Da varíola à covid-19, a história dos movimentos antivacina pelo mundo - BBC News Brasil

Da varíola à covid-19, a história dos movimentos antivacina pelo mundo

16/01/2022 02:52:00

Da varíola à covid-19, a história dos movimentos antivacina pelo mundo

Pandemia de covid-19 deu novo impulso a movimento contra vacinação em muitos países ao redor do mundo. Mas ele não é nada novo; desde seu surgimento no século 18, seus apoiadores têm se feito ouvir, às vezes organizando protestos em massa.

Benjamin Moseley (1742-1819) juntou-se à luta contra a vacinação em 1799 e tentou convencer o Parlamento a rejeitá-la durante seus discursos em 1802 e 1808.Suas opiniões foram brilhantemente capturadas pelo artista britânico James Gillray (1756-1815) em uma tirinha intitulada "The Cow-Pock, or the Wonderful Effects of the New Inoculation!" ("A Varíola Bovina, ou os maravilhosos efeitos da nova inoculação!", em tradução livre).

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Leiam Fake ! Foram fatores como o eugenismo que fizeram povos se rebelar. Em lembrar de missigenação, saudações à rainha Vacinas imunizam. O q temos hj são terapias gênicas. Existem grupos pró estudos aprofundados infelizmente os narco laboratórios fabricantes de suas drogas ñ querem responder quato dos efeitos adversos d suas drogas falam dos antes drogarias mais não falam das drogas fármacos que foram tiradas de usos por efeitos colaterais adversos

O que comprova que seus adeptos, ainda estão na pré história. Melhor resposta de todas para pessoas anti vacinas é a que meu professor de infectologia um dia falou durante uma aula: “Sabe varíola? Conhece alguém com varíola? Não? É porque foi erradicada devido a vacinação…” tomei duas doses da astrazeneca , não estou saindo pra festa etc .... peguei novamente e com sintomas mais fortes , estou há dois dias em casa de cama repousando tomando remedios caseiros ..... quantas doses a mais terei que tomar da vacina pra ficar curado ? só duas não dá ?

Opa LulaCanalha

Covid-19: MG passa de 19 mil casos em 24 horas e bate novo recordeEssa foi a terceira vez na semana que as novas notificações da doença no estado chegaram ao volume mais alto Eu disse que vocês morrerão em seus pecados se vocês não crerem que Eu Sou, de fato morrerão em seus pecados'.Eu Sou o que vive;estive morto, mas eis que estou vivo por toda a eternidade! “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos.'eu sou o principio e o fim... pode ser até um milhão n morrendo nelhuma o que importa tão querendo por pânico na população lixos

Só por ser contra ESSA vacina experimental, as pessoas tem que 'ouvir' a imprensa vir com uma narrativa distorcida e uma canalhice monstra, é um serviço a desinformação. As outras vacinas foram testadas durante vários anos, essa não. IMPRENSA CANALHA. Antigamente ninguém ligava pra eles A diferença é que antigamente os antivax não tinham meios de comunicação para espalhar as fake News....mas continuam sendo os seres mais burros da história.

Ou seja, essa imbecilidade antivax não é de hoje 🤦🏻‍♂️ Ser contra a realidade que e provada não passa de uma imbecilidade de uma asneira bem Burra e seguem dando palco pra maluco... Não consigo lembrar de ninguém anti h1n1 ou anti febre amarela. Apresentem vacinas que erradiquem os vírus, aí terão méritos

A página esquerdista quer comparar o ONTEM (quando o Homem não conhecia NADA e experimentava através de 'tentativa e erro'), com o HOJE (quando os CONHECIMENTOS acumulados DE SÉCULOS permitem ao Homem fazer VACINAS DE VERDADE). A quem essa gente quer enganar?

