Projeto da FCT-Nova apresenta soluções para um “crime assustador”

Projeto da FCT-Nova apresenta soluções para um “crime assustador”

16/09/2021 22:15:00

Projeto da FCT-Nova apresenta soluções para um “crime assustador”

Os gases que permitem refrigerar frigoríficos e ares condicionados estão a ser mal eliminados por toda a Europa e alvo de um mercado negro que não cumpre as regras europeias. Para ajudar a enfrentar o problema, uma equipa internacional coordenada por dois investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, tem soluções. O projeto chama-se KET4F-Gas

JornalistaTodos os têm em casa, dentro do frigorífico ou do equipamento de ar condicionado. São gases fluorados, mais conhecidos como F-gases. Estes compostos estão contidos num pequeno compartimento localizado no interior dos equipamentos e só se tornam um problema quando são mal descartados ou eliminados. Se libertados na atmosfera, têm um potencial de efeito de estufa 23 mil vezes superior ao do dióxido de carbono (CO2), alertam os cientistas. E, por isso, têm de ser tratados adequadamente.

Bronca na liga de basquetebol: FC Porto não compareceu ao jogo com a Ovarense Candidato do Chega detido por tentativa de homicídio a família sueca Candidato do Chega disparou contra família sueca em Moura

Para controlar este problema, uma equipa coordenada pelos engenheiros químicos Ana Pereiro e João Araújo, investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, tem trabalhado num projeto que pretende encontrar “uma solução circular para reduzir o impacto ambiental dos gases fluorados”. O “KET4F-Gas” está na reta final e os resultados vão ser debatidos com “stakeholders” do sector, entre os quais fabricantes, gestores de resíduos, entidades da administração pública, associações de consumidores e de ambiente, num webinar que se realiza esta sexta-feira, na FCT-Nova.

Quando os F-gases (como os hidrofluorocarbonetos - HFC) surgiram na década de 90 do século XX, o objetivo era o de acabar com o flagelo de outros gases (como os clorofluorcarbonetos - CFC) que contribuem para a camada de ozono. “Os F-gases surgiram como a solução ideal porque não eram tóxicos nem inflamáveis e não destruíam a camada de ozono, mas com o tempo descobriu-se que contribuem grandemente para a concentração de gases de efeito de estufa (GEE) na atmosfera, quando não são manipulados de forma eficaz e eficiente. Já se forem tratados num sistema integrado, sem fugas de emissões, estes gases são seguros”, explica ao Expresso Ana Pereiro Estévez. headtopics.com

Aposta na sensibilizaçãoA questão é que para serem tratados de forma segura e cumprindo as regras, as empresas têm de pagar por tecnologia, a fiscalização ambiental tem de apertar e os sistemas de gestão destes resíduos têm de funcionar de forma mais eficiente. Como isso não está a acontecer, “estima-se que cerca de 80 a 90% dos frigoríficos e ares condicionados que chegam às gestoras de resíduos já vêm sem os compressores que contêm o gás fluorado, que entretanto foi libertado para atmosfera, porque pelo caminho foram desmantelados por sucateiros que retiram o cobre e outros materiais com mais valor”, acrescenta a engenheira química da FCT-Nova.

Para tentar travar este tipo de comportamento, o “KET4F-Gas” inclui uma componente de sensibilização dirigida aos utilizadores destes equipamentos, em várias fases. “A pessoa que compra um frigorífico, por exemplo, pode usar a nossa ‘app’ (que tem uma

escalasimilar à dos códigos energéticos) e verificar quanto é que este ou aquele modelo contribui para o aquecimento global. E quando recorre a técnicos para a manutenção do equipamento, deve verificar se são certificados e assegurar-se de que estes cumprem as regras”, aconselha Ana Pereiro.

Já para os produtores dos equipamentos e para os gestores dos seus resíduos no final de vida, o projeto inclui um manual de boas práticas que inclui informação técnica sobre os compostos e mistura dos refrigerantes e as tecnologias disponíveis para a sua separação e recuperação no fim do ciclo de vida. headtopics.com

Milhares de motociclistas protestam contra inspeções obrigatórias ANTRAM diz que transportadoras vão ser obrigadas a aumentar os preços “A ministra da Saúde e o ministro das Finanças estão a promover a escravatura dos médicos”

Recuperar e reutilizar com nanotecnologia“A busca de tecnologias inovadoras que permitam recuperar, separar e reciclar F-gases, aplicando princípios de economia circular é um dos focos inovadores deste projeto”, sublinha João Araújo. Foram desenvolvidos dois protótipos, “que permitem separar os gases em compostos puros que podem ser reutilizados nos novos refrigerantes com um potencial de aquecimento global muito mais baixo”, explica o engenheiro químico.

