Coronavírus Covid-19 Entrevista Maria Margarida De Oliveira Médicos Pela Verdade Máscaras

Coronavírus Covid-19 Entrevista Maria Margarida De Oliveira Médicos Pela Verdade Máscaras

Médicos pela Verdade. 'Não somos contra as regras nem anarquistas, mas questionamos'

28/11/2020 13:37:00

Por que razão decidiu ser uma das fundadoras dos Médicos Pela Verdade em Portugal?O principal motivo foi a perceção de que estava a ficar para trás muita atividade assistencial aos doentes, também a nível privado. Por motivos de saúde, há uns anos, deixei o serviço público. Era muito nova para ser dispensada de fazer noites, mas tenho uma doença autoimune e comecei a claudicar. Fiquei mesmo internada, nos cuidados intensivos e, portanto, tive de fazer umas escolhas. E foi por isso que deixei o Serviço Nacional de Saúde, mas o meu coração continua lá. E é por isso, se calhar, esta minha demanda. Agora só faço serviço privado. Desde que a pandemia começou, nunca parei de trabalhar e continuei sempre a anestesiar, porque sou anestesiologista. Mas quando acabou o confinamento, houve um dia em que tinha uma lista de espera de 100 doentes. Sei o que se passa na linha da frente. E  decorrente de várias conversas que nós tínhamos – com colegas de trabalho, etc. – começámos a reparar que tínhamos todos a mesma preocupação. E acho que a principal motivação que nos levou a agir foi essa, ou seja, o acumular de uma atividade assistencial que não estava a ser feita. Depois começámos a fazer contas e a interagir com colegas de outros países, a estudar epidemiologistas e virologistas internacionais. Entretanto começámos a perceber que havia outro caminho possível, porque a nossa vontade nunca foi política nem de criar desordem.

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Nem de esquecer que estamos a atravessar uma pandemia?Não, nunca negámos isso. Em relação à definição de pandemia, levava-nos, de facto, a uma conversa mais longa. Mas não tenho dúvidas de que há efetivamente um surto epidémico associado a um agente virológico. É indiscutível.

Mas questiona algumas regras implementadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS)?Algumas regras poderão fazer sentido. Nós, Médicos Pela Verdade, temos, aliás, duas propostas em relação ao uso de máscara e em relação aos lares. Porque estamos ligados a algumas pessoas que estão envolvidas na fundação da Great Barrington Declaration, movida por epidemiologistas, virologistas, de renome internacional, e professores universitários, com trabalhos publicados. São pessoas que sabem do que falam e têm uma perspetiva diferente. E eles defendem muito a abordagem que é muito a nossa. Dizem que a mortalidade não se controla nos hospitais. E não se controla. É isso que nos deixa num desespero. Há muita coisa que se pode fazer. E nunca ninguém nos deu oportunidade de nos explicarmos. headtopics.com

Mas vocês são contra algumas das regras da DGS, como por exemplo o uso de máscara?Não somos contra as regras nem anarquistas, mas questionamos. Embora possam vir com argumentos da Organização Mundial de Saúde, a verdade é que há uma coisa basilar, que é explicada num trabalho publicado pela universidade de Copenhaga, em que eles demonstram que não há diferença significativa em termos de contágio entre o uso e o não uso de máscara num cidadão comum na comunidade comum. Dividiram a população – entre milhares de pessoas – em dois grupos: uns com máscara e outros sem máscara. E a percentagem de contágio no grupo com máscara foi de 1,8% e do grupo sem máscara de 2,1%. Estamos a falar de uma diferença de 0,3%. É indiferente. Os assintomáticos usarem máscara não faz sentido, até pode trazer algum risco respiratório. A máscara que usamos tem uma temperatura e uma humidade que vão acumulando e é favorável ao aumento de bactérias, aumentando também o risco respiratório. Num jogo de futebol, por exemplo, se eu estou sentada, quieta, a ver o jogo, não faz sentido estar de máscara, mesmo estando rodeada de pessoas. Se estiver eventualmente infetada, o meu perdigoto não vai para o lado.

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