Novo conceito estratégico da NATO: Rússia passa de cooperante a hostil - Renascença

28/06/2022 08:50:00

Novo conceito estratégico da NATO: Rússia passa de cooperante a hostil

Novo conceito estratégico da NATO: Rússia passa de cooperante a hostil

Os 30 Estados-membros da NATO reúnem-se durante três dias em Madrid numa cimeira onde se repensa o papel da Organização Tratado do Atlântico Norte e as suas estratégias de defesa. Mais contributos financeiros e mais investimento na defesa; a indústria norte-americana como solução; mais forças junto a fronteiras hostis e a adesão da Finlândia e Suécia deverá ficar ainda por decidir.

“Em 2010, a NATO procurava estabelecer uma relação com a Rússia de cooperação e parceira no rescaldo do que tinha acontecido em 2008 na Geórgia, nessa altura procurou-se fazer um ‘reboot’. Nesse enquadramento, o presidente Medvedev esteve na cimeira da Nato e a Rússia na altura tinha um estatuto de parceria estratégica. Ora nada disso acontece agora e a Rússia passou a ser uma ameaça e nesta altura não se prevê qualquer relação de parceira”, explica à

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NATO atualiza conceito estratégico em pleno braço de ferro com a RússiaO conceito estratégico é um documento-chave da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês), uma vez que define os desafios de segurança que a organização enfrenta e traça as prioridades políticas e militares a desenvolver para os enfrentar.

Manifestação em Madrid contra a cimeira da NATOEsta manhã, houve em Madrid uma manifestação contra a cimeira da NATO. Milhares de pessoas percorreram as ruas da capital espanhola, a dois dias do arranque do encontro da Aliança Atlântica.

Milhares de pessoas nas ruas de Madrid contra a NATOMadrid acolhe entre terça e quinta-feira uma cimeira da NATO. Este domingo milhares manifestaram-se contra a organização. De Portugal viajaram 20 elementos do Conselho Português para a Paz e Cooperação Ide para a putin que vos pariu. Estes otarios não percebem que se não fosse a NATO os russos já tinham invadido mais países. São cães que mordem a mão de quem lhes protege.

NATO aumenta número de tropas 'em prontidão' de 40 mil para 300 milNa cimeira de Madrid, a NATO também vai alterar a postura que mantém sobre a Rússia que, na última publicação da estratégia da aliança, em 2010, ainda era descrita como 'parceiro estratégico'.

Biden defende que G7 e NATO devem ficar juntos na guerra da RússiaO presidente dos EUA encontrou-se com o chanceler alemão e lembrou que os russos esperavam um ocidente dividido por causa da guerra.

NATO no Magrebe/Sahel: uma questão de sobrevivência, uma possibilidadeHá dois momentos, no passado recente, que dão chão a esta possibilidade. Primeiro, em dezembro de 2021, há escassos sete meses, o presidente (PR) francês Emmanuel Macron, declarava a 'morte cerebral' da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Antes disso, em setembro de 2021 a diplomacia francesa enfrentava o fracasso de um negócio multimilionário de venda de submarinos não nucleares à Austrália, que num golpe de asa opta por comprometer-se com os Estados Unidos e com a Grã-Bretanha e faz ainda a França passar pelo embaraço da criação da AUKUS, uma aliança militar entre (Au)strália, United (K)ingdom e (U)nited (S)tates, uma 'mini-nato do sudeste asiático' para conter a China. Este panasca fantoche dos ianques,continua a espalhar ódio .

Foto: Reuters De que forma a invasão Russa da Ucrânia abalou a segurança europeia e a estratégia da Nato? Qual deverá ser o novo conceito estratégico e de financiamento? Como deve a Aliança enfrentar a crescente influência da China? Estas são algumas das questões que vão estar em discussão durante os próximos três dias na capital espanhola na Cimeira da NATO.NATOpress/Twitter A NATO vai adotar na cimeira de Madrid desta semana o seu novo conceito estratégico, naquela que será a atualização mais relevante das últimas décadas, dado ocorrer num novo cenário geopolítico marcado pela agressão militar russa à Ucrânia.VER MAIS A manifestação foi convocada por uma plataforma que junta movimentos da sociedade civil, sindicatos e partidos, incluindo as forças políticas da extrema-esquerda que fazem parte da coligação governativa espanhola.Lusa Milhares de pessoas manifestaram-se este domingo contra a NATO nas ruas do centro de Madrid, cidade que acolhe a cimeira da Aliança Atlântica entre terça e quinta-feira.

