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““Nudes” desta, alguém tem?” O contra-ataque para a violência sexual online também já chegou às redes sociais

Internet: “Nudes desta, alguém tem?” O contra-ataque para a violência sexual online também já chegou às redes sociais

23/11/2020 11:06:00

Internet : “Nudes desta, alguém tem?” O contra-ataque para a violência sexual online também já chegou às redes sociais

Vídeos e imagens partilhadas em grupos com milhares de utilizadores: a violência sexual online aumentou durante a pandemia. Nas redes sociais , dois movimentos tentam quebrar a corrente e mostrar que o crime é cometido por quem partilha sem consentim

800 21 90 90A vingança não é a única motivação que leva alguém a partilhar uma fotografia, vídeo ou mensagem de texto ou som com cariz sexual ou íntimo que lhe foi enviada com expectativas de privacidade. E, num crime onde os maiores perpetradores continuam a ser homens, o “entretenimento” ou um desejo de “reforço da sua masculinidade” também são apontados como razões, diz Patrícia Mendonça. “Muitas vezes, quando não se conseguem destacar e fazer valer a sua autoridade, pela personalidade ou por outras razões, fazem-nos pela partilha de coisas que são tipicamente masculinas, como vídeos de agressões ou vídeos privados”, reforça Tiago Rolino.

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Tanto Patrícia Mendonça como Tiago Rolino trabalharam em projectos com jovens em idades escolares em que o tema da violência sexual por imagens foi “amplamente debatido”. “Além de explicar como “funciona a Internet”, diz a psicóloga, é importante explicar “as questões do consentimento”. “Porque, muitas vezes, a educação sexual foca-se nos aspectos biológicos e esquece educar para uma sexualidade baseada no respeito, no diálogo e, principalmente, no consentimento que não é só oral, tem de ser acompanhado de um consentimento não-verbal” — o que autores definem como “consentimento entusiasta”.

Depois, é importante estimular o não-julgamento da vítima e a crítica, porque “parece que há uma tendência voyerista quando há algum vídeo”, continua. “Explicar que partilhar uma coisa que nos enviaram em privado com outras pessoas é uma forma de violência. Também queremos quebrar o ciclo de violência porque se a anestesiamos, se aceitamos que sejam partilhadas num grupo onde nós estamos e não dizemos nada, obviamente estamos a perpetuar este ciclo de violência”, continua Tiago Rolino. headtopics.com

Parar e responder a perguntas como:“Para que é que vou ver isto? Quais são as consequências? O que é que ganho em ver isto e até que ponto contribuo para o fenómeno se também vir isto ou se partilhar?”A sensibilização é frutífera quando “alguma voz se levanta dentro do grupo que partilha”, defende, “porque há gente que vai ver que não é preciso ter esses comportamentos para se impor, há outras formas de sermos aceites.”

Uma publicação partilhada por Não partilhes (@naopartilhes)O contra-ataque (e a sensibilização)Em 2018, a Assembleia da República aprovou penas mais pesadas para os crime da devassa de vida privada online, especialmente em contextos de violência doméstica. Mas Mariana Fernandes diz que, nos tribunais que também são as redes sociais, este

crimeainda cai numa “área cinzenta”, em Portugal. “A percepção do impacto é menor, é normal que tenha um percurso maior a fazer”, explica-se. Mas, numa altura em que a primeira coisa que futuros empregadores e relacionamentos fazem é escrever no Google o nome da pessoa, o impacto na vida de quem é exposto pode ser sísmico e duradouro.

“A pessoa que se expõe e que depois é exposta de forma não consentida a terceiros nunca mais se livra disto. Porque a internet tem esta particularidade: a rapidez com que se espalha e o não controlo que temos sobre onde vai parar a mensagem ou o vídeo que até pode, durante uns anos, estar desaparecido e depois reaparecer. Uma pessoa que viva esta situação terá sempre um medo latente na sua vida, e a longo prazo, de todas as novas situações com que se confronta”, explica Patrícia Mendonça. headtopics.com

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No questionário online que serviu de, a principal razão para os estudantes universitários inquiridos enviaremnudesfoi “estarem numa relação com a pessoa a quem enviaram, sendo a relação caracterizada por respeito”. “Muitas vezes também é motivado por alguém que quer começar a estabelecer relação com o outro e julga que este é um caminho mais fácil de o conseguir”, descreve a psicóloga.

Em 2018, uma meta-análise a dezenas de estudos concluiu que 14,8% dos menores de 18 anos assumem enviarsexts, enquanto 27,4% disseram receber. A publicação no JAMA Pediatrics também salienta que 12% dos adolescentes já enviaram uma mensagem de cariz sexual sem consentimento de outra pessoa. Durante os confinamentos provocados pela pandemia de covid-19, “supõe-se que tenha havido um aumento desta troca de mensagens, inclusivamente nos casais de namorados mais jovens que estiveram separados”, expõe Patrícia Mendonça.

Esta extensão da intimidade física para o online acompanha o aumento do tempo passado em frente a ecrãs e, agora, a redução dos encontros presenciais. Está a “tornar-se um comportamento cada vez mais normalizado”, mas, no estudo exploratório com 525 estudantes universitários de todo o país, maioritariamente mulheres e heterossexuais, com média de idades de 25 anos, metade não teve qualquer “percepção de risco”.

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