Volume de reservatórios que abastecem Grande SP aumenta com chuvas de verão, mas cenário não é confortável, diz especialista

Sabesp afirma que não há risco de desabastecimento #g1

22/01/2022 19:00:00

Sabesp afirma que não há risco de desabastecimento g1

De acordo com professor da USP, seria necessário chuvas acima da média para garantir abastecimento na estiagem, de março a outubro. Sabesp afirma que não há risco de desabastecimento.

Desta forma, o cenário atual se aproxima mais dos 24,2% que o Cantareira tinha em 21 de abril de 2014, ano em que faltou casas da região metropolitana tiveram de lidar com o desabastecimento. A análise é do professor do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Luiz Côrtes.

A situação é semelhante no reservatório Alto Tietê, que abastece 4,7 milhões de pessoas na região metropolitana. Nesta sexta-feira (21), o Alto Tietê opera com 48,9%. No mesmo dia do ano passado, ele operava com 57,3%, em 2020, com 84,3% e em 2014, 45,7%. Ou seja, o volume atual também se aproxima mais daquele verificado em 2014, ano da crise hídrica.

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Vista da Represa do Cantareira, localizada na cidade de Piracaia, no interior de São Paulo, na tarde do domingo, 13 de junho de 2021. O Sistema Cantareira está em nível de alerta, com baixo volume de água. Com o fim do período das chuvas, a recomendação dos especialistas é para a população economizar água — Foto: LUCIANO CLAUDINO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO Os reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo aumentaram o volume de água armazenada com as chuvas de verão das últimas semanas, mas a recuperação pode não ser suficiente para garantir o abastecimento de água nos meses de estiagem e, de acordo com especialistas, ainda pode faltar água nas casas neste ano. A Sabesp nega que haja risco de desabastecimento (leia nota abaixo). A situação mais preocupante é a do Sistema Cantareira, que abastece 6,9 milhões de pessoas. Nesta sexta-feira (21), o Cantareira opera com 30,2% de seu volume. No mesmo dia do ano passado, esse número era 42,1%. Em 2020, 45,2%. Desta forma, o cenário atual se aproxima mais dos 24,2% que o Cantareira tinha em 21 de abril de 2014, ano em que faltou casas da região metropolitana tiveram de lidar com o desabastecimento. A análise é do professor do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Luiz Côrtes. “Hoje ‘celebramos’ o fato de o Cantareira estar com pouco mais de 30% de seu volume, mas estamos bem abaixo do que seria esperado para esta época do ano. Isso mostra a gravidade da situação hídrica, especialmente diante de um cenário que aponta para um volume de chuvas abaixo da média em todo o verão", afirma. De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), para o volume do Cantareira ser considerado normal, precisa ter pelo menos 60% de seu armazenamento. A situação é semelhante no reservatório Alto Tietê, que abastece 4,7 milhões de pessoas na região metropolitana. Nesta sexta-feira (21), o Alto Tietê opera com 48,9%. No mesmo dia do ano passado, ele operava com 57,3%, em 2020, com 84,3% e em 2014, 45,7%. Ou seja, o volume atual também se aproxima mais daquele verificado em 2014, ano da crise hídrica. O Guarapiranga, que abastece 4,8 milhões de pessoas, foi o manancial que mais se beneficiou das chuvas das últimas semanas e apresentou recuperação mais vigorosa. Nesta sexta, ele opera com 73,7%. No mesmo dia de 2021, eram 68,7%. Em 21 de abril de 2020, eram 77,7% e em 2014, 66,2%. Os dados são da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) que, em nota, afirma que não há risco de desabastecimento neste momento na região metropolitana de São Paulo, mas reforça a necessidade de uso consciente da água. De acordo com a companhia, as projeções são de aumento no nível dos reservatórios em janeiro e fevereiro, meses com maiores médias históricas de chuvas. Leia a nota completa abaixo. Previsão de menos chuvas Apesar de o Cantareira ter apresentado ligeira recuperação em janeiro por causa das chuvas, a situação não deve se repetir nos meses seguintes, de acordo com prognósticos climáticos analisados por Côrtes. “Embora