Ministério da Saúde pede liberação de autoteste da Covid-19Na nota técnica enviada para a Anvisa, o governo afirma que a autotestagem é uma estratégia adicional para prevenir e interromper a cadeia de transmissão da... Meu fala sério até parece que a área da saúde vão obedecer o filho um rapaz de 36anos mora aqui na vizinhança conseguiu o emprego ele é manobrista de carteira a mais de 4 anos ficou desempregado e agora que eleconaeguiu na brorocracia infernal entro a um mês

Sempre teve uns babacas

Governo pede à Anvisa que avalie liberação de autoteste da covid-19Segundo o Ministério da Saúde, a autotestagem é uma estratégia adicional para prevenir e interromper a cadeia de transmissão da covid-19, juntamente com a vacinação, o uso de máscaras e o distanciamento social Dória! A sobrecarga vem sufocando os profissionais n linha frente; pois quase 10 anos sem repor vacancias ( contando gestão anterior); e além de tudo, muitos enf. morreram na luta contra o vírus no ano, Sr. Com centenas disponíveis e na sua gestão nenhum foi nomeado? Revê isso!

Cirurgias eletivas são suspensas no litoral paulista por causa da Covid-19Guarujá e São Vicente, na Baixada Santista, suspendem as cirurgias eletivas por causa do avanço dos casos de Covid-19.Apenas os procedimentos de emergência ...

Ministério da Saúde deve entregar hoje a todos os estados vacina infantil contra Covid-19No início desta madrugada, um voo com 24 mil doses do imunizante da Pfizer chegou ao Espírito Santo. O primeiro lote da vacina pediátrica, com 1,2 milhão doses, foi entregue ontem ao governo federal. Essa é a primeira remessa de um total de 4,3 milhões unidades da vacina infantil que serão entregues ainda este mês. A expectativa é que, até o fim de março, sejam distribuídos 20 milhões de doses da vacina, volume suficiente para a primeira dose a essa faixa etária. Ouça os destaques do Jornal da CBN Não votem em quem apoia ou se cala frente ao Assédio das corretoras de crédito consignado... Telefone whatsapp...🤬🤬

Queiroga admite 3ª onda de Covid-19 por avanço da variante ÔmicronQueiroga admite 3ª onda de Covid-19 por avanço da variante Ômicron Ministro da Saúde acrescentou que agora é preciso aguardar a evolução nas próximas três semanas para acompanhar internações Mais segundo o Capiroto Jair a Ômicron é bem vinda. Q +300 crianças mortas é nada. Q estamos entrando na imunidade de rebanho kkk e o colapso dos hospitais públicos/particulares ñ é preocupante. PQ o +importante é bostejar pela boca em live e andar de 'Jet Sky'.

