Rtp, Notícias, Rtp Notícias

Rtp, Notícias

Alemanha. Os temas que marcaram a campanha eleitoral

25/09/2021 20:37:00

Das alterações climáticas à crise de refugiados, as últimas semanas ficaram marcadas pelo debate e mobilização dos cidadãos na reta final da campanha para as eleições alemãs. Leia aqui a reportagem da enviada especial da Antena 1.

viu-se de imediato nas sondagens. O candidato da CDU/CSU, que liderava as preferências, foi o que mais sentiu os efeitos políticos da catástrofe. Também porque as televisões o mostraram a rir-se, animadamente com outros colegas, atrás de Angela Merkel quando a chanceler falava aos jornalistas, em tom consternado, num dos locais mais atingidos.

Líder deposta Aung San Suu Kyi condenada a quatro anos de prisão As árvores mantêm realmente as cidades europeias mais frescas Criadora da vacina da AstraZeneca diz que futuras pandemias podem ser mais letais

A partir daí, Armin Laschet começou a descer nas sondagens e passou a ocupar o segundo lugar nas preferências dos eleitores.Mas curiosamente as mudanças no provável sentido de voto – que puseram o SPD deOlaf Scholz no primeiro lugar das sondagens – não beneficiaram Os Verdes

. O partido de Annalena Baerbock, que chegou a liderar as sondagens quando a líder de 40 anos foi escolhida para o representar nestas eleições, manteve-se no terceiro lugar das preferências dos eleitores.Luta contra as alterações climáticas: o grande tema destas eleições headtopics.com

Os analistas políticos na Alemanha dizem que fazer parte da onda verde não significa, necessariamente, votar nos Verdes. E isso parece ter sido confirmado nos últimos meses.Leonie Bremer, uma das mais conhecidas ativistas ambientais da Alemanha, diz que não reconhece, nos programas eleitorais dos partidos, uma preocupação concreta com as alterações climáticas.

“Os candidatos que querem ser chanceler… bem é… é horrível” – refere, num sentido tom de desilusão. “Temos Os Verdes e possivelmente são os menos maus, mas nem eles têm um plano, não estão em linha com o acordo de Paris, mas dizem que são os verdes”.

Leonie Bremer, admite que as cheias tiveram um impacto nas sondagens e terão algum impacto nos votos, mas não esconde a revolta:“Algumas pessoas estão a agora a acordar e as cheias tiveram um impacto nos votos e nos partidos, vimos isso de forma clara. Mas, não sei… é mesmo preciso que isto aconteça para que as pessoas acordem?”, questiona.

A jovem, de 24 anos, define-se como “uma ativista”, e assume orgulhosamente que participa efusivamente nas iniciativas organizadas pela, como a das greves climáticas.“Sim, faço greve pelaFridays for Future, e também faço parte de organizações nacionais e internacionais”, refere a jovem. headtopics.com

Marsà na comitiva do Sporting: a lista de convocados para o jogo com o Ajax Em Janeiro, a garantia de compra de bens passa de dois para três anos Jogadores do Sporting com testes negativos à Covid-19

Fomos encontrá-la na Universidade de Colónia, onde se está a especializar em tecnologias das energias renováveis, o que reflete a sua preocupação com o planeta.“Não estou preocupada com o futuro estou preocupada com o agora, com o presente. Claro que com o futuro também, mas hoje já temos catástrofes quase todos os dias, pessoas que morrem todos os dias e várias injustiças diárias. E é contra isso que eu luto”

, afirma.A ativista de 24 anos vai marcar presença na cimeira de Glasgow, a nova cimeira do clima organizada pela ONU e que vai decorrer entre 31 de outubro a 12 de novembro.Garante que se as cimeiras são importantes, mas defende que a luta diária e organizada nas ruas é fundamental e faz a diferença:

“Basta ver quantas pessoas agora estão a falar sobre isto, o número de pessoas que se junta quando estamos em greve. Fizemos com que os cientistas finalmente fossem ouvidos. Estamos a trazer isto para as ruas por isso as pessoas não podem continuar a ignorá-los”, argumenta. 

