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Jair Messias Bolsonaro e a covid-19: o autoritarismo desconfinado

Ensaio: Jair Messias Bolsonaro e a covid-19: o autoritarismo desconfinado

28/05/2020 03:31:00

Ensaio: Jair Messias Bolsonaro e a covid-19: o autoritarismo desconfinado

Em poucas semanas, passamos de um populismo de extrema direita a um autoritarismo que não mais se esconde: “Sou eu quem manda”, assevera o Presidente Jair Messias Bolsonaro. O mini-Trump tropical se tornou um hiper-Trump, capaz de tudo, perigoso e i

, já que sua lealdade ao Presidente não chegava ao ponto de endossar a cloroquina e a água benta às quais se restringem o horizonte sanitário de Bolsonaro. Promovendo uma espécie de anti-confinamento político, sua própria presença pública passa a insuflar manifestamente uma ruptura constitucional. O coronavírus: eis a oportunidade! Em 19 de abril, em frente a um quartel militar em Brasília, ele galvaniza uma multidão de putschistas que exigem o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Na mesma noite, ele divulga nas mídias sociais um vídeo no qual o vemos confortavelmente acomodado num sofá no palácio presidencial, assistindo a um debate sobre um suposto um golpe que teria sido tramado pelo presidente da Câmara dos Deputados. A isso atribui a razão do seu contra-golpe de Estado preventivo, que aparece a seus olhos como a única solução possível em face ao

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establishmentpró-confinamento. Ele pode contar com as falanges da extrema direita que mimetizam nas redes sociais os críticos de esquerda ao denunciarem a política de confinamento como uma ditadura. Mesmo o mais básico dos direitos humanos, o de livre circulação, não seria mais respeitado. O espectro da Venezuela é invocado como um retrato do confinamento.

Espremendo-se entre as notas de protestos da sociedade civil que se cumulam, o capitão da reserva ameaça abertamente a ordem institucional: “estamos atingindo o limite”, diz ele. Sequer hesita em tomar um café no palácio presidencial em companhia do major Curió, notório assassino e torturador da ditadura. A

mise en scèneeleva a temperatura do drama quando, acompanhado de uma vintena de industriais, ele atravessa a pé a Praça dos Três Poderes para adentrar à Suprema Corte (Supremo Tribunal Federal) e intimar a seu presidente que levantasse imediatamente o confinamento.

Enquanto isso, Bolsonaro perde sua caução moral:Sérgio Moro, ministro da Justiça, renuncia. O ex-juiz, que havia sentenciado o presidente Lula à prisão e aberto o caminho para a eleição de Bolsonaro, recusa a tentativa de controlar a Polícia Federal (o equivalente ao FBI) ​​do Rio de Janeiro, que o Presidente pretendia lhe impor

(respectivamente vereador, deputado federal e senador). Encrenqueiros-fascistas como o pai, os três estão envolvidos em casos criminais relacionados ao submundo de milícias paramilitares e brigadas deagitpropna Internet. Para se proteger de um

impeachment, ele passou a se aproximar dos deputados e senadores do “Centrão”, formado por um conglomerado de partidos políticos conhecidos como “fisiológicos”, sem programa ideológico mas sempre prontos a barganhar.Assim como em Hamlet, há um método na loucura. Talvez seja porque de fato se saiba perdido que ele se permite todos os excessos, e acelera o passo em direção ao caos. Como protótipo de uma distopia realizada, o destino do Brasil indica, com toda a brutalidade, o que pode vir a ser o “mundo de amanhã”

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Partilhar citaçãoPartilhar no TwitterApós 500 dias de governo, a máscara finalmente caiu, revelando um projeto de caos coerente, consequente e bastante legível. Assim como em Hamlet, há um método na loucura. Destaquemos, no entanto, que ele mesmo não é louco, ainda que seus apoiadores e seus filhos pareçam por vezes alucinados. Em última análise, a pandemia apenas revelou e potencializou uma necropolítica sistemática. Bolsonaro sabe que um dia será acusado e sentenciado por “ecocídio” (a Amazônia em chamas), “populicídio” (a covid-19) e por “etnocídio”, até mesmo genocídio, porque se ele atualizar seu projeto de colonização da Amazônia, a destruição dos povos indígenas – se eles chegarem a sobrevier à covid-19 – será inevitável. Talvez seja porque de fato se saiba perdido que ele se permite todos os excessos, e acelera o passo em direção ao caos.

O melhor do Público no emailSubscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público.Subscrever×Porque a partir de então o caos se apresenta como o caminho mais seguro para uma ditadura que lhe permitiria restaurar a ordem que ele mesmo destruiu. O fato de que as forças armadas ainda não tenham se posicionado claramente, mesmo agora que temos quase a mesma quantidade de militares que de civis em seu governo e mais de 2500 dentre eles em cargos administrativos importantes, é, para dizer o mínimo, preocupante. Como um de seus filhos dissera, “com um cabo e um soldado”, fecha-se o Supremo Tribunal Federal. E com um apelo às armas e à desobediência civil contra a ‘ditadura’ do confinamento fomenta-se uma guerra civil. Nesse caso, estaríamos diante de um projeto de crise contínua, que poderia tornar-se autofágica. Se ele não se sustentar, seu vice-ministro, o general Hamilton Mourão, outro seguidor do “auto-golpe”

à laFujimori (Peru, 1992), assumiria a presidência. Poderíamos então esperar um governo interino, de extrema direita e autoritário, mas igualmente confrontado com a pandemia, agravada pela hiper-crise: uma condensação de todas as crises anteriores que se apresentam hoje como uma emergência humanitária. Como protótipo de uma distopia realizada, o destino do Brasil indica, com toda a brutalidade, o que pode vir a ser o “mundo de amanhã”.

Frédéric VandenbergheSociólogo, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ)Jean-François VéranAntropólogo, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ)

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Um grande fim de semana Perspectiva interessante 🧐 🤔🤔 Viajaram na maionese. Essa elocubração deve ter sido demorada.O texto saiu longo e cansativo. Repleto de inverdades. Percebe-se o esforço para convencer o leitor de 'tanta maldade'.Odiar com tanto fervor dá trabalho.. Matéria mentirosa que distorce completamente os fatos

Uma vergonha! Para quem não entende como funciona os 'três poderes' no Brasil acredita nessa militância da mídia com o pires na mão. O poder judiciário, STF, decidiu q é deus, essa é a ditadura q o Brasil vive e vcs nada falam. STFVergonhaNacional Autoritarismo Só se estiver a falar do partido comunista chinês...!

VictorMGabry olha que analise foda

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