A equipe da BBC News Brasil lê para você algumas de suas melhores reportagens Episódios Fim do Podcast Entre os líderes proeminentes dos antivaxxers estavam os médicos Benjamin Moseley e William Rowley. Sua oposição não era apenas ideológica. Para esses médicos, a proliferação da vacinação em massa significou uma perda de receita com a inoculação que praticavam em pacientes ricos. Benjamin Moseley (1742-1819) juntou-se à luta contra a vacinação em 1799 e tentou convencer o Parlamento a rejeitá-la durante seus discursos em 1802 e 1808. Moseley chamou a varíola bovina de "sífilis do boi", brincando com a repulsa de alguns cidadãos que não gostaram do fato de seus filhos serem vacinados com fluido do corpo de um animal. Na verdade, ele equiparou a vacinação à disseminação de doenças sexualmente transmissíveis e zoofilia (atração sexual de um ser humano por um animal não humano). Ele também sugeriu que as pessoas vacinadas poderiam ter cabelo de vaca ou sua cabeça assumiria a forma de um touro. Previu também a propagação da coqueluche e da insanidade. Moseley até mencionou o mito de Pasífae, a rainha cretense que havia sido amaldiçoada por Poseidon e acasalada com um touro, dando à luz a Minotauro — um monstro metade homem metade touro. Suas opiniões foram brilhantemente capturadas pelo artista britânico James Gillray (1756-1815) em uma tirinha intitulada "The Cow-Pock, or the Wonderful Effects of the New Inoculation!" ("A Varíola Bovina, ou os maravilhosos efeitos da nova inoculação!", em tradução livre). Ela mostra Jenner fazendo um corte com uma lanceta no braço de uma mulher. Pacientes correm com cabeças de touro brotando de diferentes partes do corpo, mas Jenner não se importa. Há uma pintura na parede que mostra a adoração de uma vaca, aludindo à história bíblica da adoração do Bezerro de Ouro. Um defensor da vacinação, o médico e botânico inglês John Thornton respondeu com o tratado "Dr. Moseley's Prophecies" ("Profecias do Dr. Moseley", em tradução livre). Ele ridicularizou os argumentos de Moseley sobre possíveis mutações de pessoas vacinadas e suas referências ao mito de Pasífae. Thornton acreditava que o líder antivax deveria ser responsabilizado por cada morte resultante de seus esforços para espalhar o medo. Proibição de inoculação No mesmo ano, outro apoiador de Jenner, o médico suíço Jean de Carro, que espalhava a vacina na Áustria e no Leste Europeu, pediu a proibição da inoculação em favor da vacinação. Em 1805, William Rowley publicou o tratado: "Cow-Pox Inoculation: No Security Against Small-Pox Infection" (Inoculação de varíola: Sem segurança contra a infecção por varíola). O médico argumentou que o uso de varíola bovina era uma violação da religião sagrada. Ele usou ilustrações de um menino cujo rosto tinha grandes hematomas e uma menina coberta de sarna, abscessos e úlceras, chamando-os de vítimas de vacinadores. Crédito, Wellcome Collection Legenda da foto, "Vaccination Monster" (1802) de Charles Williams retrata apoiadores de Jenner alimentando bebês para o monstro das doenças, e antivaxxers que estão prontos para defender a humanidade com armas em suas mãos Em 1807, o antivaxxer John Smyth Stewart publicou um panfleto intitulado "30,000/ for the Cow-Pox!" ("30.000 / para a Varíola Bovina"). A tirinha no panfleto mostra Jenner e seus apoiadores com chifres e rabos. Eles estão alimentando bebês para uma fera enorme, que representa todos os problemas e doenças perigosas da humanidade. O terrível monstro defeca bebês, e Thornton, o apoiador de Jenner, os joga em uma pilha de esterco de animal. Não muito longe deles, há um memorial na foto que contém os nomes de médicos que se opunham à vacinação: Benjamin Moseley, Robert Squirrel, William Rowley, John Birch, George Lipscomb. Médicos com espadas nas mãos, prontos para proteger a humanidade da vacinação, marcham nas proximidades. 