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Ventiladores “made in” Portugal em contra-relógio no combate à covid-19

Coronavírus: Ventiladores made in Portugal em contra-relógio no combate à covid-19

03/04/2020 19:09:00

Coronavírus : Ventiladores made in Portugal em contra-relógio no combate à covid-19

Dois projectos de ventiladores pulmonares portugueses reuniram investigadores, médicos, empresas e mecenas. Ambos contam ter no fim do mês os primeiros ventiladores disponíveis – num total de 300 – e o destino é o Serviço Nacional de Saúde. Um deste

Paulo PimentaEm ambos os projectos a comunidade científica, tecnológica, médica e industrial portuguesa reuniu-se numa conjugação de esforços que, seguindo caminhos distintos, procurou chegar ao mesmo fim que é o de salvar doentes. Cada um destes ventiladores tem o seu lugar essencial ao longo do combate a esta pandemia.

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Nestes esforços, o Ministério da Ciência incentivou o uso da lei do mecenato para financiar este tipo de projectos. Quatro mecenas decidiram entretanto financiar, cada um com 250 mil euros, as primeiras 100 unidades do ventiladorAtena: a EDP, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação “la Caixa”/BPI e a REN. “Os 100 ventiladores vão ser oferecidos aos Serviço Nacional de Saúde”, diz José Rui Felizardo, presidente executivo do CEiiA.

Coronavírus: como funcionam os ventiladores e porque são vitais?Também a equipa do INESC Tec tem a Associação dos Industriais Metalúrgicos e Metalomecânicos e Afins de Portugal a pagar uma pré-série de seis a 12 ventiladores (para testes já em pessoas) e alguns dos primeiros ventiladores do lote de 200 a entregar à ARS Norte. “Estamos seguros de que arranjaremos, entretanto, o financiamento em falta para os 200 ventiladores”, afirma José Manuel Mendonça, presidente do INESC TEC. Vamos agora às particularidades de cada um dos projectos.

OA ideia doPneuma, um ventilador alternativo que recorre a um balão auto-insuflável, surgiu na sequência de um movimento lançado por um estudante português (de neurociências) na Universidade de Harvard, João Nascimento. Perante a falta de ventiladores no combate à covid-19,

lançou o projecto Open Air para a construção de um ventilador de colaboração mundial com propriedade intelectual aberta, barato e fácil de montar e, mal fez umtweetna sua conta a 11 de Março a pedir a quem quisesse que se juntasse, choveram centenas de reacções.

FotoPneumaPaulo PimentaA 11 de Março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estava precisamente a declarar que a epidemia de covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, se tinha transformadonuma pandemia. Inicialmente de causa estranha, uma forma estranha de pneumonia tinha surgido em Dezembro de 2019 na cidade chinesa de Wuhan, na província de Hubei. Para fazer face à epidemia, a OMS recomendou aos países que obtivessem ventiladores pulmonares, uma vez que cerca de 15% dos doentes têm uma pneumonia e 5% precisam de ventilação para conseguir respirar.

A questão de um ventilador de produção local, rápida e barata entrou então no radar da equipa do INESC TEC, que veio a encontrar nositeda Universidade de Rice um dispositivo de compressão e descompressão automática de um balão auto-insuflável. Foi neste último projecto que esta equipa – tal como aliás o MIT – se inspirou para o seu ventilador e foi esse projecto que o investigador Nuno Cruz, coordenador do Centro de Robótica e Sistemas Autónomos daquele instituto, levou à ARS Norte para ver se estavam interessados em algo semelhante.

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FotoPneumaPaulo Pimenta“Definimos este sistema como as mãos de um bombeiro ou enfermeiro a actuar automaticamente num balão auto-insuflável. Nas ambulâncias, há um balão que é usado para ventilar as pessoas de forma manual: alguém bombeia o ar e tem de ser feito com uma cadência e o volume certos. O que fizemos foi automatizar isso ao ritmo certo”, descreve Nuno Cruz, que coordena neste projecto uma equipa de mais de duas dezenas de engenheiros, médicos e outros especialistas.

A equipa, a trabalharpro bono, arrancou a 16 de Março e no final dessa semana tinha construído o primeiro protótipo de um ventilador invasivo (o doente é entubado) para situações de emergência. Já foi testado em pulmões artificiais no Hospital de São João e tem estado em testes em pulmões artificiais do Hospital de Santo António, ambos no Porto. Há já quatro protótipos e, até meados do mês, a equipa tenciona ter seis a 12 para ensaios clínicos naqueles dois hospitais e noutros que a ARS Norte indique, para validação pelos médicos.

FotoO investigador Nuno Cruz com parte da equipa do ventiladorPneumaPaulo PimentaTanto José Manuel Mendonça como Nuno Cruz deixam claro por que razão este ventilador, que permite o controlo do volume de ar, da frequência respiratória ou relação inspiração-expiração e inclui alarmes de detecção de paragem, pode revelar-se de importância vital. “Não tem a sofisticação de um ventilador dos cuidados intensivos. É mais simples, mas tem a vantagem de ser rápido de desenvolver, testar e construir. É um

back-upem ambulâncias e hospitais de segunda linha para libertar os ventiladores de 20 mil euros, mais sofisticados, para os casos mais graves”, sublinha José Manuel Mendonça. “É para evitar as situações dramáticas de Itália e Espanha. Não havia ventiladores para toda a gente. Aí pode ser um grande trunfo”, acrescenta. E, numa situação grave, pode ventilar-se assim um doente enquanto espera por um ventilador nos cuidados intensivos. “Pode ser útil para salvar pessoas”, resume Nuno Cruz.

Qual é o grande desafio deste projecto, perguntámos. “O desafio é fazer isto em poucos dias. É o tempo contado em horas e dias, não em meses e anos”, responde José Manuel Mendonça. Consulte Mais informação: Público »

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