Debater, analisar e organizar cimeiras é fundamental para os ativistas climáticos. Mas fazer-se ouvir, nas ruas, é essencial.Dois dias antes das eleições, numa sexta feira em que a chuva ameaçou mostrar-se,foram mais de 100 mil as pessoas que se juntaram junto ao Parlamento alemão headtopics.com

. Quiseram deixar bem claro que exigem mudanças imediatas nas politicas sobre o clima.Contaram com a presença da ativista sueca Greta Thunberg, que renovou o apelo à mobilização geral.“Vão votar, é preciso votar, mas isso só não chega. Temos de continuar a ir para as ruas”, enfatiza a jovem ativista.

Num discurso que pouco mais durou que cinco minutos, a jovem sueca recordou que a Alemanha é o quarto emissor mundial de dióxido de carbono. Motivou aplausos e entusiamos de pessoas de todas as idades.A manifestação decorreu perto do local onde sete jovens ativistas alemães estão em greve de fome pelo clima.

Espanhóis avançam que Ansu Fati vai desfalcar o Barcelona para a 'final' com Bayern Munique GNR e autoridades espanholas perseguem barco com droga em alto mar. Duas toneladas de haxixe apreendidas Vídeo mostra perseguição a barco com droga em Espanha com o apoio da GNR

Lia Bonasera juntou-se aos protestos.“O meu nome é Lia Bonasera tenho 24 anos e estou no quarto dia de greve de fome”, diz-nos.Lia recebe-nos junto ao acampamento. Tem nas mãos uma garrafa com água e fala num tom sério e controlado. Mas já se nota uma expressão de cansaço no rosto, e na voz. Dois dos colegas de protesto, que estão há várias semanas sem comer, já tiveram mesmo que ser hospitalizados.

O grupo quer ser ouvido pelos candidatos dos três principais partidos. Exigem que quem suceder a Angela Merkel crie um comité de cidadãos, que represente toda a sociedade e desenvolva medidas de proteção do ambiente.“Percebemos que os políticos nos ignoram há mais de 25 dias. Foi por isso que me juntei à greve de fome porque a ignorância política deles não pode ser maior que a nossa determinação, que o deve ser feito pelo clima", sublinha.

O Governo de Angela Merkel já pediu a estes jovens que não coloquem a saúde em risco. Alguns estão sem comer desde o dia 30 de agosto. Mas os apelos parece que não resultam: um dos manifestantes, que precisou de assistência médica, voltou a juntar-se à greve de fome assim que conseguiu deixar o hospital.

“Penso que a questão climática é o assunto em que devemos pensar agora”, reforça Lia Boanasera. ”Estamos a caminho de um aumento da temperatura em dois graus na Alemanha, aqui já não vamos cumprir o objetivo de não ultrapassar um aumento de temperatura global de 1,5 graus”.

Embora os manifestantes não o admitam, ou pelo menos não o reconheçam, a questão ambiental foitema de campanha de todos os partidos políticos. Todos admitem que é fundamental diminuir as emissões mas a União Democrata-Cristã (CDU) e o Partido Liberal Democrata (FDP), defendem que isso de faça com o cuidado de não prejudicar a economia. Os Verdes defendem abertamente um acelerar das medidas que permitam combater as alterações climáticas.

A politica de refugiados: uma questão latente num país que aprendeu a acolherA frase “Vamos Conseguir” que Angela Merkel disse, em 2015, quando decidiu abrir as portas do país a um elevado número elevado de refugiados –mais de um milhão e meio de pessoas pediu asilo na Alemanha entre 2015 e 2019

– marcou definitivamente o mandato da mulher que liderou os destinos do país durante a onda migratória que se acentuou com a guerra na Síria.Uma decisão que lhe valeu o aplauso de muitos e o reconhecimento internacional, mas também a fúria de muitos outros.