'Comportamento rude' "Ouvi de... uma criança em Peckham (que), depois de ser inoculada com varíola bovina, teve sua antiga disposição natural completamente mudada para a brutal, de modo que correu de quatro como uma besta, berrando como uma vaca e atacando como um touro", escreveu Smyth Stewart. Ele estava preocupado com o fato de que a vacinação tornaria bebês inocentes espiritualmente incapazes de entrar no Reino dos Céus. Crédito, Heritage Images/Getty Images Legenda da foto, Filho do rei George 3º, Frederick, o duque de York, tornou a vacinação obrigatória no Exército britânico durante as Guerras Napoleônicas Doenças vacinais Na verdade, várias doenças podiam ser transmitidas durante a vacinação naquela época, pois não havia desinfecção de instrumentos médicos e os médicos acreditavam que a propagação da doença se devia ao miasma, ou seja, ao ar ruim. A descoberta de microrganismos causadores de doenças e o surgimento da cirurgia anti-séptica ainda não haviam acontecido. Mas era a época das Guerras Napoleônicas e o país precisava evitar uma nova epidemia de varíola, que poderia atingir o Exército com a mesma força que o inimigo. Jenner recebeu o apoio da família real e, em 1802, o Parlamento concedeu ao médico um prêmio de 10 mil libras. Vacinação do Exército Instado pelo príncipe Frederick, duque de York, que comandou o Exército britânico de 1795 a 1827, a vacinação tornou-se obrigatória nas Forças Armadas em 1800. Seu irmão, o futuro rei William 4º, fez o mesmo na Marinha. Crédito, Legenda da foto, Tratamento de pacientes com varíola, desenho de 1820 A gravidade da propagação da varíola na época está registrada em um documento das Vacinações e Inspeções de Recrutas das Guardas de Cavalo Reais para 1817-1851. Ele dizia que dos 476 recrutas examinados, sendo que a maioria — 262 — tinha cicatrizes específicas de varíola, 138 recrutas tinham marcas de inoculação em seus braços e outros nove em outras partes do corpo. Sessenta e cinco homens foram vacinados por Jenner. E apenas um recruta entre 476 não havia sido inoculado ou vacinado e nunca havia contraído varíola. Vitória dos vacinadores Em 1801, a vacinação de Jenner chegou ao Império Russo, e em 1814, ele se encontrou pessoalmente com o imperador Alexandre 1º. A Comissão da Vacinação contra a Varíola surgiu no país no ano seguinte. No entanto, a vacinação não ganhou força na Áustria-Hungria e no Império Russo, ao permanecer opcional até a queda de ambos os impérios. O presidente dos Estados Unidos, Thomas Jefferson, apoiou a vacinação em 1806. E sete anos depois, a Agência Nacional de Vacinas foi criada no país. Após algum tempo, ficou claro que a vacinação contra a varíola com varíola bovina não conferia imunidade vitalícia, e a revacinação era realizada a cada 10 anos. Crédito, Smith Collection / Gado / Getty Images Legenda da foto, Antivaxxers tentaram combater vacinação com desenhos como este, em que o médico usa uma lanceta para fazer vários cortes no rosto do paciente antes da vacinação Mas ela teve um impacto: 7.858 mortes por varíola foram registradas em Londres na década de 1810, em comparação com 18.447 na década de 1790, segundo dados oficiais da época. Os oponentes de Jenner culparam a vacinação por tudo, desde queda de cabelo e miopia ao crescente pessimismo e declínio da arte e da literatura. Mas eles acabaram derrotados. Lutando contra a 'tirania médica' Em 1840, a inoculação foi proibida na Grã-Bretanha, e a vacinação tornou-se gratuita. Inicialmente, ela não era obrigatória. A Lei de Vacinação aprovada na Grã-Bretanha em 1853 previa que as crianças deveriam ser vacinadas durante os primeiros três meses de vida, ou os pais poderiam ser multados ou presos. A vacinação tornou-se, assim, obrigatória pela primeira vez. Essa lei significou que o Estado estendeu seus poderes ao setor de saúde pública. O direito dos pais de escolher vacinar seus filhos era limitado para garantir a saúde da sociedade como um todo. No início da década de 1860, apenas dois terços das crianças haviam sido vacinadas e não havia punição para os pais de crianças não vacinadas. A oposição à nova legislação surgiu quase imediatamente. Já em 1854, o hidropata (defensor do tratamento da água) John Gibbs publicou um panfleto " Our Medical Freedoms" ("Nossas Liberdades Médicas", em tradução livre) — o primeiro trabalho contra a vacinação obrigatória. O Estado abriu centros de treinamento de vacinas e