'Anemia espacial', astronautas regressam à Terra com menos glóbulos vermelhos - SIC Notícias

“Anemia espacial”, astronautas regressam à Terra com menos glóbulos vermelhos

21/01/2022 16:11:00

“Anemia espacial”, astronautas regressam à Terra com menos glóbulos vermelhos

O corpo humano não evoluiu para viver no espaço e a prova disso está no nosso próprio sangue.

anemia espacialMas um novo estudo aponta, no entanto, paracorpo humano destrua mais 54% dos glóbulos vermelhos.Astronauta David Saint-Jacques recolhe amostras do ar da Estação Espacial Internacional / NASAMARROWQuando regressaram à Terra, 5 de 13 astronautas envolvidos no estudo (o 14º não deu uma amostra de sangue à chegada) estavam

Na Terra, o corpo humano cria e destrói 2 milhões de glóbulos vermelhos a cada segundo.. Os resultados foram idênticos tanto para astronautas masculinos e como femininos.A extrema importância dos glóbulos vermelhosA anemia causa, assim, cansaço, fraqueza física e tonturas, o que pode ser perigoso para os astronautas que frequentemente realizam tarefas que exigem concentração, precisão e boa condição física.

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Desde que a nossa espécie começou a passar longos períodos de tempo fora do nosso planeta, os cientistas têm detetado nos astronautas que regressam uma perda consistente de glóbulos vermelhos. A descoberta pode ter implicações complicadas para viagens espaciais de longo prazo, como uma ida a Marte. O fenómeno chama-se anemia espacial e é conhecido desde as primeiras missões espaciais- mas exatamente porque acontece tem sido um mistério. Alguns especialistas argumentam que a anemia espacial é apenas um fenómeno de curto prazo – uma breve compensação pelas mudanças de fluidos nos organismos humanos em microgravidade. Mas um novo estudo aponta, no entanto, para um mecanismo mais destrutivo e duradouro. Estar no espaço faz com que o corpo humano destrua mais 54% dos glóbulos vermelhos do que normalmente aconteceria na Terra e os efeitos persistem mesmo depois de os astronautas regressarem, de acordo com o estudo liderado por investigadores do Hospital de Ottawa e da Universidade de Ottawa em Ontário, no Canadá, publicado na revista Nature Medicine . “A anemia espacial tem sido consistentemente relatada quando os astronautas regressam à Terra desde as primeiras missões espaciais, mas não sabíamos por quê”, diz o autor do estudo Guy Trudel, médico de reabilitação e investigador do Hospital de Ottawa e professor da Universidade de Ottawa, em . “O nosso estudo mostra que, logo ao ir para o espaço, mais glóbulos vermelhos são destruídos [que na Terra], e [esse processo] continua durante toda a da missão do astronauta.” Astronauta David Saint-Jacques recolhe amostras do ar da Estação Espacial Internacional / NASA Experiência científica na Estação Espacial Internacional A investigação canadiana MARROW foi “lançada” para a Estação Espacial Internacional para explorar os efeitos de estadias no espaço nas nossas células sanguíneas. Têm sido recolhidas amostras do ar ambiente da Estação, da respiração e do sangue de 14 astronautas antes da sua estadia de seis meses, durante e até um ano após o voo espacial. Durante as suas missões, os astronautas recolheram amostras quatro vezes. Quando regressaram à Terra, 5 de 13 astronautas envolvidos no estudo (o 14º não deu uma amostra de sangue à chegada) estavam clinicamente anémicos : os níveis de glóbulos vermelhos no seu sangue e os da hemoglobina, componente que transporta o oxigénio, caíram tão baixo que outros tecidos dos seus organismos não estavam a receber oxigénio suficiente. Na Terra, o corpo humano cria e destrói 2 milhões de glóbulos vermelhos a cada segundo. Mas na Estação Espacial Internacional, os corpos dos astronautas estavam a destruir cerca de 3 milhões de células sanguíneas a cada segundo . Os resultados foram idênticos tanto para astronautas masculinos e como femininos. Já em Terra, os níveis de glóbulos vermelhos dos astronautas estudados voltaram ao normal após três ou quatro meses. No entanto, os seus organismos estavam a destruir cerca de 30% mais glóbulos vermelhos do que antes de irem para o espaço, o que sugere que as viagens espaciais provocam mudanças nos organismos humanos a longo prazo. A extrema importância dos glóbulos vermelhos Uma quebra nos números de glóbulos vermelhos é preocupante porque estas células especiais contêm uma proteína chamada hemoglobina que transporta o oxigénio dos pulmões para o resto do corpo. A falta de glóbulos vermelhos pode levar à anemia, uma condição em que o oxigénio não consegue atingir os tecidos do corpo, fazendo com que a pessoa se sinta cansada e fraca. A anemia causa, assim, cansaço, fraqueza física e tonturas, o que pode ser perigoso para os astronautas que frequentemente realizam tarefas que exigem concentração, precisão e boa condição física. Os resultados deste estudo vão ajudar a mitigar esses efeitos no espaço mas também ajudar a minimizar os efeitos da pouca atividade física em pessoas com mobilidade reduzida na Terra, sublinha a . Implicações potencialmente complicadas para viagens espaciais de longo prazo Os resultados deste estudo não trazem por isso boas notícias para viagens espaciais de longo prazo, mas os cientistas esperam poder obter ainda mais respostas para dar solução a este problema. O estudo não mediu a produção de glóbulos vermelhos, mas como nenhum astronauta sofreu anemia grave, apesar das perdas significativas destas células, os investigadores assumem que os organismos dos astronautas continuaram a produzir novas células sanguíneas enquanto estavam no espaço. Se tal for verdade, o que é necessário é adaptar as dietas dos astronautas porque um aumento da produção de glóbulos vermelhos requer nutrientes específicos uma vez que aumenta a pressão sobre a função da medula óssea, e isso requer um maior consumo de energia. Se os astronautas não estiverem devidamente protegidos, correm o risco de danificar o coração, os pulmões, os ossos, o cérebro e os músculos quando regressarem à Terra, especialmente em missões de longa duração. “Felizmente, ter menos glóbulos vermelhos no espaço não é um problema quando o corpo não tem peso”, diz Guy Trudel . “Mas ao pousar na Terra ou até noutros planetas ou luas, a anemia vai afetar a energia, resistência e força o que pode ser um risco para a missão. Os efeitos da anemia só são sentidos quando o corpo pousa e tem de lidar novamente com a gravidade”. A engenheira de voo Anne McClain na Estação Espacial com o equipamento biomédico para o estudo MARROW / NASA