A Cimeira da NATO e o “regresso da América”

A Cimeira da NATO e o “regresso da América”

18/06/2021 02:16:00

A Cimeira da NATO e o “regresso da América”

É bom sublinhar que a NATO é um projeto geopolítico, e é nesses termos que deve ser vista e as suas ações interpretadas. É inútil tentar vê-la de outro modo.

Como se alguma vez tivesse saído de cena, é agora anunciado o “regresso da América” (America is back), um alegado regresso destinado a restaurar o projeto de supremacia global, que teria sido posto de parte durante a Administração do presidente Donald Trump.

Islândia. Vulcão Fagradalsfjali entrou de novo em erupção Nível do mar continua a subir a ritmo alarmante, alerta relatório Koeman lê comunicado e abandona sala de imprensa: «Na Champions não se podem esperar milagres»

A NATO, assim como o G7 e outros fora, serve esse propósito hegemónico. Como se tratasse de um clube, insere-senuma forma de multilateralismo, na qual os Estados europeus são atores secundários, subordinados a um projeto dominante que colide com o seu próprio projeto, que pugna por tornar a União Europeia um verdadeiro ator geopolítico, dotado de autonomia estratégica, inicialmente concebida apenas no domínio da segurança e defesa, mas que se alarga hoje a outros domínios.

O segundo tema prende-se com a importância atribuída à China. Enquanto a Rússia e o terrorismo foram apresentados como ameaças diretas à segurança da Aliança, a China foi objeto de considerações menos assertivas. O aumento da sua influência internacional e das suas políticas externas “podem apresentar desafios que necessitaremos de encarar conjuntamente como uma Aliança”. headtopics.com

Note-se que foi apresentada como um desafio e não como uma ameaça. Para isso terão contribuído os UE-3 (Alemanha, França e Itália) que não querem ser arrastados para uma Guerra Fria contra a China, por não considerarem Beijing uma ameaça militar à Europa. Terá ficado claro na Cimeira não existirem garantias de se conseguir constituir uma aliança ocidental contra a China. Afinal, a relação da Europa com a China não se limita a assuntos de segurança e defesa.

O terceiro tema tem a ver com a mimetização da linguagem empregue por Washington no comunicado final da Cimeira, que nos apresenta a Aliança como um “soldado” no combate travado pelas democracias contra as potências autoritárias. Ora, apresentar as relações entre Estados, grandes potências em particular, como lutas maniqueístas do bem contra o mal, além de ser simplista é perigosa, porque está longe daquilo que verdadeiramente motiva a ação dos Estados na cena internacional.

Pode tentar-se, com essa abordagem, fingir que não se atribuiu importância à geopolítica, mas essa postura não passa de uma diversão, porque em última análise o que motiva e explica o comportamento das grandes potências na arena internacional é o poder, e não as cruzadas éticas para instaurar a democracia.

Consulte Mais informação: Jornal Económico »

Berlim retira da Lituânia um pelotão da NATO acusado de racismoO conjunto do pelotão, um total de 30 soldados, 'será repatriado com caráter imediato' na quinta-feira

Alemanha retira da Lituânia pelotão em missão da NATO: soldados acusados de comportamentos extremistas. “Absolutamente vergonhoso”Vários soldados são suspeitos de bullying, ameaça de violência, filmagem de agressão sexual contra outro soldado e entoação de canções antissemitas

Euro. Bélgica, Países Baixos ou Áustria na rota dos oitavosDia do regresso aos relvados da Dinamarca, depois do drama vivido com Christian Eriksen.

Cimeira da CPLP em Luanda vai realizar-se de forma presencialAngola assumirá oficialmente a presidência da CPLP durante a cimeira de chefes de Estado e de Governo agendada para 16 e 17 de julho, em Luanda, sucedendo a Cabo Verde, que teve o seu mandato prolongado por mais um ano devido à pandemia da covid-19.

Tensão entre repórteres dos EUA e Rússia no início da cimeira Biden-PutinVeja os vídeos

Porta voz de Vladimir Putin alerta que cimeira de Genebra 'não vai ser fácil'Dmitry Peskov, porta-voz do Presidente russo disse, a poucas horas da cimeira entre a Rússia e os Estados Unidos, em Genebra, que os pontos da agenda 'são muito problemáticos'.