tentou controlar a qualidade da linfa usada para a vacinação. Epidemia de varíola Entre 1864 e 1868, outra epidemia de varíola varreu o país e os pais que não vacinaram seus filhos foram punidos. A nova lei de 1867 introduziu a vacinação obrigatória de todas as crianças com menos de 14 anos e levou à mobilização de oficiais de vacinação. A legislação permitiu que pais de crianças não vacinadas fossem multados. As multas não eram mais únicas para cada criança não vacinada, mas repetidas — impostas continuamente até que a criança finalmente recebesse a vacina. A prisão era uma punição alternativa, e a pena também poderia ser estendida se a criança não tivesse sido vacinada. Ligas antivacinação apareceram nas cidades britânicas. Elas exigiam a abolição da vacinação obrigatória e propunham medidas sanitárias, como isolar os pacientes com varíola e todos os seus contatos. Crédito, Universal Images Group / Getty Images Legenda da foto, "A tragédia da varíola bovina", tirinha de George Krukshenko dedicada aos apoiadores de Edward Jenner Em 1866, Richard Gibbs (1822-1871), um homeopata irlandês e primo de John Gibbs, fundou a primeira Liga Anti-Vacinação em um distrito de Londres, com o objetivo de derrubar a 'tirania médica'. Em 1870, reunia mais de 100 filiais, 10 mil membros e 200 mil simpatizantes. 'Liberdades civis' para crianças Richard Gibbs exortou os pais "a irem para a prisão, em vez de se submeterem à inoculação de seus filhos indefesos com escrófula, sífilis e mania". William Hume-Rotherie, um líder da antivacinação na década de 1870, insistiu que, mesmo que a vacinação fosse uma boa ideia, "não deveria ser promovida pelo Estado". Crédito, Legenda da foto, "Melhor não vacinar do que vacinar com vírus impuro" por Joseph Keppler (1838-1894). "Quanto às crianças. Se os pais não podem fazer o que acham que é certo para seus filhos, então as liberdades civis estão chegando ao fim", escreveu ele em ''Vaccination and Vaccination Laws' (Vacinação e Leis de Vacinação"). Na maioria dos casos, a vacinação ocorreu sem problemas. Mas houve incidentes de infecção de outras doenças. Por exemplo, houve dois casos de transmissão de sífilis da linfa de uma pessoa doente para pessoas saudáveis durante a vacinação em 1871. Os antivaxxers usaram ativamente a possibilidade de transmissão da doença durante a imunização como argumento contra ela. Já em 1810, o cirurgião italiano Gennaro Galbiati sugeriu tomar linfa diretamente de vacas para evitar a sífilis. Mas essa iniciativa se tornou difundida apenas no final do século 19. Em 1881, o governo britânico começou a produzir centralmente uma vacina feita da linfa de vaca. Recusa de vacinação obrigatória Os jornais da época relatavam casos de recusa à vacinação, às vezes por recomendação de médicos. "'Edward Irons foi intimado por negligenciar o cumprimento de uma ordem de vacinação de seu filho, de dois anos. Ele disse que tinha uma objeção de consciência em obedecer à Lei de Vacinação, e também estava agindo sob o conselho de seu médico, que afirmou que a vacinação não era favorável à saúde da criança, nem a beneficiaria", noticiou o jornal The Leicester Mercury em 1884. "Um de seus filhos foi vacinado e sofreu muito com as consequências, por isso ele (Irons) não podia permitir que o menino corresse o mesmo risco", acrescentou o diário. A cidade de Leicester era então um dos centros do movimento anti-vacinação na Inglaterra. Dezenas de milhares de moradores irritados se reuniram nas ruas e queimaram a Lei de Vacinação. O maior protesto em março 1885 reuniu 80 mil pessoas — elas carregavam cartazes anti-vacinação, caixões de crianças e um boneco queimado representando Edward Jenner. Milhares de moradores da cidade estavam sob investigação por se recusarem a vacinar crianças. Crédito, Getty Images Legenda da foto, No final do século 19 e início do século 20, Leicester foi o centro do movimento antivacinação na Grã-Bretanha. Foto de Leicester, 1904 Em 10 de junho de 1884, o The Leicester Mercury escreveu assim sobre a multidão que saudou dois homens e uma jovem mãe que decidiu ir para a prisão por impedir a vacinação de seus filhos: "A