Macron, Pécresse e a Cavaleira que diz ″Ni!″

Macron, Pécresse e a Cavaleira que diz 'Ni!'

21/01/2022 16:53:00

Macron, Pécresse e a Cavaleira que diz 'Ni!'

É a filha primogénita da Igreja desde o batismo de Clóvis. Teve Carlos Magno por Rei, bem como seus sucessores, até à dinastia dos Capeto. Foi o coração espiritual e cultural da Europa, berço das cruzadas, da literatura provençal, do ideal cavalheiresco e do amor cortês. Venceu a Guerra dos 100 anos contra a Inglaterra, despojando-a dos seus territórios continentais. Manteve-se católica até alinhar com os protestantes, contra o sacro-império dos Habsburgo. Saiu reforçada do Tratado de Vestfália, assim premiando o legado estratégico de Sua Eminência, o Cardeal Richelieu. Fundou o iluminismo e tornou-se a bússola ideológica desta catadupa de revoluções que tem sido a modernidade. Gerou também o primeiro dos filhos tirânicos da revolução, o mesmo que fez Beethoven corar de remorso, obrigando-o a mudar o título da 3ª sinfonia, de Bonaparte para Eroica. Por fim, expandiu-se num dos maiores impérios coloniais da história, o qual só começou a ruir após a metrópole ter sido palco de duas guerras mundiais.

Tudo isto é a França, ou era. Em 1920, a quantidade total de terras sob soberania francesaalcançouos 11.500.000 km2 (4.400.000 km2), com uma população de 110 milhões de pessoas, em 1936. No entanto, desde o pós-guerra que esta nação tem visto o seu poderio e influência a decair em flecha - uma realidade bem satirizada na série da Netflix,

Au Service de la France(2015-2018).Em termos culturais, os franceses tiveram nos existencialistas e pós-modernistas o seu canto do cisne, por sua vez refletido no cinema daNouvelle vague.economia, a sua performance tem sido inferior à do Reino Unido, acompanhado o marasmo de uma Europa que se recusa a crescer desde 2008, sob o evidente predomínio alemão. Pois, mesmo em termos ideológicos, há muito que a UE deixou de se inspirar no humanismo iluminista, de raiz continental, para abraçar o ideal trans-humanista, com base no cientismo ecológico, cibernético e de pendor global.

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. Por fim, expandiu-se num dos maiores impérios coloniais da história, o qual só começou a ruir após a metrópole ter sido palco de duas guerras mundiais. Tudo isto é a França, ou era. Em 1920, a quantidade total de terras sob soberania francesa alcançou os 11.500.000 km2 (4.400.000 km2), com uma população de 110 milhões de pessoas, em 1936. No entanto, desde o pós-guerra que esta nação tem visto o seu poderio e influência a decair em flecha - uma realidade bem satirizada na série da Netflix, Au Service de la France (2015-2018). Em termos culturais, os franceses tiveram nos existencialistas e pós-modernistas o seu canto do cisne, por sua vez refletido no cinema da Nouvelle vague. economia , a sua performance tem sido inferior à do Reino Unido, acompanhado o marasmo de uma Europa que se recusa a crescer desde 2008, sob o evidente predomínio alemão. Pois, mesmo em termos ideológicos, há muito que a UE deixou de se inspirar no humanismo iluminista, de raiz continental, para abraçar o ideal trans-humanista, com base no cientismo ecológico, cibernético e de pendor global. Nos últimos 40 anos, os franceses tiveram aproximadamente duas décadas de governos socialistas, intercalados por uma amálgama de centro-direita que reclamava a vaga herança gaullista, a União por um Movimento Popular (UMP), e cinco anos de Macron, que não é carne nem peixe. No meio disto tudo, apareceu Sarkozy, o Presidente que voltou a colocar a França no centro das decisões europeias. Desafiou o predomínio alemão, sustentando uma união dos países mediterrânicos e reforçando o papel desses países na relação com o norte de África e o mundo árabe, enquanto defendeu uma exigente política de controlo fronteiriço e de combate à imigração ilegal. Não admira, portanto, que se tenha tornado o