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Refugiado que encontrou exílio em Portugal cumpre sonho em Tóquio 2020

Refugiado que encontrou exílio em Portugal cumpre sonho em Tóquio 2020

30/07/2021 08:05:00

Refugiado que encontrou exílio em Portugal cumpre sonho em Tóquio 2020

Congolês tem um passado traumático e vive experiência inédita com ajuda do Comité Olímpico de Portugal. Treinado por Obikwelu vai competir nos 100m.

SubscreverOs pais morreram quando ainda era muito jovem e por isso Dorian foi viver com uma tia, uma política da oposição que se viu perseguida e obrigada a fugir do Congo. A tia pediu exílio a um país europeu e com os conhecimentos que tinha conseguiu colocá-lo num avião para Lisboa

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. Quando chegou ao aeroporto Humberto Delgado, Dorian pediu exílio e foi-lhe concedido. E foi assim que em 2016, com 17 anos, o congolês chegou a Portugal, país onde já vê um futuro.O passado é de perseguição e violência.

Memórias que ainda o atormentam"um bocadinho", mas desaparecem quando está na pista, segundo contou ao DN em 2019."A liberdade" que sente é"especial" e não a consegue explicar.Assustado e de poucas palavras, passou por dois centros de refugiados na zona de Lisboa e foi num deles que o atletismo entrou na sua vida." headtopics.com

Perguntei lá no centro onde podia fazer desporto e conheci o Carlos Silva, que é treinador, e que me disse para ir para o atletismo. Disse que eu tinha potencial e mandou-me ir ao Sporting", contou ao DN o jovem congolês hoje com 23 anos.

Entrou logo para uma das maiores escolas do atletismo nacional e foi treinado por um dos melhores técnicos da velocidade portuguesa (Rui Norte). Mas teve de aprender a correr. Tinha um jeito meio desengonçado e corria com os pés para fora, o que lhe causou problemas nos movimentos e o obrigou a ser operado aos dois joelhos.

Era muito rápido e especializou-se nos 60, 100 e 200 metros, integrado no grupo de treino de João Abrantes, selecionador de velocidade.Dorian foi então integrado no programaViver o desporto - abraçar o futurodesenvolvido pelo Comité Olímpico de Portugal (COP)

, apoiado pela Solidariedade Olímpica do Comité Olímpico Internacional, que no Rio 2016 estreou a inclusão de uma equipa de refugiados. Tem uma bolsa de preparação de cerca de 18 mil euros.Desafio da ONU: Um Desporto inclusivo headtopics.com

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A história da equipa de refugiados começou em 2013, quando a ONU desafiou o Comité Olímpico Internacional a arranjar forma de o desporto ser inclusivo. O COI por sua vez pediu aos respetivos países para apresentarem projetos. O Comité Olímpico de Portugal aceitou o desafio e marcou a diferença com um projeto próprio. Um programa de integração pelo desporto apoiado pela Plataforma de Apoio aos Refugiados e pela União Europeia, que faz o filtro e separa os praticantes dos atletas com potencial olímpico.

Quando chegam aos centros de refugiados são convidados a preencher um formulário, onde lhes é perguntado se praticam ou querem praticar desporto e qual a modalidade. Depois disso o Comité Olímpico de Portugal entra em ação, fornece equipamentos e encontra clubes ou associações dispostos a recebê-los.​

O programa é coordenado por Maria Machado e desde 2016 já envolveu cerca de 1500 refugiados na prática desportiva, dois no projeto Olímpico. Além de Dorian, também Farid do boxe podia estar nos JO. O atleta natural do Afeganistão estava apurado para Tóquio 2020, mas o adiamento para 2021, por causa da pandemia, anulou a qualificação e colocou-lhe problemas ao nível das viagens para competir, falhando o objetivo.

De acordo com a definição do Alto Comissariado das Nações Unidas, um refugiado é"alguém que foi forçado a fugir do seu país por causa de perseguição, guerra ou violência". Consulte Mais informação: Diário de Notícias »

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