a primeira quinzena de janeiro tenha apresentado um volume considerável de chuvas sobre o Sistema Cantareira, deveremos fechar este mês com chuvas em torno da média. A tendência de redução no volume de chuvas se mantém para os meses de fevereiro e março, reafirmando o prognóstico de que o total de chuvas no Sistema Cantareira, durante todo o verão, deverá ficar abaixo da média.” Segundo o pesquisador, o Cantareira precisa de chuvas além da média para recuperar o volume de água suficiente para garantir o abastecimento da população. “Precisaríamos de chuvas bem acima da média para que o sistema se recuperasse plenamente e garantisse tranquilidade durante o período de estiagem [final de março até final de outubro]”, afirma Côrtes. De acordo com a última projeção do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), se as chuvas se mantivessem dentro da média, chegaríamos a abril com 48% no Cantareira. Porém, o prognóstico é o de que as chuvas fiquem 25% abaixo da média, e o mais provável é que cheguemos a abril com 34% de armazenamento no reservatório (veja no gráfico). Projeção do Cemaden aponta a possibilidade de o Sistema Cantareira chegar a abril com 34% de sua capacidade caso as chuvas sejam 25% abaixo da média — Foto: Reprodução/Cemaden O problema de chegar a abril com 34% é que o consumo de água durante o período de estiagem fica entre 20% e 30%, de acordo com Côrtes. “Considerando as simulações do Cemaden e os prognósticos climáticos, existe a possibilidade de fecharmos o mês de abril – já no período de estiagem – com um volume pouco superior a 30%, no máximo. Em se configurando essa situação, isso seria muito ruim. Normalmente, durante o período de estiagem, consumimos entre 20% e 30% do volume do Cantareira. Nesse caso, estaríamos operando com um baixíssimo nível de segurança hídrica.” O que diz a Sabesp "A Sabesp informa que não há risco de desabastecimento neste momento na Região Metropolitana de São Paulo, mas reforça a necessidade de uso consciente da água. As projeções são de aumento no nível dos reservatórios em janeiro e fevereiro, meses com maiores médias históricas de chuvas. O Cantareira é um dos sistemas produtores, dentro do Sistema Integrado composto por 7 mananciais. Desde a crise hídrica, os investimentos da Companhia tornaram mais robusto e flexível o Sistema Integrado (sendo possível abastecer áreas diferentes com mais de um sistema), entre eles o novo sistema São Lourenço, com investimentos de R$ 2,21 bilhões, e a interligação da bacia do Paraíba do Sul com o Cantareira, no valor de R$ 555 milhões. A interligação do rio Itapanhaú, obra de R$ 111,58 milhões em andamento, inicia operação no primeiro semestre. Um conjunto de medidas vem sendo adotado para a segurança hídrica: integração do sistema (com transferências de água entre regiões), ampliação da infraestrutura e gestão da pressão noturna para redução de perdas na rede. Não há racionamento na Grande São Paulo nem em nenhum dos 375 municípios operados pela Sabesp no Estado. Conforme já informado anteriormente a este portal, a gestão da pressão noturna é realizada pela Sabesp desde a década de 90, uma prática mundial recomendada pela Comissão Europeia. As informações sobre a gestão da pressão noturna estão públicas e disponíveis no site da Sabesp . INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES Ao longo dos anos, a Sabesp vem atuando em três frentes, visando à segurança hídrica: - Ampliação da infraestrutura, com destaque para a interligação Jaguari-Atibainha (que traz água da bacia do Rio Paraíba do Sul para o Cantareira) e o novo sistema produtor São Lourenço, ambos entregues em 2018. Estão ainda em andamento obras como a interligação do rio Itapanhaú, que inicia operação no primeiro semestre de 2022. - Redução de perdas na distribuição, que se refletiu na queda do índice de perdas totais em sua área atendida de 41% em 2004 para 27% em 2020, abaixo da média nacional: 39,2% (SNIS; 2019). - Consumo consciente, por meio de campanhas permanentes." Déficit de chuvas no Cantareira nos últimos 12 meses é de 31%, número é igual ao de 2013, ano pré-crise hídrica VÍDEOS: saiba tudo sobre São Paulo e região metropolitana 8 vídeos