maior simpatia foi expressa pela pobre mulher, que aguentou bravamente e, embora parecesse questionar sua posição, expressou sua determinação de ir para a prisão repetidas vezes, em vez de entregar seu filho às "ternas misericórdias" de um vacinador público. Os três foram assistidos por uma multidão numerosa e... três vivas calorosas foram dadas a eles, que foram renovadas com maior vigor quando entraram pelas portas das celas da polícia." Isolamento Os antivaxxers de Leicester, liderados pelo engenheiro sanitário John Thomas Biggs, tentaram introduzir o isolamento dos pacientes e medidas sanitárias, estabelecer a área de propagação da doença e construir esgotos confiáveis como alternativa à vacinação. Em 1880, a Sociedade de Londres para a Abolição da Vacinação Obrigatória foi fundada e, em 1896, tornou-se a Liga Nacional Anti-Vacinação. A entidade reunia intelectuais londrinos, que defendiam a "cura natural" e a homeopatia, e a classe trabalhadora das cidades industriais, que acreditava que a vacinação era outro elemento de opressão do Estado e da classe dominante. O empresário William Tebb (1830-1917) foi um dos líderes da organização. Ele próprio foi multado 13 vezes por se recusar a vacinar sua terceira filha. Tebb concentrou esforços em atrair membros do Parlamento para o movimento antivacinação e chegou a criar um jornal, o periódico Vaccination Inquirer, para disseminar suas ideias. Em 1888, Jacob Bright, parlamentar de Manchester, tentou aprovar um projeto de lei para revogar a Lei de Vacinação, mas não angariou apoio. Em vez disso, foi criada a Comissão Real, que ouviu os argumentos de vacinadores e antivacinadores por sete anos até 1896. 'Veneno Animal' Entre os líderes antivacinas da época estavam médicos como o cirurgião William Collins, que considerava a vacinação um 'veneno animal' desconhecido, e Charles Creighton, que chamava a vacinação de envenenamento do sangue, negava a existência de germes e continuava insistindo que a doença era causada por 'ar ruim'. Francis Newman, professor de latim na Universidade College London, redigiu as visões dos anti-vaxxers de seu tempo de forma precisa. Ele escreveu no Vaccination Inquirer: "O Parlamento não tem o direito à agressão, qualquer que seja o pretexto da Saúde Pública; nem qualquer outro contra o corpo de uma criança saudável. Proibir a saúde perfeita é uma maldade tirânica, tanto quanto proibir a castidade ou a sobriedade. Nenhum legislador tem esse direito. A lei é uma usurpação insuportável, e cria o direito de resistência". Apenas dois dos 15 membros da Comissão Real eram contrários à vacinação, então a maioria de seus membros decidiu por continuar a imunização obrigatória em 1896. Crédito, Getty Images Legenda da foto, "Triunfo dos oponentes de Jenner": a revista satírica Punch reagiu à nova lei de 1898 com esta tirinha Certificados de isenção A Lei de Vacinação de 1898 aboliu formalmente a natureza obrigatória da vacinação, mas para impedir que os filhos fossem imunizados os pais tinham que obter da Justiça um certificado de isenção de vacinação. Na verdade, os juízes sabotaram a implementação da lei. Assim, em 1906, apenas 40 mil recém-nascidos receberam o certificado. Ao mesmo tempo, a lei proibiu a vacinação mão a mão da linfa humana e a substituiu pela linfa de vaca para prevenir a transmissão da sífilis e da hepatite. Crédito, London Stereoscopic Company/Getty Images Legenda da foto, Prêmio Nobel de Literatura (1925) George Bernard Shaw foi um dos antivaxxers mais famosos do início do século 20 Mesmo assim, os antivaxxers continuaram a lutar. Eles encontraram apoio entre celebridades como o naturalista britânico Alfred Wallace e o escritor George Bernard Shaw, que acreditava que a vacinação era "esfregar resíduos de uma pá em uma ferida". Shaw mais tarde recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, apoiou o stalinismo e negou a existência do Holodomor (Fome-Terror ou Grande fome) na Ucrânia. O governo reconheceu que os juízes estavam sabotando a lei. Em 1907, uma nova lei foi adotada especificando que um pai poderia prevenir a vacinação de seu filho se declarasse dentro de quatro