O terceiro lugar do partido de extrema direita nas últimas eleições, em 2017 – cenário que agora não está previsto em nenhuma das sondagens publicadas nas últimas semanas – fica em muito a dever-se à forma como o AfD (Alternativa para a Alemanha) aproveitou a insatisfação de um parte da população com a decisão da chanceler.

A Alemanha é o país com a quinta maior população de refugiados do mundo. E se hoje parece haver mais conhecimento e compreensão, há seis anos, quando muitos começaram a chegar o cenário era bem diferente. Foi por isso que,

em Hamburgo, nasceu uma rádio feita por refugiados: aRefugee Radio Network.“Percebemos que muitas pessoas não tinham a menor ideia do que se passava em Lampedusa, em Itália ou noutro sítio qualquer. Por outro lado, a narrativa dosmedia

nesse tempo, em 2013, sobre os refugiados era muito negativa. Dissemos para nós mesmos: Ok, temos um problema. As pessoas não entendem porque estamos aqui e temos que contar a nossa história”.É assim que Larry Macaulay, um dos fundadores, descreve as razões para começar a rádio. Ao princípio eram apenas 4 as vozes deste projeto. Todos eles eram refugiados na Alemanha

“Eu vim da guerra da Líbia em 2011. Cheguei a Itália. Eu estudei, tinha um negócio com sucesso, antes de vir para cá, que foi totalmente destruído na guerra. Mas eu estava motivado para seguir em frente”.Com o tempo o projeto cresceu. A Refugee Radio Network fez parcerias com rádios comunitárias e nacionais e reforçou a plataforma

online. Passou a ter espaço em mais antenas, a chegar a mais pessoas. Larry admite que se tornaram um elemento essencial do processo de integração. Passaram a reunir com as autoridades, a ser consultados no processo de definição de politicas e procedimentos de acolhimento.

“Estamos aqui também para guiar quem chega pela primeira vez. Na Europa há um sistema legal. Explicamos que sim, que é muito diferente da sociedade que deixam para trás mas que têm que seguir os procedimentos. É assim que organizações como a nossa trabalha com quem chega ao país”.

A rádio passou a ser um ponto de encontro, de informação, de divulgação de iniciativas e de espaço de convívio.Larry Macaulay, em conversa com a Antena 1, admite que a forma como as pessoas olham para os refugiados mudou

"Para mim a sociedade alemã é uma sociedade muito aberta. E estamos em Hamburgo uma cidade muito progressista. Quando o fluxo migratório começou, Angela Merkel teve uma posição muto firme. Claro que criou um caos político para ela própria, mas foi muito firme”, refere.

O tema não foi tão discutido nesta campanha como na de há quatro anos. Mas quando se admite que a situação no Afeganistão pode criar uma nova onda de refugiados, a questão passou a ser mais discutida.Em frente a Brandenburger Tor, um dos locais mais turísticos da cidade de Berlim, Briggita Hahn, ajuda a organizar uma

manifestação em apoio às mulheres afegãs.A ativista, da organização de direitos humanos "Terres de Femmes", com sede na capital alemã, distribui informação enquanto no palco se preparam as condições para os discursos da tarde.

“O Governo alemão aprovou a retirada de refugiados do Afeganistão e houve uma grande operação de evacuação, mas ainda há muita gente à espera para sair do país” diz Briggita. “Este é um assunto ainda muito importante”.

Os refugiados na Alemanha consideram que ainda não estão suficientemente representados nas instituições do país.Na corrida a um dos lugares no Parlamento é possível um refugiado iraniano, Shoan Vaisi, que concorre pelo partido de esquerda Die Linke.

Com a Europa a querer evitar uma segunda onda de refugiados, como a de 2015, organizações como a Terres de Fammes querem mostrar que o terror e o medo deles é maior que o receio dos alemãs em ver chegar mais refugiados.“Penso que a sociedade germânica está aberta a acolher pessoas com necessidades humanitárias” diz Briggita Hahn. “Acho que ainda há algum medo de que muitos refugiados possam de novo chegar, mas a situação agora é diferente da que foi com a guerra da Síria”, acrescenta.

