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Líbano entalado entre o Hezbollah e as elites que o governam

Líbano entalado entre o Hezbollah e as elites que o governam

10/08/2020 03:36:00

Líbano entalado entre o Hezbollah e as elites que o governam

Crise política agrava-se com a demissão de dois ministros. Comunidade internacional e manifestantes coincidem na desconfiança a toda a classe dominante.

SubscreverNo sistema político libanês, baseado na representação religiosa, governos, eleições e demais repartição de poder nasce de uma teia de interesses comuns onde se privilegia a corrupção, tendo do seu lado o Hezbollah, o movimento político-religioso-militar financiado pelo Irão.

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"Aqui [no porto] os oligarcas e os chefes políticos e os seus financiadores dirigiam um dos maiores esquemas do Médio Oriente", disse um ex-funcionário dos serviços secretos libaneses aoGuardian."Financiou a podridão do Estado, ao mesmo tempo que o destruía."

O governo, não o regime, dá sinais de cair mais cedo do que tarde. Um dia depois do primeiro-ministro Hassan Diab ter anunciado que iria pedir eleições antecipadas, este reuniu-se com vários ministros para avaliar a situação, o que poderá passar pela sua demissão.

Entretanto dois ministros bateram com a porta neste domingo, o segundo dia consecutivo de confrontos entre as forças de segurança e manifestantes enfurecidos contra a classe política, acusada de negligência na explosão que devastou o porto de Beirute.

A primeira demissão ao nível governamental desde a explosão de terça-feira que deixou pelo menos 158 mortos, mais de 6 mil feridos e 300 mil pessoas sem casa foi da ministra da Informação, Manal Abdel Samad."Após a enorme catástrofe de Beirute, apresento minha demissão do governo", declarou a ministra."Peço desculpas aos libaneses, não soubemos responder às expectativas", explicou.

Horas mais tarde, foi o ministro do Meio Ambiente e Desenvolvimento Administrativo, Damianos Kattar, a seguir o mesmo caminho."Diante desta enorme catástrofe e de um regime estéril que falhou em diversas oportunidades, decidi apresentar a demissão do governo", anunciou Kattar em comunicado.

Da conferência de doadores organizada no domingo pela França e pelas Nações Unidas, saiu a promessa de ajuda de emergência avaliada em 253 milhões de euros."Devemos atuar rápido e com eficiência" para que a ajuda"chegue diretamente" ao povo libanês, garantiu neste domingo o presidente da França, Emmanuel Macron, no início da videoconferência internacional.

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Os doadores prometeram prestar ajuda de emergência, centrando-se no apoio médico e aos hospitais, escolas, alimentação e habitação e fazê-lo com a maior"transparência"."Os participantes concordaram que a sua assistência deve ser coordenada sob a égide das Nações Unidas e fornecida diretamente à população libanesa, com o máximo de eficácia e transparência", declararam os representantes de perto de 30 países, bem como da União Europeia, da Liga Árabe, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.

Mas este valor é um penso rápido, insuficiente para curar o Líbano da doença de que padece.Kristalina Georgieva, diretora do Fundo Monetário Internacional, não deixou margem para ambiguidades: um pacote financeiro de ajuda depende de reformas antes da entrada de dinheiro.

"As presentes e futuras gerações de libaneses não devem ser sobrecarregadas com mais dívidas do que alguma vez poderão pagar", disse Georgieva durante a conferência."O compromisso com estas reformas irá desbloquear milhares de milhões de dólares em benefício do povo libanês".

Enquanto isso a ajuda internacional continua a chegar ao Líbano. A França, que vai participar com 30 milhões de euros no fundo, está a organizar uma ponte aérea e marítima para entregar mais de 18 toneladas de ajuda médica e quase 700 toneladas de ajuda alimentar.

"Revolução!"Centenas de manifestantes juntaram-se na praça dos Mártires, mas foi numa rua junto ao Parlamento que manifestantes e polícias voltaram a medir forças, com pedras e objetos pirotécnicos de um lado e gás lacrimogéneo do outro. A palavra de ordem foi"Revolução, revolução!", enquanto nas redes sociais avisava-se:"Preparem as forcas, porque a nossa raiva não será extinta da noite para o dia."

Para aumentar mais a raiva em relação à classe dirigente, é a própria população a realizar as operações de limpeza, sem que o governo tenha tomado qualquer iniciativa.No sábado, milhares de libaneses reuniram-se na praça dos Mártires, brandindo vassouras e pás, e simulando o enforcamento dos líderes do país, incluindo o de Hassan Nasrallah, do movimento armado Hezbollah, que domina a vida política.

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Num momento que pode ser de viragem, uma multidão entoou um cântico a denunciar a natureza terrorista do Hezbollah, cujo líder nega quaisquer responsabilidades no sucedido.O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse que o movimento xiita não tem qualquer relação com o desastre.

© EPA/ Al-MANAR TVMas paira no ar uma imensa interrogação. Não falta quem junte peças soltas e veja no movimento pró-iraniano um ator na sombra. Vários relatórios indicam que a maioria das armas que chegam do Irão passavam pelo porto, e algumas lá ficariam armazenadas. E que a infraestrutura estaria sob o controlo não oficial do movimento.

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Macron quer resposta “rápida” da comunidade mundial: “O futuro do Líbano que está em jogo”Presidente francês quer liderar esforços internacionais de apoio a Beirute e pede actuação coordenada de países e organizações, numa videoconferência com líderes políticos de todo o mundo. É UMA grande incoerência desse globalista, a França esta largada aos mijos dos estrangeiros pelas esquinas da Champs-Élysées, um pais destroçado por manifestações violentas. AGORA ele quer ser protagonista de uma grande força para ajudar Beirute; e Paris fica aonde Não cuida nem da terra dele ! Os Rothschild já mandaram o lacaio saber como é !

Ministra da Informação do Líbano demite-seManal Abdel Samad apontou a explosão em Beirute e as falhas na implementação de reformas como motivos para a demissão.

Um sistema político inédito fez do Líbano o fracasso que é hojePartilha de poderes entre confissões religiosas para evitar o caos na sociedade fragmentada gerou sistema de compadrios e de corrupção endémica.

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Conferência de doadores para o Líbano marcada para as 12:00 de domingoA videoconferência é coorganizada pela ONU e pela França para angariar donativos após a explosão em Beirute .

Videoconferência de doadores decide ajuda ao LíbanoA videoconferência coorganizada pela ONU e pela França para angariar doadores para o Líbano, cuja capital Beirute foi devastada por uma explosão na terça-feira, está agendada para domingo. Há menos de 20km do Palácio do Planalto fica Ceilândia, o bairro mais afetado em Brasília pelo coronavírus. O governo federal nada faz para ajudar o governo local a salvar vidas lá, por coincidência , Ceilândia, é reduto de nordestinos como eu.