meses que uma vacina poderia prejudicar a saúde dele. Estados Unidos A luta entre vacinadores e antivaxxers continuou ao mesmo tempo nos Estados Unidos. Em 1855, o Estado americano de Massachusetts abriu um precedente ao introduzir a vacinação obrigatória de crianças em idade escolar. Em 1879, após a visita do líder antivax britânico William Tebb, foi formada a Liga Americana Anti-Vacinação. O confronto de longa data entre vacinadores e antivaxxers nos Estados Unidos resultou em um veredito da Suprema Corte dos EUA em 1905 em uma ação movida pelo pastor sueco-americano Henning Jacobson, que se recusou a vacinar crianças e pagar uma multa, contra o Estado de Massachusetts. Os juízes decidiram que qualquer Estado poderia introduzir a vacinação obrigatória se a legislatura estadual decidisse que seria a melhor maneira de prevenir a propagação da varíola e proteger a saúde pública. As crianças poderiam ser isentas da vacinação obrigatória se ela não violasse os direitos de proteção dos adultos. O lugar da vacinação contra a varíola na história A vacinação contra a varíola teve um grande impacto na história da humanidade. Crédito, Getty Images Legenda da foto, O Teatro Francês convertido em um hospital militar em Paris, The Illustrated London News, 18 de fevereiro de 1871 Exércitos francês e alemão O Exército francês foi atingindo em cheio pela epidemia de varíola quando a Guerra Franco-Prussiana estourou em 1870-1871. Dos 600 mil soldados, 124 mil adoeceram e 23 mil morreram por causa da doença. Claro, esse não foi o único motivo para a derrota dos franceses, mas o Exército alemão perdeu apenas 460 soldados de 950 mil para a varíola, pois as tropas eram constantemente vacinadas e revacinadas. A guerra resultou na unificação da Alemanha, na queda da monarquia francesa e no aumento da inimizade entre os dois Estados, o que contribuiu para a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais. A Alemanha introduziu a vacinação e revacinação obrigatórias contra a varíola em 1874 e, em 1897, apenas cinco pessoas morreram da doença naquele ano. Crédito, Legenda da foto, Recrutas do Exército francês sendo vacinados contra a varíola, quadro de Alfred Touchemolin (1829-1907), 1895 A França introduziu a vacinação compulsória contra varíola no Exército imediatamente após sua derrota em 1871. A Alemanha e a Grã-Bretanha, onde a vacinação contra a varíola era obrigatória, praticamente se livraram da doença antes da Primeira Guerra Mundial. Por outro lado, nos impérios austro-húngaro e russo, a vacinação não era obrigatória e a mortalidade por varíola permaneceu alta. O triunfo da ciência e o impacto da grande política No final do século 19, pesquisas do cientista francês Louis Pasteur e de seu rival alemão Robert Koch estimularam o desenvolvimento de vacinas. Eles lançaram as bases da microbiologia, do estudo dos microrganismos e, nas décadas de 1870 e 1880, conseguiram provar ao mundo que as doenças são causadas por micro-organismos e não pelo "ar ruim". Pasteur inventou vacinas contra cólera aviária, raiva e antraz. Após um teste bem-sucedido da vacina em um pastor mordido por um cão raivoso em 1885, Pasteur vacinou pacientes de outros países europeus e até mesmo dos Estados Unidos. Em 1886, a vacina salvou a vida de quatro meninos enviados ao cientista do outro lado do Atlântico, mais especificamente do Estado de Nova Jersey. Crédito, Getty Images Legenda da foto, Esta tirinha de 1885 reflete a teoria do miasma, mostrando a morte subindo do Central Park de Nova York, cheia de lixo e carcaças de animais, como uma fonte de "ar ruim" A partir daquele momento, novas vacinas apareceriam quase a cada década. O espanhol Jaume Ferran testou a vacina contra o cólera em 1885. Vacinas contra tétano, febre tifóide e tuberculose As vacinas contra o tétano, febre tifóide e peste surgiram na década de 1890. As vacinas contra escarlatina, difteria, tuberculose e coqueluche foram desenvolvidas na década de 1920. E a década de 1930 viu a invenção das vacinas contra tifo e febre amarela. Para pelo menos parte da população, os cientistas que pesquisaram e desenvolveram as vacinas tornaram-se