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República Da Irlanda, Eleições

Esqueça tudo o que sabe sobre a Irlanda

Análise: Esqueça tudo o que sabe sobre a Irlanda

15/02/2020 09:26:00

Análise: Esqueça tudo o que sabe sobre a Irlanda

O “ Brexit ” pôs a História em movimento e deverá abrir a porta à reunificação irlandesa e selar o fim do Reino Unido .

Não viu o vento mudar, contra o“duopólio do poder” do Fianna Fáil e do Fine Gael, que durava desde a fundação da República. Mesmo assim, venceu. Explica o politólogo Jonathan Evershed, da Universidade de Cork: “Para os eleitores, o passado do Sinn Féin é muito menos importante do que as promessas sobre o futuro. Esta eleição representa uma tendência de longo prazo na política irlandesa.” Por outro lado,

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a restauração da partilha de poder em Belfast (Irlanda do Norte] terá ajudado à mudança de imagem do Sinn Féin.” É uma importante mudança simbólica, uma viragem de página na História.O Sinn Féin Ganhou as legislativas irlandesas de domingo com a estratégia errada. Temendo uma humilhação eleitoral, na sequência do seu fiasco nas europeias, apresentou apenas 42 candidatos (para 160 lugares)

Partilhar citaçãoPartilhar no TwitterPonto fulcral: já não podemos da “questão irlandesa” e da “questão escocesa” sem falar também da “questão inglesa”. O grande marco é o ano de 2016, em que os britânicos votaram tangencialmente a separação da União Europeia. Escoceses e norte-irlandeses (estes por estreita margem) votaram contra o “Brexit”. Esta fractura foi então assinalada mas depressa obscurecida pelo agressivo debate da “questão europeia”.

Nacionalismos cruzadosAs consequências manifestaram-se, em todo o seu esplendor, nas legislativas britânicas de 12 de Dezembro. Na Escócia, o SNP ganhava 48 dos 59 mandatos. No Parlamento de Londres, pela primeira vez, os republicanos norte-irlandeses têm mais um deputado do que os unionistas. Na Inglaterra, os conservadores de Boris arrasaram trabalhistas e liberais: os ingleses plebiscitaram o “Brexit”.

Resumiu a Reuters: “O resultado eleitoral foi celebrado como uma vitória dos nacionalismos, do inglês, do escocês e do irlandês – e pode selar o fim do Reino Unido.”Nessa noite, o mundo pareceu virado do avesso. Disse à BBC Mike Nesbitt, líder do Partido Unionista do Ulster, entre 2012 e 2017, radical adepto da união à Grã-Bretanha: “A grande ironia de tudo isto é que, durante décadas, os unionistas olhavam por cima do ombro e decidiram que os nacionalistas irlandeses eram a grande ameaça. De facto, [a ameaça] é o nacionalismo inglês.” Os unionistas queixam-se do “egoísmo” dos ingleses e as negociações com a UE convenceram-nos de que os seus interesses pouco pesam em Londres.

Já não podemos da “questão irlandesa” e da “questão escocesa” sem falar também da “questão inglesa”. O grande marco é o ano de 2016, em que os britânicos votaram tangencialmente a separação da União Europeia

Partilhar citaçãoPartilhar no TwitterLamentou a escocesa Jo Swinson, líder (demissionária) do Partido Liberal-Democrata: “Muitos vão celebrar a vaga de nacionalismo que está a varrer os dois lados da fronteira.” Nicola Sturgeon, líder do SNP e chefe do governo escocês, foi categórica: “Boris Johnson pode ter mandato para retirar a Inglaterra da União Europeia. Mas não tem, categoricamente, um mandato para retirar a Escócia da EU. Cabe à Escócia escolheu o seu futuro.”

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A coligação que sustentou o “Brexit” juntava velhos eurocépticos, liberais e nacionalistas ingleses, caso do UKIP, que era então o partido de Nigel Farage. O que interessa é que souberam apresentar o projecto como uma “libertação nacional”, um levantamento “para se libertar a nação do pesado jogo da União Europeia”, na fórmula do radical Jacob Rees-Mogg. Acontece que ou outros britânicos não pensavam da mesma forma nem exprimiam os mesmos interesses. O patriotismo britânico cedia passo ao nacionalismo inglês.

“Há aqui uma grande ironia”, escreveu o irlandês Finton O’Toole, colunista doIrish Times. “A Grã-Bretanha não é nem nunca foi um Estado-nação. Na maior parte da sua história enquanto Estado foi o coração, não de uma entidade nacional, mas de um vasto império multinacional e poliglota. E o próprio Reino Unido é a amálgama de quatro nações, Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Não existe um Reino Unido-nação anterior à UE para regressar a si mesmo. Não há um ‘povo’ unido a quem o poder seria devolvido.” A nação inglesa renascia através de um “Brexit” a que se opunham as outras três nações britânicas. Apela a

Economista “um retorno do nacionalismo inglês ao patriotismo britânico.”A mudança virá do NorteOs factores de mudança mais importantes podem vir da Irlanda do Norte. O primeiro é o demográfico. Pela primeira vez desde a “partilha” de 1921, os católicos são a primeira comunidade religiosa. Num país em que a identidade política era “sectária” é uma mudança de grande alcance. A religião deixa de ser fundamento da política. Os unionistas estão a perder a hegemonia eleitoral. Um segundo factor é o sistema de “partilha do poder” em Belfast, com governos de coligação de unionistas e republicanos. Contribuiu para a normalização das relações entre as duas comunidades.

O melhor do Público no emailSubscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público.Subscrever×Por fim, há uma lenta mudança de mentalidades, que o “Brexit” vai acelerar. Os cidadãos “protestantes” do Norte evocam uma tripla identidade: Ulster, Grã-Bretanha e Europa. Acabam de perder a Europa. Uma sondagem recente, realizada por uma instituição conservadora, indicava que uma curta maioria dos irlandeses do Norte votariam em referendo a favor da reunificação: 51% contra 49.

“Nenhum partido irlandês ou britânico, nem sequer o Sinn Féin, está seriamente interessado numa agenda de reunificação”, escreve Mary C. Murphy, também da Universidade de Cork. “Mas a questão começa provoca alguma mobilização na sociedade civil.”

Os Acordos da Sexta-feira Santa de 1998 abrem uma via para a reunificação: um referendo constitucional votado positivamente nas duas Irlandas. Ninguém se quer precipitar num processo muito complexo e arriscado. Nenhum referendo poderá ser legitimado por uma margem tangencial. Serão necessárias longas conversações. Mas o Norte começa a descobrir a sua incompatibilidade com a Inglaterra. Por isso, conclui Mary Murphy, “o ‘Brexit’ será o detonador de inesperadas conversações.”

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