Sebastião Bugalho, Opinião

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Um trailer interminável

Um trailer interminável

17/10/2021 11:11:00

Um trailer interminável

Este artigo contém spoilers, mas não da crise política. Depois de novelas orçamentais, apocalipses parlamentares e cenários eleitorais, admito ter perdido o saco, arrumado o computador, fechado o caderno, desligado o telefone e rumado à sala de cinema mais próxima. Aí fui eu. Pela primeira vez desde a chegada da pandemia, olhei para os cartazes e comprei um bilhete. Sem Tempo Para Morrer, o último 007 de Daniel Craig, depois de cinco filmes que mudaram em muito a perspetiva do espião britânico, era a escolha óbvia. A banda sonora, de Hans Zimmer, não perdeu os sons de assinatura. Craig, criticado por sentimentalismo nesta sua despedida, foi Craig. Bond, nem por isso. Dirigido por Cary Joji Fukunaga, tornado célebre como realizador da primeira temporada de True Detective, o filme não perde no que se vê nem no que se ouve, mas no que se conta. As paisagens interplanetárias, Itália, Jamaica, Noruega, Londres e as Ilhas Faroé, os climas e as culturas contrastantes, os gadgets, os Aston Martin, Q, M, Moneypenny e Felix Leiter estão todos lá. O arco narrativo, a coerência no enredo, as marcas de um episódio da saga James Bond, não estão.

spoilers, mas não da crise política. Depois de novelas orçamentais, apocalipses parlamentares e cenários eleitorais, admito ter perdido o saco, arrumado o computador, fechado o caderno, desligado o telefone e rumado à sala de cinema mais próxima. Aí fui eu. Pela primeira vez desde a chegada da pandemia, olhei para os cartazes e comprei um bilhete.

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Sem Tempo Para Morrer, o último 007 de Daniel Craig, depois de cinco filmes que mudaram em muito a perspetiva do espião britânico, era a escolha óbvia. A banda sonora, de Hans Zimmer, não perdeu os sons de assinatura. Craig, criticado por sentimentalismo nesta sua despedida, foi Craig. Bond, nem por isso. Dirigido por Cary Joji Fukunaga, tornado célebre como realizador da primeira temporada de

True Detective, o filme não perde no que se vê nem no que se ouve, mas no que se conta. As paisagens interplanetárias, Itália, Jamaica, Noruega, Londres e as Ilhas Faroé, os climas e as culturas contrastantes, os gadgets, os Aston Martin, Q, M, Moneypenny e Felix Leiter estão todos lá. O arco narrativo, a coerência no enredo, as marcas de um episódio da saga James Bond, não estão. headtopics.com

Sem Tempo Para Morrer, que demora a irónica duração de duas horas e 43 minutos, é o primeiro Bond em que o protagonista não é Bond. Temos um novo agente 007, que é mulher e afrodescendente, desfazendo o recente tabu mediático em torno da etnia e do género possíveis para o herói. Temos uma mulher e uma filha (uma"família", como ele hesita em dizer) e até coelhos de peluche pendurados entre o cinto e o coldre da Walther PPK. Nada disso seria mau ‒ ou próximo de inaceitável ‒ se fizesse sentido. Em 163 minutos de longa-metragem, Fukunaga tinha espaço para que assim fosse. Infelizmente, não o conseguiu.

Sem Tempo Para Morrercomeça como filme de terror (um homem mascarado assassina uma mãe alcoólica diante da filha, numa casa rodeada por um lago gelado), passa para filme de ação, entra em comédia (demasiadas vezes cominside jokes

forçadas, como se se tratasse de um anúncio televisivo), regressa à ação (em registo super-heróico) e termina em tragédia. A volatilidade do género ao longo da produção faz com que nenhum deles seja particularmente explorado ou capaz de ser absorvido pelo espectador. Dito de outro modo: o terror não mete medo; a comédia não tem graça; a ação não entusiasma; a tragédia não comove. É um interminável

trailersem o condão da surpresa. Tem saltos no tempo gratuitos ("cinco anos mais tarde...") e uma pressa repentina, a meio, que confunde. Bond casa, separa-se, divorcia-se, demite-se e é pai com uma única constante: continua aos tiros e a beber. headtopics.com

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Sem Tempo Para Morrernão é um blockbuster que arriscou não oferecer um final feliz ‒ algo que, mais uma vez, não seria negativo ‒, é antes um filme que tentou quebrar todas as regras de um 007 clássico, acabando entalado entre elas. Se

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