heróis. Crédito, Getty Images Legenda da foto, Louis Pasteur observa seu assistente injetando a vacina contra a raiva. Ilustração da Scientific American, 19 de dezembro de 1885 Nações apoiaram a pesquisa. Na época da luta entre os impérios coloniais, cada Estado preferia ter tecnologia e medicina avançadas que protegessem os Exércitos de perdas não combatentes e reduzissem as tensões sociais. Brasil No Brasil, o medo e a desinformação sobre a imunização, além de questões políticas, foram os combustíveis para a chamada Revolta da Vacina, entre 10 e 16 de novembro de 1904. A rebelião popular contra a vacinação obrigatória da varíola resultou em 945 prisões, 110 feridos e 30 mortos. O estopim foi a lei nº 1.261, de 31 de outubro de 1904, que dava poderes às autoridades sanitárias como aplicar multas aos que se recusassem a tomar a vacina e exigir um atestado de vacinação para se matricular em escolas, realizar casamentos e viagens, e até para conseguir emprego. O então diretor-geral de saúde pública do governo federal, o médico sanitarista Oswaldo Cruz, defendia que o imunizante havia sido salvado vidas em diversos países da Europa — o Rio de Janeiro, então capital federal, sofria com o surto de varíola, devido principalmente ao seu crescimento desordenado. Mas políticos se mostravam contrários à vacinação obrigatória e as pessoas acreditavam, por falta de informação, que a invasão às suas casas se tornaria algo corriqueiro — para vacinar as pessoas, os agentes de saúde tinham autorização para entrar nas casas. Crédito, Legenda da foto, Revolta da Vacina aconteceu entre 10 e 16 de novembro de 1904 Além disso, assim como nos países europeus, a população não entendia a ciência por trás da vacina: por ser feita a partir do vírus causador da varíola bovina, circulavam boatos de que quem tomasse o imunizante passaria a se parecer com um boi. Em 10 de novembro, a revolta começou. Ela era liderada pela Liga Contra Vacina Obrigatória, uma organização criada poucos dias antes e encabeçada pelo senador republicano Lauro Sodré. "Houve de tudo ontem. Tiros, gritos, vaias, interrupção de trânsito, estabelecimentos e casas de espetáculos fechadas, bondes assaltados e bondes queimados, lampiões quebrados à pedrada, árvores derrubadas, edifícios públicos e particulares deteriorados", noticiou a edição de 14 de novembro do jornal Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro. Os confrontos com a polícia começaram com uma reunião entre pessoas contrárias à lei, principalmente estudantes. Durante dias, mais de 2 mil pessoas protestaram e combateram as forças do governo. As lojas fecharam, o transporte público sofreu interrupções. Além das 945 prisões, 110 pessoas feridas e 30 mortos, cerca de 461 presos foram deportados para o norte e condenados a trabalhos forçados. Crédito, Getty Images Legenda da foto, Cartaz da campanha de vacinação soviética em 1920: "Cidadãos! Vacinem-se contra a cólera. A morte só é impotente contra a vacinação" Comunismo Depois da Primeira Guerra Mundial e da ascensão do comunismo na Rússia, a luta das ideologias se somou ao cenário. A União Soviética não queria epidemias mortais, pois as pessoas tinham que viver e trabalhar por um "futuro brilhante", a menos, é claro, que se tornassem inimigas do povo. A competição entre os blocos capitalista e comunista durante a Guerra Fria levou ao surgimento e à disseminação de novas vacinas. Ambos os partidos se esforçaram para assumir o poder, e isso era impossível sem vencer as doenças que poderiam levar a mídia e a população do bloco inimigo a acreditar que o país era fraco e subdesenvolvido. Ambos os blocos também participaram de programas de vacinação em países pobres do Terceiro Mundo, já que a disseminação da doença e seu próprio prestígio e influência estavam em jogo. Campanha global de vacinação da OMS A história do movimento antivacinação se repetiu. Em 1959, a Organização Mundial da Saúde lançou uma campanha global de vacinação contra a varíola para atingir os países mais pobres da Ásia, África e América Latina. Os médicos novamente tiveram que lutar contra a oposição antivacinação em vários países. Crédito,