Quando um vírus mudou a história humana

Quando um vírus mudou a história humana

10/04/2020 14:00:00

Quando um vírus mudou a história humana

“A gripe espanhola infectou um em cada três habitantes da Terra ou 500 milhões de seres humanos”, relatou a jornalista e escritora Laura Spinney em livro

O cortiço, para traduzir o desencanto da personagem Piedade com sua vida no Rio de Janeiro, “este inferno onde em cada folha que se pisa há debaixo um réptil venenoso, como em cada flor que desabotoa e em cada moscardo que adeja há um vírus de lascívia”. Dois anos depois da publicação do livro, em 1892, o russo Dmitri Ivanovsky descobriu o primeiro vírus causador de uma doença em plantas de tabaco. No mesmo ano, uma epidemia de gripe devastou a Rússia, matando 1 milhão de pessoas. Na época, a causa foi atribuída a uma bactéria. Apenas em 1931 o americano Richard Shope confirmou o que outros já suspeitavam: a gripe era causada não por bactérias, mas por um patógeno centenas de vezes menor, alcunhado vírus. Daí para a frente, o sentido da palavra nunca mais foi o mesmo. Entre Ivanovsky e Shope, um vírus sorrateiro, então desconhecido, provocou uma devastação sem paralelo na história humana: a gripe espanhola de 1918.

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Em todo o mundo, com exceção da Europa, ela matou mais gente que a contemporânea Primeira Guerra Mundial. Só nos últimos anos, contudo, tem recebido a devida atenção dos historiadores, redobrada agora em virtude da pandemia do novo coronavírus. “A gripe espanhola infectou um em cada três habitantes da Terra ou 500 milhões de seres humanos. Entre o primeiro caso, registrado em 4 de março de 1918, e o último, por volta de março de 1920, matou de 50 milhões a 100 milhões de pessoas, entre 2,5% e 5% da população global”, relatou a jornalista e escritora Laura Spinney em

Pale riderCavaleiro solitário).“‘Foi a maior onda de morte desde a peste negra, talvez em toda a história humana.’”­­Mesmo assim, não ocupa nos livros o mesmo espaço dedicado às duas grandes guerras, ao comunismo, ao nazifascismo, à descolonização ou ao imperialismo. Curiosamente, todos parecem se lembrar de algum parente ou celebridade atingido pela gripe. “É lembrada pessoalmente, não coletivamente. Não como desastre histórico, mas como milhões de pequenas tragédias privadas.” No livro, lançado às vésperas do centenário da pandemia, Spinney tenta resgatar a memória do que chama de “mais dramático evento de todos, bem diante de nossos olhos”.

Jornalista e romancista, ela traz um olhar ao mesmo tempo detalhista e abrangente para o tema. Distante do jargão e das pretensões acadêmicas, atinge um ponto próximo do ideal na mistura entre conteúdo científico, relatos humanos e debate intelectual. Seu maior trunfo é abandonar a visão americana e eurocêntrica para, com base numa pesquisa extensa, revelar as transformações em todo o planeta — dos ítalo-americanos em Nova York aos yupiks do Alasca, do santuário persa de Mashhad às minas de ouro e diamante sul-africanas, dos chineses da província de Shansi aos indianos de Gujarat, dos soldados apinhados nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial às ruas vazias do Rio de Janeiro. A diversidade comprova como, naqueles dois anos, um vírus microscópico mudou a história do mundo.

PUBLICIDADEO Brasil, onde a gripe aportou em setembro no Recife, ocupa lugar de destaque na narrativa. Para descrever o impacto da doença na vida familiar, Spinney recorre às memórias do escritor Pedro Nava, que chegou ao Rio em 1918 e logo foi atingido pela gripe. Usa o romance de Azevedo para reproduzir a atmosfera dos cortiços devastados pela moléstia (metade dos cariocas a pegaram e quase 2% morreram). Lança mão da ironia de Luis Fernando Verissimo para mostrar como, depois da tragédia, todos se puseram a ignorá-la. Quando o medo do contágio passou, as ruas voltaram a encher, o Carnaval ganhou vida e proliferaram os “filhos da gripe”. Todos preferiram esquecer as imagens de “oceanos de cadáveres nas janelas”, apodrecendo à espera do serviço funerário. Agora que outro vírus assombra o planeta, Spinney nos ajuda a vislumbrar as dificuldades, ilusões e esperanças que o futuro nos reserva.

PALE RIDER: THE SPANISH FLU OF 1918 AND HOW IT CHANGED THE WORLDLaura Spinney, PublicAffairs2017 | 352 páginas | US$ 17 Consulte Mais informação: Época »

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