Opinião, Assunção Cristas

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Por que ainda celebramos o dia da mulher

Por que ainda celebramos o dia da mulher

08/03/2021 04:11:00

Por que ainda celebramos o dia da mulher

Há quase 2500 anos, na tragédia grega Antígona, Ismênia tentava convencer a sua irmã, a protagonista Antígona, de que seria melhor obedecer à lei imposta pelo tio. De entre os vários argumentos, invocava o de serem mulheres e como tal não poderem lutar contra os homens e as suas imposições. Antígona pagou a desobediência com a morte. O texto de Sófocles levanta muitas e interessantes questões e uma é sem dúvida a da incapacidade das mulheres numa sociedade dominada pelo poder dos homens.

Antígona, Ismênia tentava convencer a sua irmã, a protagonista Antígona, de que seria melhor obedecer à lei imposta pelo tio. De entre os vários argumentos, invocava o de serem mulheres e como tal não poderem lutar contra os homens e as suas imposições. Antígona pagou a desobediência com a morte. O texto de Sófocles levanta muitas e interessantes questões e uma é sem dúvida a da incapacidade das mulheres numa sociedade dominada pelo poder dos homens.

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Diremos que hoje já não é assim, que a igualdade de direitos está prevista na Declaração Universal dos Direitos Humanos e as Constituições e leis da generalidade dos Estados assim o preveem. Porém, o tema está longe de esgotado. Como mulher, continuo a agradecer todos os dias viver nesta parte do mundo que, pelo menos na lei, alcançou um larguíssimo consenso segundo o qual mulheres e homens fazem parte da sociedade em pé de igualdade e para ela devem também poder contribuir, em todos os seus setores, em pé de igualdade. Infelizmente, não é assim em muitas partes do mundo. A pensar nessas raparigas e mulheres que todos os dias são desconsideradas, devemos continuar a celebrar este dia da mulher e a batalhar para que os seus direitos sejam reconhecidos.

Mas mesmo aqui, em Portugal e na Europa, a realidade mostra-nos como a igualdade aos olhos da lei está ainda muito longe da igualdade verdadeira. Isso é visível, nomeadamente, nos salários mais baixos das mulheres, no tempo muito superior que as mulheres despendem a cuidar da casa e dos filhos para além do trabalho fora de casa, nas dificuldades em aceder ou a manter um emprego, porque a gravidez e os filhos continuam a ser considerados um fardo para a mulher com potencial prejuízo para o seu desempenho profissional. As explicações sociológicas são muitas e as políticas públicas têm-se empenhado, década após década, em corrigir os fatores de discriminação, mas o progresso é lento. headtopics.com

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