Atualmente, apenas 1% dos F-gases são recuperados no final do seu ciclo de vida na Europa. “A maioria vai para incineração libertando compostos nocivos para o ambiente e contribuindo para o aquecimento global”, lamenta o investigador. Os protótipos desenvolvidos pelos investigadores utilizam nanotecnologia que “permite separar e recuperar o F-gás R-32, presente em misturas do refrigerante R-410A, com uma pureza superior a 98%”. O que, afiança, “em 10 anos, permite uma poupança ambiental entre 60 e 70% em emissões de CO2 em comparação com o sistema atual de produção e incineração deste tipo de compostos”. Para o cientista não há dúvidas de que, “se apostarmos na economia circular criando um produto que pode ser reutilizado, estamos não só a mitigar os GEE como a ser competitivos em relação a outros países”.

O problema do mercado negroO uso de refrigerantes como o R410 está em 'phase down' na Europa até 2030. A União Europeia quer reduzir em 79% o consumo de gases fluorados (F-gases) até 2030, e estabeleceu regulamentos apertados para retira-los progressivamente do mercado europeu.

Contudo, alerta Ana Pereiro, “continua a existir um mercado ilegal de F-gás que viola a diretiva europeia" (aprovada em 2014 e que entrou em vigor em Portugal em 2017) e “há empresas que falsificam registos de refrigerantes para continuar a utiliza-los na UE”. headtopics.com

Um relatório da Agência de Investigação Ambiental (Environmental Investigation Agency), divulgado em julho passado, aponta o comércio ilegal de gases fluorados como “o crime mais assustador para a Europa”. A investigação da organização não governamental de ambiente, com sede em Londres, considera que as ambições europeias de combate às alterações climáticas “estão a ser minadas pelo atual comércio ilegal destes gases” e aponta a Roménia como a principal porta de entrada de produtos de um mercado negro que parte da China e passa pela Turquia e pela Ucrânia antes de entrar na UE. Segundo a EIA, o volume de HFC ilegais que entra por ano equivale à emissão de 6,5 milhões de carros a circular na Europa.

Uma questão de fiscalizaçãoQuanto à fiscalização ou falta dela em Portugal e nos países europeus, João Araújo sustenta que “os problemas são transversais a toda a Europa. E Ana Pereiro lembra que “não se conhece um único caso em que tenham sido aplicadas multas” relacionadas com este tipo de fraude. Além das conversas que vão tendo com entidades nacionais com esta responsabilidade, como a Agência Portuguesa do Ambiente em Portugal, os investigadores também vão apresentar o projeto e discutir soluções para o futuro com eurodeputados, numa reunião que se vai realizar em Baiona (França) a 22 e 23 de setembro. O objetivo é chamar a atenção para o impacto da legislação europeia no controlo dos problemas expostos.

Novo SEF deve chamar-se Agência Portuguesa para as Migrações e Asilo Itália confisca mais de quatro milhões de euros em bens a familiares de chefe da máfia 80 anos de Adriano Correia de Oliveira assinalados durante “todo o ano” de 2022

“Como a sociedade não consegue viver sem estes refrigerantes, essenciais para manter as vacinas da covid na temperatura adequada ou para refrescar casas num clima cada vez mais quente”, lembra João Araújo, “a solução é ter um sistema adequado para lidar com estes gases”.

Estimativas apontam para que a crise climática potencie o aumento de recurso a gases refrigerantes e que estes aumentem o seu contributo para a acumulação de gases de efeito de estufa em 12% até meados do século.“É preciso consciencializar a indústria e a sociedade para os riscos destes gases para o meio ambiente e para as vantagens que decorrem de uma adequada gestão destes compostos”, reforçam os investigadores.

Consulte Mais informação: Expresso »

Imagens de Lisboa no lançamento pela Apple de nova geração de iPhone e iPadEmpresa utilizou vídeos gravados no centro da cidade de Lisboa, bem como na Ponte Vasco da Gama, na Aula Magna e no Museu da Marinha. Mais um bom trabalho de jornalismo a Portuguesa! O importante e sermos vistos e reconhecidos la fora! Mas que grande complexo de inferioridade este meu povo!🤮🤲

Nova imunoterapia com origem portuguesa em teste nos EUAUma nova imunoterapia com origem portuguesa está a ser testada nos Estados Unidos em doentes com leucemia mieloide aguda, o cancro do sangue mais agressivo, anunciou o Instituto de Medicina Molecular (IMM) de Lisboa.

Nova imunoterapia com origem portuguesa está a ser testada nos EUAO ensaio está a ser testado em 28 doentes adultos “previamente tratados com quimioterapia, mas que ainda apresentam células tumorais no sangue”.

Nova imunoterapia com origem portuguesa testada nos EUAFoco são doentes com leucemia mieloide aguda.

Aston Martin investe 234,3 milhões de euros em nova fábrica com 'túnel de vento'Durante a apresentação da construção, o diretor-executivo da equipa de Fórmula 1 da fabricante britânica, Lawrence Stroll, admitiu que as obras vão durar um ano e meio, pelo que espera poder arrancar com a produção de veículos no início de 2023.

Nova imunoterapia com origem portuguesa está a ser testada nos Estados UnidosO ensaio clínico de fase 1, destinado a avaliar a segurança e a tolerância deste novo tratamento celular para o cancro, é promovido pela empresa de biotecnologia britânica GammaDelta Therapeutics, que em 2018 comprou a Lymphact.