A situação até pode ser diferente, mas quem chega tem os mesmos problemas. Antes de mais precisa de resolver a situação legal, pedir asilo ou proteção internacional e conseguir autorização de residência.

Nem sempre é fácil perceber os caminhos que é preciso seguir. Nem fácil nem economicamente acessível para muitos. E para ajudar nesta tarefa,vários estudantes de Direito decidiram criar um gabinete onde ajudam os refugiados e os migrantes a perceber o que precisam de fazer para legalizar a situação.

NaRefugee Law Clinic de Colónia(há outros gabinetes semelhantes nas Universidades de outras cidades alemãs), o espaço funciona no quinto andar de um prédio numa rua recatada da cidade.Benjamin Rasidovic, o vice-presidente da organização recebe-nos acompanhado por Joana Kadri, que precisou de ajuda para não ser deportada para a Albânia.

“Não era uma coisa boa para mim, como jovem mulher, regressar ao meu país outra vez, começar os meus estudos outra vez porque deixei os meus estudos para lá vir com a minha família para aqui” conta-nos Joana. “Regressar e começar de novo um país como a Albânia é muito difícil”, refere.

Benjamin explica-nos o objetivo desta associação: “Nem toda a informação está acessível gratuitamente e se alguém não sabe quem contactar ou onde encontrar informação, a primeira ideia é contactar um advogado que têm sempre custos”

Os estudantes desta associação não podem defender quem precisa de ajuda em tribunal mas trabalham com alguns advogados que também gostam de ajudar nestes casos.Contam também com a colaboração de tradutores especializados, se for necessário, mas há estudantes de outas áreas que ajudam quando a língua é uma barreira.

“Somos uma associação com 500 membros – refere Bejamin Rasidovic – e muitos falam muitas outras línguas por causa da família a que pertencem”.Nesta associação há vários casos que terminaram com um final feliz. O de Joana Kadri é um deles: “Comecei uma nova vida na Alemanha. Estou a estudar e a trabalhar em Colónia, e como estou com minha família sinto-me em casa", conclui.

Consulte Mais informação: RTPNotícias »

O Futuro do PSD

Escolhemos seis questões que determinam o futuro do PSD e sobre elas questionámos os dois candidatos a presidente do partido, que será eleito a 27 de Novembro

Podem os homens que têm tanto medo das mulheres governar o Afeganistão?A Arábia Saudita espalhou por todo o mundo muçulmano os seus pregadores e as suas escolas de difusão do wahabismo sunita, a versão mais fundamentalista e retrógrada do islão. O que é que causa mais impressão, atravessar uma ponte, ou um túnel escuro...?! Deragnu

José Mourinho: «Os primeiros 35 minutos foram os melhores esta temporada»Treinador da Roma elogiou a exibição da sua equipa na primeira parte no triunfo sobre a Udinese

Embaixador da Alemanha em Portugal diz que as relações entre os países são “sólidas e repletas de oportunidades”Em vésperas de eleições no seu país, Martin Ney garante que o futuro governo alemão, manterá os “interesses comuns” que unem os dois países. Sublinha também que todos os partidos com hipóteses de chegar ao poder “são europeus convictos”

Fernando Medina versus Carlos Moedas. O que os une e o que os separaSe for em termos de ideal, os dois principais candidatos à liderança da câmara defendem uma cidade mais humana, sustentável e ecológica. Mas as propostas concretas para chegar lá é que mais os diferenciam.

“Desmistificando: ‘As eólicas fazem aumentar os preços da eletricidade’”As renováveis, como a eólica e a solar, são intermitentes, produzindo ao ritmo da natureza e não dos consumos

Os primeiros da nossa espécie na Europa enfrentaram climas muito friosCientista portuguesa ajudou a desvendar quais as temperaturas que os primeiros grupos de Homo sapiens na Europa tiveram de enfrentar há mais de 45 mil anos.