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Anna resgata comida do lixo para combater o desperdício

Os quilogramas de “comida perfeita” que encontrámos no caixote de lixo de um supermercado.

05/08/2020 01:09:00

Os quilogramas de “comida perfeita” que encontrámos no caixote de lixo de um supermercado.

Há “comida perfeita” a ser deitada fora pelos supermercados todos os dias. Anna Masiello resgata-a e partilha no Instagram . O dumpster diving é só uma das “muitas coisas novas” que Anna quer dizer — e fazer — para resolver o problema do desperdício.

. Foi lá que publicou a fotografia da primeira incursão ao lixo, no final de Janeiro de 2019. Anna surge deitada no chão do quarto ao lado de um quadrado de vegetais e frutas alinhados em riscas coloridas. “Acho que a parte visual, a arte em geral ou isto – ver as coisas de uma maneira mais bonita – ajuda as pessoas a perceber melhor o tema.”

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“Isto parece-vos lixo?”A experiência tinha sido uma “verdadeira montanha-russa”. Primeiro o “desconforto” de vasculhar no lixo, o medo de alguém as ver ali (foi Fran quem a desafiou e desde o início que vão em equipa), a hesitação em sujarem-se e depois perceberem que “não é sujidade, é só comida”. “Pegajosa, mas não nojenta.” E, a seguir, a “adrenalina” de sentirem que estão a salvar comida e a consegui-la de forma gratuita, a vontade de levar tudo e perceberem que não podem com o peso, o confronto com “a quantidade de comida que só um supermercado deita fora num dia”. Ver no lixo comida suficiente para alimentar quem dorme na rua. Ainda hoje, as emoções alternam entre o entusiasmo e a indignação. Mas também “esperança”.

Vera MoutinhoFotogaleriaVera Moutinho“Nunca me tinha apercebido do poder das redes sociais até isto ter acontecido.” Anna queria publicar uma fotografia que “pudesse chocar” e levar as pessoas a reagir. Na legenda, uma pergunta: “Isto parece-vos lixo?” Começou a receber gostos, partilhas, comentários, mensagens privadas. Vinham de pessoas “furiosas com o sistema”, com vontade de fazer o mesmo ou a sugerir soluções.

Dumpster DivingLuvas, sacos, mochilas e lanterna.Como fazer?Perceber se o supermercado escolhido deixa os contentores no passeio; falar com os funcionários para saber em que dias e horas colocam o lixo na rua; abrir os sacos com cuidado e ver o que está lá dentro; optar pelos alimentos com casca ou embalados e que possam ser cozinhados (por uma questão de higiene e segurança, Anna opta por não comer nada cru que tenha vindo do lixo); no final, arrumar todos os sacos de novo no contentor.

Como um frigorífico comunitário, onde os supermercados pudessem deixar os produtos que consideram que já não são comercializáveis mas que ainda estão bons para consumo. Ou uma aplicação móvel ou um site onde se anunciassem os dias em que os contentores são colocados na rua, tal como já acontece noutros países. Rebaixas mais aliciantes. Equipas de

dumpster diving. Ou a utilização de sacos diferenciados para os produtos alimentares, separados dos restantes resíduos. “Só vi um supermercado em Lisboa que põe etiquetas verdes nos sacos que têm comida boa para comer”, aponta Anna. Ideias não faltam.

“Já disse que qualquer dia faço-lhe companhia numa noitada destas.” Alice Estrela está sentada no chão da cozinha com Lucas, o filho de quatro anos, e um saco já cheio de comida. Quando Anna perguntou no Instagram se alguém queria ficar com parte dos alimentos que tinham recolhido naquela primeira noite, Alice foi uma das primeiras a responder ao apelo. “Vi a fotografia e só pensava: Conseguia fazer tanta comida daqui”, recorda. “Só os brócolos deram para fazer uma lasanha gigantesca, depois fiz esparregado e ainda guardei uns para a sopa.”

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Menos sacos plásticos, mais vendas avulsas: os hipermercados querem ser mais sustentáveisDesta vez, para delícia de Lucas, sobraram muitas bananas para um gelado caseiro. E muitos, muitos brinquedos, encontrados noutro contentor, já a caminho de casa. É um problema tudo isto ter vindo do lixo? “Estão impecáveis. Isto custa-me imenso porque, às vezes, vejo coisas até com pior aspecto no supermercado.” Alice faz questão de trazer sempre o filho porque quer “educar um consumidor muito diferente”. Quer que para ele seja natural comprar a granel, reduzir o desperdício, reutilizar, reciclar. Não “uma coisa que se faz porque é moda”, mas porque, acredita, não há outra solução para o planeta que não passe por uma mudança drástica nos hábitos de consumo.

O impacto das escolhasAo longo da manhã, o aroma doce das compotas domina a cozinha. Desde a primeira vez, que Anna e Fran tentam fazer dodumpster diving“um hábito”, ainda que não o façam todas as semanas. No dia seguinte, o ritual é quase sempre o mesmo: compõem tudo para uma nova fotografia, decidem o que cozinhar com o que recolheram e começam os preparativos.

Antes de se desmanchar o quadro sobre o soalho, contamos as unidades: há 113 itens na fotografia, entre produtos avulso e embalagens. Dias depois, haveremos de regressar ao mesmo supermercado para avaliar os preços e tentar estimar o valor do que foi recolhido. Só em bananas, devem estar mais de dez euros sobre a bancada da cozinha, mais quatro euros em tomate e nove euros em saladas embaladas. No total: cerca de 50 euros. E para estas contas não entram os objectos encontrados noutro contentor, já perto de casa (brinquedos, uns ténis, um pote de vidro, um suporte de especiarias, entre outros).

FotoNum tachinho, já se cozinham os morangos. “Não precisa de açúcar, água, nada”, garante Fran. Numa panela maior, a compota de pêra e maçã. Noutro, o molho de tomate para a massa do almoço. “É impossível pensar que isto estava no lixo ontem à noite, podia ter sido comprado agora no supermercado”, aponta Anna. As rodelas de alho-francês, cebola, pimento-vermelho e cogumelos estão prontos a ir ao forno. Assim como o

banana breadpara a sobremesa. “Vai ser um almoço completamente livre de plástico e de lixo, super sustentável e vegan.”O melhor do Público no emailSubscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público.

Subscrever×Anna é uma daquelas pessoas que não consegue ficar quieta muito tempo. Não dá para baixar os braços quando “há coisas muito pesadas a acontecer”. Lança-se em projectos e projectos e projectos. “Quero resolver muitos problemas”, ri-se. Acredita que a educação ambiental tradicional não tem sido capaz de mudar comportamentos. Por isso, procura novas abordagens, mais artísticas e descontraídas. Como a conta do Instagram ou os

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