Salários e produtividade: as duas faces de Janus

Salários e produtividade: as duas faces de Janus

28/01/2022 05:35:00

Salários e produtividade: as duas faces de Janus

Portugal carece de políticas que aumentem a produtividade física para permitir aumentar os salários o que, em teoria, atrairá trabalhadores qualificados e motivados capazes de ampliar a produtividade, física e económica.

define-se como a produção, medida pelo PIB, dividida pelo número total de horas de trabalho. Com base neste indicador, a Irlanda situa-se no topo da lista, longe do fraco desempenho português, enquanto a China e a Índia se posicionam atrás de Portugal. Sendo que, nesta escala, ser mais produtivo significa pagar salários maiores.

A produção/hora, que facilita comparações internacionais, difere da produtividade física, que permite comparar unidades de produção (OCDE). Por exemplo, na produção de azeite este conceito mediria o número de metros cúbicos produzidos por hora trabalhada. Mas como aferir a produtividade de um professor?

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Produtividade define-se como a produção, medida pelo PIB, dividida pelo número total de horas de trabalho. Com base neste indicador, a Irlanda situa-se no topo da lista, longe do fraco desempenho português, enquanto a China e a Índia se posicionam atrás de Portugal. Sendo que, nesta escala, ser mais produtivo significa pagar salários maiores. A produção/hora, que facilita comparações internacionais, difere da produtividade física, que permite comparar unidades de produção (OCDE). Por exemplo, na produção de azeite este conceito mediria o número de metros cúbicos produzidos por hora trabalhada. Mas como aferir a produtividade de um professor? Para estabelecer comparações calcula-se a produtividade económica, um agregado monetário que calcula o valor acrescentado , isto é, quanto é que se cria na transformação que ocorre no processo produtivo. Uma empresa cria valor quando usa máquinas e trabalhadores para transformar uma matéria-prima (azeitonas) num bem diferente (azeite). E mão de obra e máquinas, que permitem a transformação, são remuneradas pelo valor que conseguem gerar. Remunerações e valor acrescentado são assim duas faces da mesma moeda. Nesta ótica, uma empresa que, com a mesma produtividade física, produzisse – e vendesse – o mesmo bem, em Portugal e na Alemanha, seria mais produtiva economicamente (geraria maior valor acrescentado) onde pagasse salários mais altos. Diferenças entre empresas e diferenças de contexto económico são responsáveis por disparidades na produtividade física destes dois países que se reflete na sua produtividade económica. Diferenças na sua organização interna, sendo as pequenas e médias empresas menos produtivas ( OCDE ). Diferenças na tecnologia e no rácio capital/trabalho, mas também na sua especialização produtiva, em que produzir automóveis e maquinaria pesada gera maior valor acrescentado do que produzir têxteis e serviços. Diferenças na dimensão do sector informal, cujo