Ciclo de violência repete-se em Ituri, na República Democrática do Congo - SIC Notícias

Ciclo de violência repete-se em Ituri, na República Democrática do Congo

25/01/2022 13:27:00

Ciclo de violência repete-se em Ituri, na República Democrática do Congo

Entre 1999 e 2003, o conflito intercomunitário em Ituri entre lendu e hema afetou dezenas de milhares de pessoas, até à intervenção de uma força europeia.

Na província de Ituri, aMédicos Sem Fronteiras(MSF) providencia apoio a quatro hospitais gerais de referenciamento, 12 centros de saúde, três postos de saúde e 32 pontos de cuidados comunitários nas zonas de saúde de Drodro, Nizi, Bambu e Angumu para a gestão de doenças pediátricas, desnutrição, malária, violência sexual e saúde mental.

Médicos Sem FronteirasEnormes necessidades de saúdeTal como Suzanne, mais de 40 mil pessoas viram-se forçadas nos últimos meses a procurar refúgio no campo de Rhoe, na área de saúde do estado de Blukwa, uma zona de difícil acesso e onde as organizações e agências humanitárias têm uma presença reduzida devido aos problemas recorrentes de segurança.

Consulte Mais informação: SIC Notícias »

A violência regressou à província pelos finais de 2017, sobretudo na zona Norte, no território de Djugu. Nesta região rica em ouro e petróleo, os grupos armados com mais significativa presença são as forças governamentais apoiadas por um contigente das Nações Unidas (MONUSCO) às quais se opõem forças não-estatais, a mais ativa sendo conhecida como CODECO. Alguns dos abusos cometidos, desde 2017, foram descritos como possíveis “crimes contra a humanidade” pela ONU em 2020. Na província de Ituri, a Médicos Sem Fronteiras (MSF) providencia apoio a quatro hospitais gerais de referenciamento, 12 centros de saúde, três postos de saúde e 32 pontos de cuidados comunitários nas zonas de saúde de Drodro, Nizi, Bambu e Angumu para a gestão de doenças pediátricas, desnutrição, malária, violência sexual e saúde mental. Médicos Sem Fronteiras Enormes necessidades de saúde Tal como Suzanne, mais de 40 mil pessoas viram-se forçadas nos últimos meses a procurar refúgio no campo de Rhoe, na área de saúde do estado de Blukwa, uma zona de difícil acesso e onde as organizações e agências humanitárias têm uma presença reduzida devido aos problemas recorrentes de segurança. “As pessoas têm vindo a enfrentar muitas dificuldades, o frio, a falta de abrigos e de latrinas. Os confrontos entre os grupos armados provocaram deslocações maciças de pessoas, incluindo profissionais médicos que, por isso, já não estão à cabeceira dos pacientes”, explica o médico Benjamin Dioza Safari, pediatra que trabalha com a MSF em Drodro. “As necessidades de saúde são enormes. Lançámos várias atividades para reforçar a nossa capacidade de resposta, especialmente para as crianças com menos de 15 anos”, precisa. Originalmente, o posto de saúde avançado instalado no campo de Rhoe destinava-se ao encaminhamento dos pacientes que precisassem de maiores cuidados para o hospital geral em Drodro, que se encontra mais bem equipado. Porém, devido aos confrontos recentes que destruíram partes de Drodro e forçaram as pessoas a procurar refúgio em Rhoe, as equipas da MSF transformaram aquela clínica num hospital de campanha, para poder providenciar assistência às mais de 65 mil pessoas que agora ali estão – um aumento de 40 mil pessoas em apenas dois meses. Nas últimas semanas de dezembro passado, as equipas da organização médico-humanitária fizeram uma média de mais de 800 consultas por semana, prestaram assistência em 35 partos e trataram várias dezenas de pacientes que precisavam de cuidados em saúde mental. Além disso, as equipas de promoção de saúde levaram a cabo sessões de sensibilização para a saúde no campo de Rhoe, com o objetivo de detetar casos de desnutrição aguda e de doenças com potencial epidémico, e prestaram informação sobre os serviços de apoio disponíveis para potenciais sobreviventes de violência sexual. Médicos Sem fronteiras Nenhum lugar para onde ir “Apesar de algumas pessoas já estarem a começar a regressar às suas casas, na calmia frágil e relativa que se observa há algumas semanas, as necessidades permanecem elevadas e o nosso acesso às populações é limitado”, aponta o coordenador do projeto da MSF em Drodro, Davide Occhipinti. “Não poderemos acompanhar estas pessoas até Drodro se não existirem garantias de segurança para os profissionais de saúde”, avança. Quem fica no campo de Rhoe “não tem para onde ir”, salienta ainda Davide Occhipinti. “As comunidades que combatem na região são negligenciadas há muito tempo e não podemos resolver os seus problemas com curativos e medicamentos. O Estado da República Democrática do Congo e seus parceiros internacionais têm de assumir a responsabilidade para reverter a dinâmica deste círculo vicioso que conduz a mais e mais mortes, feridos e deslocações das populações”, remata o coordenador de projeto MSF em Drodro. Médicos Sem Fronteiras