Uma coisa parece óbvia: A NATO vai rever o Conceito Estratégico e nele a Rússia terá um papel bem diferente. “Em 2010, a NATO procurava estabelecer uma relação com a Rússia de cooperação e parceira no rescaldo do que tinha acontecido em 2008 na Geórgia, nessa altura procurou-se fazer um ‘reboot’. Doze anos volvidos, em Madrid, os Aliados vão aprovar o novo ‘roteiro’ estratégico, num contexto bem diferente. Nesse enquadramento, o presidente Medvedev esteve na cimeira da Nato e a Rússia na altura tinha um estatuto de parceria estratégica. Ora nada disso acontece agora e a Rússia passou a ser uma ameaça e nesta altura não se prevê qualquer relação de parceira”, explica à Renascença o Major General Carlos Branco. Esta semana, a cimeira de Madrid tem lugar num contexto de grande tensão e com uma guerra em curso na Europa, na qual os países membros da NATO estão a fornecer material militar à Ucrânia para combater a invasão russa, ao mesmo tempo que a organização reforça o seu flanco leste. Quanto à China, outro tema certamente abordado na reunião, “não será tida como ameaça, mas competidor estratégico a seguir com muita atenção”. A oposição à NATO é"sempre uma linha determinante da ação do Conselho Português para a Paz e a Cooperação", justificou Julie Neves, à Lusa, sublinhando que está em causa"o cumprimento da própria Constituição da República Portuguesa, onde está prevista a dissolução dos blocos político militares".

Também o Major General Raul Cunha vê como facto de maior importância neste encontro a atualização do Conceito Estratégico e não tem dúvidas que do encontro sairá “um aumento da postura militar, com a Aliança a dar a imagem de que está pronta e enfrenta qualquer ameaça . Com grande parte das atenções focadas agora no flanco leste, e sendo altamente provável que, ao contrário de 2010, a China seja agora também mencionada no documento — até pelo apoio expresso de Pequim a Moscovo no quadro do atual conflito -, também haverá referências à necessidade de a Aliança Atlântica não negligenciar o flanco sul. Terá uma postura mais ativa, fará mais exercícios e vai alinhar numa maior colocação de forças nas fronteiras junto dos países hostis, com colocação de forças de forma mais evidente”. Contributo financeiro dos membros Um dos documentos que se espera que seja também aprovado neste encontro é o da sustentabilidade financeira da NATO e da partilha de custos entre os membros. “O conceito estratégico de Madrid refletirá o novo ambiente de segurança e reafirmará o compromisso com os nossos valores e a nossa unidade, assegurando que a nossa Aliança está apta para o futuro”, declarou recentemente o secretário-geral da NATO, o norueguês Jens Stoltenberg, a quem os chefes de Estado e de Governo da Aliança solicitaram na anterior cimeira, celebrada em Bruxelas no ano passado, que avançasse com a atualização do documento orientador. A meta em vigor é a de 2% do PIB para despesas militares até 2024. “ Continuará a pressão sobre os países da NATO para aumentarem despesas em matéria de segurança ”, afirma o Major General Carlos Branco que acredita que o documento que será aprovado deverá seguir esta orientação de aumento da contribuição de todos os Estados Membros da Aliança, arriscando mesmo dizer que o contributo deverá passar de 2% para 2,5% do PIB. Países como a França querem que a “Bússola Estratégica” da UE seja integrada no novo “conceito estratégico” da Aliança, até porque a parceria estratégica entre as duas organizações “é mais sólida e pertinente do que nunca neste momento crítico para a segurança euro-atlântica”, conforme constata o sétimo relatório intercalar sobre a cooperação UE-NATO, publicado na semana passada. "Estamos profundamente convictos de que a guerra não serve os povos nem a juventude e é preciso denunciar o papel que a NATO tem", afirmou, condenando a intenção do governo português de aumentar o orçamento"para o negócio do armamento" quando"a juventude passa por tantas dificuldades" e"há carências, por exemplo, ao nível da saúde".

