Pedro Galego: ″Atendemos os casos oncológicos, mas a patologia benigna fica para trás″

Pedro Galego: 'Atendemos os casos oncológicos, mas a patologia benigna fica para trás'

04/12/2021 10:10:00

Pedro Galego: 'Atendemos os casos oncológicos, mas a patologia benigna fica para trás'

Pedro Galego, urologista no Hospital do Espírito Santo, em Évora, lamenta a falta de profissionais na região e diz que esta se deve não só a incapacidades administrativas e financeiras de recrutamento, mas também com a parca oferta de condições atrativas para fixar os médicos. Acompanhamento de doentes com problemas na próstata acaba por ser penalizado.

Subscrever"Chegam à consulta completamente às escuras""É um mito na população, e não só aqui no Alentejo, afirmar que os doentes submetidos a intervenções cirúrgicas à próstata vão ter incontinência urinária e disfunção erétil", garante o urologista explicando de imediato que a tecnologia tem hoje capacidades que resultam em grandes taxas de sucesso."O avanço no sentido prático da operação tem sido enorme e os resultados mostram isso. Pouco a pouco conseguimos demonstrar essa realidade e a ajuda do passar a palavra, boca a boca, melhora o conhecimento da população".

Ainda assim, o especialista defende a necessidade de alertar a população para as questões de prevenção."É um assunto que ficou esquecido no domínio público e raramente vem para a comunicação social".

Sobre a caracterização da população de Évora em termos de literacia para a saúde e concretamente para o cancro da próstata, generaliza-a e compara-a à restante população alentejana."Está envelhecida e pouco informada. Quando os homens chegam a uma consulta de urologia vêm completamente às escuras. Habitualmente são encaminhados pelo médico de família, mas quando chegam nem sabem bem porque é que lá estão". headtopics.com

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Valorizar o Exame PSASe a sociedade precisa de estar mais atenta e receber informação de qualidade sobre questões de saúde, também a medicina geral e familiar necessita de apoio, pelo menos assim pensam os urologistas. Neste caso, Pedro Galego deixa um apelo relacionado com o novo paradigma da prevenção do cancro prostático, que não estando convencionado aposta, cada vez mais, no rastreio que deve começar nos cuidados primários de saúde."

Custa-me perceber que são gastos rios de dinheiro a pedir valores de glicemia, valores de colesterol, de triglicéridos e uma análise tão simples ao PSA, que pode fazer toda a diferença para detetar casos, fique de fora quando o médico de família pede análises ao sangue".

Com o novo conceito à luz dos mais recentes desenvolvimentos científicos, o objetivo da urologia passou a destacar o que considera o real valor do exame PSA, o antigénio prostático específico, usado na generalidade para rastrear homens assintomáticos a partir dos 45-50 anos. Quanto mais precoce for o exame e a deteção dos casos mais possibilidades terapêuticas existem para tratar esses doentes. A nova corrente em defesa da valorização do PSA é recente e deita por terra ideais que há mais de uma década vinham a fazer caminho. Os especialistas estão agora a pedir aos pares da medicina geral e familiar uma nova atitude. Pedro Galego até exorta a Associação Portuguesa de Urologia a fazer eventos direcionados e encetar sessões clínicas, com objetivos de alterar os conceitos e as práticas ainda em voga, para otimizar o padrão de prevenção na saúde prostática.

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