Covid-19: os problemas cardiovasculares causados pela infecção | Letra de Médico

Covid-19: os problemas cardiovasculares que podem ser causados pela infecção.

12/04/2021 19:08:00

Covid-19: os problemas cardiovasculares que podem ser causados pela infecção.

Cardiopatas acometidos pela doença têm 10,5% mais risco de morte por insuficiência cardíaca -- para os demais a incidência é de 2,3%

Atualizado em 12 abr 2021, 11h54 - Publicado em 12 abr 2021, 10h57 veja/VEJAPublicidadePublicidadeDesde o início da pandemia os especialistas ressaltam os riscos de complicações potencialmente maiores quando pessoas com doenças pré-existentes são infectadas pelo novo coronavírus. Alguns estudos chegaram a indicar que, entre os hospitalizados, cerca de 50% tinham patologias crônicas sendo que 40% destas eram cardiovasculares (DCVs).

Marido de Paulo Gustavo publica imagem do ator vestido como Dona Hermínia e faz homenagem Mulher ataca vizinhos negros com bilhetes no litoral de SP: 'Imundos' Dia das Mães: filhos falam da dor de passar data sem elas, mortas pela Covid-19

A explicação é simples: pacientes com DCVs apresentam deficiência em seus sistemas imunológicos, além de um estado inflamatório crônico latente, o que pode agravar a evolução de processos infecciosos, fazendo com que o organismo responda à agressão viral sem a mesma eficiência, na comparação com um organismo saudável. Dessa forma, portadores de insuficiência cardíaca, hipertensão, diabetes ou aqueles que tenham sofrido infarto ou cirurgia cardiovascular são considerados, desde o início da crise sanitária da COVID-19, como o grupo com maior propensão para desenvolver as formas mais agudas da doença.

Para se ter uma ideia da gravidade, cardiopatas acometidos pela COVID-19 têm 10,5% mais chances de morte por insuficiência cardíaca na progressão da infecção, enquanto que para os demais a incidência é de 2,3%. E aqui ganha força um outro problema: os sintomas de um infarto agudo do miocárdio podem ser mascarados pelos sintomas provocados pela ação do coronavírus. Por isso, a atenção aos que já fazem tratamento para doenças cardíacas precisa ser redobrado: mesmo contaminados, estes indivíduos devem manter os medicamentos de uso contínuo e a atenção à sintomatologia. headtopics.com

O tabagismo é outra preocupação quando fazemos a triangulação coração e COVID-19. É fato que quando falamos em fumantes, o primeiro órgão que relacionamos com o mau hábito é o pulmão. Mas os prejuízos do tabaco também afetam o bom funcionamento do coração, sendo um dos fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento de DCVs (duas a quatro vezes mais probabilidade do que os não fumantes).

Obesidade, coração e coronavírus é outra equação de resultado perigoso. A gordura em torno dos órgãos dentro da cavidade abdominal aumenta a possibilidade de entupimento das artérias, dificultando o desempenho adequado do músculo cardíaco. Ao somarmos este fato à presença de infecção pelo coronavírus em um paciente obeso, teremos uma amplificação deste processo promovida pela exacerbação inflamatória observada nas formas graves da COVID-19.

SequelasContinua após a publicidadeCom cerca de um ano e meio de pandemia, porém, outro fenômeno tem sido observado por médicos e cientistas: o comprometimento cardíaco de pessoas sem nenhum histórico de DCV depois de contraírem o coronavírus. Dados apontam que a prevalência de lesão miocárdica nos infectados variaram entre 7% e 36%.

As lesões ocorrem tanto pela ação direta do coronavírus no músculo cardíaco como pela elevação de substâncias inflamatórias no organismo. Dessa forma, dores torácicas ou queda de pressão arterial, durante o quadro de COVID, podem ser sinais suspeitos de insuficiência cardíaca mesmo naqueles sem histórico de problemas cardiológicos. headtopics.com

Frase do dia | Matheus Leitão Perguntaram na entrevista de emprego se eu sou mãe. O que eu faço? Trisal decide ir à Justiça para registrar filhos com nomes de três pais: 'Nosso direito'

As sequelas cardíacas não são prerrogativas apenas dos que sofreram com sintomas mais significativos da infecção. Mesmo quem passou pela COVID-19 assintomaticamente ou sem grandes desconfortos tem chance de carregar alguma avaria. Portanto, é recomendável que, antes de retomar as atividades físicas, por exemplo, pessoas que venceram a infecção procurem os cardiologistas para fazer exames investigativos e saber se órgãos como o coração foram lesados.

E infelizmente as más notícias não param por aí: há relatos que o pequeno grande vilão desta história induz a formação de anticorpos antifosfolípides, substâncias que, potencialmente, levam a um aumento no risco de trombose mesmo naqueles sem propensão. Também já existe a hipótese de a COVID-19 ter a capacidade de provocar diabetes em indivíduos saudáveis. Como se vê, a lista de sequelas, tanto cardíacas como de outros sistemas, tende ser mais longa do que gostaríamos de divulgar.

O fato é que estamos apenas no início das investigações sobre as devastações que o coronavírus pode ocasionar. Parece um filme de terror daqueles que a gente não vê a hora de acabar porque vai cansando de levar sustos. Por isso nunca é demais lembrar: cuidem-se. Não contrair a doença é a única maneira comprovadamente eficaz de evitar os danos.

Consulte Mais informação: VEJA »

Resumão diário #28: Quinta-feira, 29 de abril

Hoje tem a segunda reunião da CPI da Covid, quando os senadores devem aprovar o plano de trabalho da comissão. O Ministério da Saúde prometeu distribuir a partir desta quinta-feira mais de 5 milhões de doses contra a Covid-19. Joe Biden completa 100 dias como presidente hoje, e na véspera, fez seu primeiro discurso como presidente no Congresso.

Resumão: Você pode ter um infarto fulminante por causa da COVID.