A NATO, essa, diz “está a pensar num novo modelo de força, tem a ver com algo que se chama de dissuasão e defesa da região euro atlântica, estimam-se alterações significativas as NRF, as chamadas Nato Response Forces que em princípio darão lugar a um novo formato ARF, as Allies Response Forces”, acrescentando que não é só uma questão de nomenclatura, mas uma diferença de conceito. Estados em incumprimento Em 2019 não chegavam a uma dezena os Estados-membros da NATO que contribuíam com 2% do PIB para despesa militar e de segurança. “A Cimeira de Madrid é importante para aprovarmos o novo Conceito Estratégico da NATO para os próximos 10 anos, o plano de investimento de reforço da NATO nos próximos 10 anos, que são os temas centrais”, disse, salientando também o reforço da unidade da Aliança, apontando que foram dados “passos muito grandes desde as eleições norte-americanas de 2020”, que ditaram a nomeação do atual Presidente dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden, e a saída da Casa Branca do republicano Donald Trump. Perante a crise que se está a instalar por causa da guerra na Ucrânia aumentam as dúvidas sobre a capacidade financeira dos aliados. “ A probabilidade de não ser cumprida existe e não é tão pequena como isso, tendo em conta que a situação económica na europa não está fácil e vai deteriorar-se com esta guerra (resultado das sanções que estão a ter efeito boomerang dramático e estamos só no início), a pressão existe.. Se vai haver cumprimento? naturalmente de alguns Estados com menores recursos haverá resistência, mas mais tarde ou mais cedo vão ter de se chegar à frente não apenas nos 2% mas em mais alguma coisa”. Entre os milhares que desfilaram em Madrid, havia pessoas de todas as idades e nem todas estavam integradas em partidos, associações, movimentos ou sindicatos.

Carlos Branco, que já exerceu funções na NATO, considera que a organização precisa de investimento e vai deparar-se em breve com uma opinião pública controversa. “Isto vai ser complicado porque as opiniões públicas vão estar pressionadas pela deterioração da qualidade de vida, do custo dos bens de primeira necessidade, vão reagir de uma forma que se estima negativa . Agora é preciso ter em conta que com o aumento do esforço a nível militar e da ameaça que se coloca às fronteiras da Nato a Leste, esta terá de reagir e tomar medidas mais assertivas em matéria de dissuasão e isso custa dinheiro!” Raul Cunha tem também sérias dúvidas sobre o cumprimento financeiro no sector da Defesa por parte do nosso país. “É óbvio que as sanções estão a ter impacto nos países e não sei se nesta altura será possível desviar verbas para a parte militar quando vai ser necessário seguramente também acudir a necessidades, por exemplo, no âmbito da energia, é preciso dosear com muito cuidado”, conclui. Indústria militar americana deve sair beneficiada Neste encontro deverá ser abordada a necessidade de mais meios humanos dedicados às missões da Aliança Atlântica, mas também de investimento tecnológico, investigação e desenvolvimento na base industrial de segurança e defesa. A manifestação de Madrid contou com cerca de 2.

“Este último é um problema para a Europa difícil de resolver porque a base industrial em matéria de defesa é frágil e a tentação será adquirir material norte-americano . Alguns países já deram fortes indicações nesse sentido, a Alemanha já disse que vai aumentar o orçamento da Defesa mas vai adquirir aviões F35 (americanos), há outros países europeus que tencionam fazer o mesmo e comprar também helicópteros norte americanos, os Sinuk. Deverá ser desta forma que o equipamento necessário para os novos desafios vai ser adquirido”. O Major General Raul Cunha por seu lado sublinha que “u ma das coisas que fica clara neste conflito é que a Rússia é uma ameaça que tem meios que os países da aliança ainda não têm e vai, por isso, ser importante reforçar tecnologicamente os componentes da Aliança”, explicando que “a Rússia tem, por exemplo, misseis hipersónicos, e nós, mesmo em relação aos convencionais estamos atrasados; usa drones de forma exponencialmente, tem capacidades de artilharia e engenharia superiores às nossas e há melhoramentos que têm de ser feitos”. O antigo conselheiro da Nato, fala do caso português, “ a grande contribuição que damos à Aliança é de extrema qualidade do nosso pessoal, mais que isso precisamos que nos ajudem a melhorar a parte material onde temos nítidas insuficiências , precisamos melhorar a artilharia, ter aparelhos não tripulados, melhorar a Força Aérea..

Temos uma grande responsabilidade na vigilância marítima e os meios da Marinha Portuguesa têm de ser melhorados. Há muita despesa em termos materiais para fazer”. Adesão da Finlândia e da Suécia A Organização Tratado do Atlântico Norte (OTAN) tem nesta altura 30 Estados-membros. O mais recente é a Macedónia do Norte, que entrou em 2020. Os mais recentes aspirantes a membros são agora a Finlândia e a Suécia.

O major general Carlos Branco avança que não deverá já ser dada luz verde, mas haverá avanços. “Relativamente à Turquia e ao bloqueio que tem vindo a colocar relativamente à admissão da Finlândia e da Suécia, penso que esse assunto será resolvido. A cimeira será um sucesso e a Turquia em última análise conseguirá aquilo que pretende: reingressar no programa do F35 e conseguir que os Estados Unidos lhes vendam e coloquem no seu território baterias patriot ”. Acredita que “os entraves irão ser ultrapassados e isso é que é importante”. Tópicos .