a conversa que então teve com o primo.No regresso ao Funchal, apenas com o nono ano de escolaridade, Nuno Viveiros agarrou-se ao balde e à trincha como operário da construção civil numa empresa familiar.Reconhece que era desconcertante ter um trabalho nas obras e, chegando o Verão, embarcar num iate de luxo com o primo e a restante família para férias no estrangeiro.O antigo capitão de CR7 tem 40 anos, três filhas, duas delas gémeas nascidas da atual companheira, e é a cara mais conhecida do Museu CR7, situado na marginal do Funchal, a seguir à estrela internacional.

É ele quem, pela manhã, abre as portas do museu aos grupos de turistas portugueses e estrangeiros que aguardam para ver os prémios individuais e coletivos de Cristiano Ronaldo.No andar subterrâneo do edifício, o responsável de vendas do museu aponta para uma prateleira com o primeiro troféu conquistado pelo primo, nos infantis do Andorinha.Nesse torneio, de 1993, Cristiano ganhou o troféu de jogador mais jovem e Nuno Viveiros o de melhor jogador.O outro Ronaldo da Madeira Durante o dia Adriano Aveiro é gestor comercial numa empresa de telecomunicações e, a partir das 19:00, é jogador do Santacruzense e treinador dos juvenis do mesmo clube madeirense.O ponta de lança é uma estrela regional do Futebol e da imprensa local, como confirmam as várias notícias em que já saiu, no Diário de Notícias da Madeira.

Já foi melhor marcador, melhor jogador, tem mais de 300 golos e uma bola de ouro, em 2015, ao serviço do Câmara de Lobos no campeonato regional, o equivalente ilhéu aos distritais.O primo Adriano Aveiro, em 2015, quando ganhou a Bola de Ouro dos regionais Créditos: Diário de Notícias Madeira Aos 39 anos, Adriano é mais conhecido como o primo do outro, Cristiano Ronaldo."O primo do outro, o primo do outro.Já me incomodou mais.Houve um jogo em que eu fiz seis golos e o jornalista teimava em perguntar-me pelo Ronaldo.

Não me importo de responder sobre o Ronaldo mas aquele momento era o meu momento", desabafa Adriano, antes de um treino preparatório para o encontro com o Porto da Cruz, no fim de semana seguinte à entrevista.Os Viveiros e os Aveiro (ramos materno e paterno de Cristiano Ronaldo) têm o Futebol no ADN e o berço na freguesia de Santo António, a maior do Funchal.Os pais, sempre ligados ao associativismo no Andorinha, viviam nos prédios de habitação social da Ribeira Grande (casos das famílias de Nuno e Adriano) e na Quinta do Falcão, onde habitava Cristiano com os três irmãos.Loading..

.O quotidiano dos rapazes, com diferenças de dois e três anos de idade, decorria na rua e atrás da bola, independentemente da hora e local.A maioria dos lugares onde jogavam já não existe; o sítio das Madalenas é um jardim público, a Quinta das Freiras é um amontoado de entulho e as ruas adjacentes à casa de Ronaldo estão cheias de carros.A própria casa onde cresceu veio abaixo e o lugar foi transformado num parque de estacionamento.Há quase três décadas o Futebol das ruas de Santo António migrava para o Andorinha, levando irreverência e individualismo para dentro das quatro linhas.

Um fluxo muito distinto do atual, em que os jogadores se formam nas academias e clubes desportivos, moldados à forma do treinador."Nas academias, o treinador está com um comando e diz: joga para a direita, joga para a esquerda, e não deixa a criança libertar-se".Ricardo Santos, um dos únicos ex-colegas de Ronaldo que vive profissionalmente do Futebol, afiança que, como treinador, tenta fazer diferente; dar aos rapazes o último terço dos 90 minutos para resolverem a partida sem barreiras, com fintas, remates e os golos bonitos.O treino matemático não moldou a geração de Cristiano Ronaldo e dos amigos.Que espécie de jogador seria ele com os atuais espartilhos do Futebol? A Grande Reportagem apresenta “O 11 Inicial” hoje no Jornal da Noite.

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