USP comemora produção de mil ventiladores pulmonares de emergência e anuncia criação de Centro de Engenharia da Vida

Respirador 'Inspire' alcançou 219 hospitais em 16 estados do Brasil #g1 #Covid #USP

30/11/2021 04:30:00

Respirador 'Inspire' alcançou 219 hospitais em 16 estados do Brasil g1 Covid USP

Respirador 'Inspire' alcançou 219 hospitais em 16 estados do Brasil. Novo núcleo pretende produzir mais equipamentos de saúde com a manutenção do trabalho interdisciplinar, com apoio da iniciativa privada e conectada com a sociedade civil.

A Universidade de São Paulo (USP) anunciou nesta segunda-feira (29) que bateu a marca de mil ventiladores pulmonares para uso em emergências produzidos e que está criando um novo núcleo, o Centro de Engenharia da Vida, para dar continuidade ao trabalho multidisciplinar na produção de outros equipamentos de saúde.

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Em março do ano passado, no início da pandemia do coronavírus, um grupo de pesquisadores, estudantes e representantes da iniciativa privada se articulou no desenvolvimento do respirador, batizado de "Inspire", cujos diferenciais estavam na portabilidade, na capacidade de produção em até duas horas e no custo 15 vezes mais barato em relação aos aparelhos disponíveis no mercado (leia mais abaixo).

Um ano e oito meses depois, a força-tarefa contou com o envolvimento de mais de 300 pessoas, os equipamentos alcançaram 219 hospitais em 16 estados do Brasil, e mil respiradores foram produzidos. USP cria respirador mais barato e prático headtopics.com

"Esse conhecimento estava acumulado na USP e foi transferido para o Inspire. Já tínhamos conhecimento, capacidade de programação, componentes, pneumologistas, fisioterapeutas, enfermeiros de UTI, e isso tinha que ser aproveitado", disse o professor Raul González Lima, especialista em Engenharia Biomédica e idealizador do aparelho.

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Para celebrar a marca, os pesquisadores estão criando um novo centro de estudos, que deve ser inicialmente coordenado pela Poli, mas com a proposta de manter a comunicação direta entre as faculdades de Medicina, Medicina Veterinária, Odontologia e Direito para novos projetos.

"A ideia agora é de que o Centro de Engenharia da Vida continue a reunir as diversas competências, com participação efetiva da Poli, mas que seja da Universidade de São Paulo, dos pesquisadores das diversas faculdades, para interação com organizações como a Fapesp, com as secretarias de Estado, com a sociedade civil. Queremos sinalizar que não paramos nos mil aparelhos e que este foi só o primeiro degrau", disse a professora Liedi Bernucci, diretora da Escola Politécnica da USP.

De acordo com os pesquisadores ouvidos pelo g1 já existem diversos projetos para o Centro de Engenharia da Vida, em diversos estágios de desenvolvimento, como um oxímetro, máscaras e capacetes de ventilação, e tomografias portáteis não ionizantes. headtopics.com

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A proposta também é de manutenção das relações com a iniciativa privada, que foram fundamentais para a produção do Inspire. Os pesquisadores estão em diálogo com a indústria, que, segundo eles, recebeu bem o projeto, como a Ambev, a Volkswagen, a Votorantim e a Klabin.

"Temos diversos núcleos multidisciplinares na USP, inclusive com suporte da iniciativa privada, mas a pandemia implodiu de vez a ideia da universidade em uma torre de marfim", disse o professor Marcelo Zuffo", um dos coordenadores do projeto Inspire. "A rede de colaboração foi sem precedentes e estabeleceu um novo patamar de relação com a sociedade. Este é um núcleo que nasce de baixo pra cima", completou.

Respirador pulmonar desenvolvido pela Poli USP foi aprovado em avaliações técnicas e em testes com humanos e animais — Foto: Reprodução/Poli USPHistórico e planos para o InspireO professor Raul González Lima, especialista em Engenharia Biomédica e idealizador do aparelho Inspire explicou que o projeto incorporou 20 anos de pesquisas em monitoramento de pulmão desenvolvido em conjunto pela Poli e pela Faculdade de Medicina da USP.

"Todo esse período da pandemia nos revelou que não é bom depender excessivamente de outros países, que algumas tecnologias têm que ser dominadas dentro do nosso país, e que o desenvolvimento delas é extremamente multidisciplinar", disse Lima. headtopics.com

Diversas áreas da universidade aderiram ao projeto, instituições de ensino em outros estados trocaram informações tecnológicas, como a UFRJ, e a Marinha do Brasil também entrou no time, assumindo a montagem dos 1.000 respiradores como uma missão, além de cuidar do rastreamento de componentes.

Respirador produzido pela Universidade de São Paulo — Foto: VINICIUS NUNES/AGÊNCIA F8/ESTADÃO CONTEÚDOUm dos maiores trunfos do equipamento foi a utilização de tecnologia e componentes majoritariamente nacionais, provenientes das indústrias automotiva, robótica, aeronáutica e da saúde, que permitiram a rapidez da produção e um custo menor em relação aos outros aparelhos disponíveis no mercado.

Não se pode comprar, nem vender o Inspire. O que é possível é licenciar a tecnologia com geração de royalties para a universidade, que permitiria o financiamento de outras pesquisas do tipo. Antes disso, contudo, o professor Raul González Lima explicou que o objetivo é tornar o aparelho mais completo e certificar a nova versão.

"Este projeto terá continuidade dos pontos de vista científico e tecnológico para que o Inspire deixe de ser um ventilador emergencial e se torne um modelo mais robusto, com mais modos ventilatórios, mais portátil com a redução do peso em 40% (de 7 kg para 4 kg) e aprimoramento da inteligência artificial", adiantou.

Depois disso, os pesquisadores também pretendem pedir certificação de agências sanitárias internacionais e financiamento para produção de mais ventiladores para exportação para países que estejam com carência de ventiladores.

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