Um velório de 34 anos

O calvário de Gilberto Molina em busca do corpo do irmão assassinado pela ditadura

23.10.2019

Velório de 34 anos: o calvário de um homem em busca do corpo do irmão morto pela ditadura

O calvário de Gilberto Molina em busca do corpo do irmão assassinado pela ditadura

more_horiz Gilberto Molina, que encontrou a ossada de seu irmão em cemitério clandestino de Perus (Marcos Michael/VEJA) No último dia 4 de setembro, completaram-se 29 anos da descoberta da vala clandestina do cemitério Dom Bosco, no bairro paulistano de Perus. A contagem dos sacos plásticos desenterrados revelou 1.045 ossadas, a maioria de indigentes e também de muitas vítimas da ditadura militar. Passadas quase três décadas, poucas pessoas ali enterradas acabaram sendo identificadas. Uma delas foi meu irmão, Flavio Carvalho Molina, assassinado sob tortura no DOI-CODI de São Paulo, em 1971, um dia antes de completar 24 anos. Flavio era quatro anos mais velho que eu. Nasceu em 8 de novembro de 1947, no Rio de Janeiro. Iniciou a militância na Ação Libertadora Nacional (ALN). Foi preso e fichado no Dops em 1968, quando estudava química na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Saiu de casa para entrar na clandestinidade no dia em que o homem pisou na Lua. Viajou até Cuba e retornou clandestinamente em 1971 para lutar contra a ditadura em uma organização dissidente da ALN, o Movimento de Libertação Popular (Molipo), na qual participou de ações armadas. Nos autos de sua prisão estão registradas suas duas identidades: a falsa, com o nome de Álvaro Lopes Peralta, e a verdadeira. As autoridades sabiam, portanto, quem ele era, mas não informaram a família, e seu corpo acabou sendo sepultado como indigente. Foi emocionante descobrir como ele criou o nome clandestino. Álvaro era o nome do nosso pai; Lopes, um dos sobrenomes da nossa mãe; e Peralta, a maneira que seu padrinho costumava lhe chamar na infância. Soube da existência de Perus em 1980, com base em informações de pessoas que conheceram Flavio na clandestinidade. Fui ao cemitério sozinho, já conhecendo a identidade falsa de meu irmão. O administrador indicou o local onde estava a vala: uma área gramada, com o terreno ligeiramente inclinado e, claro, sem qualquer indicação do que havia ali embaixo. Diante da minha insistência, o funcionário do local mobilizou uma retroescavadeira e logo surgiram os primeiros sacos plásticos com ossos. A emoção me abalou profundamente. Mas demorou muito tempo para que o estado reconhecesse a existência do cemitério clandestino. Graças à pressão de grupos como o Tortura Nunca Mais de São Paulo e do Rio, o governo iniciou o trabalho de reconhecimento das ossadas na década de 90. Em 2005, os restos mortais de Flavio foram identificados por exames de DNA por um laboratório de São Paulo. Nesses anos de busca, acompanhamos o descaso com as ossadas, que passaram por três universidades diferentes e ficaram boa parte do tempo esquecidas, em locais impróprios, empilhadas em salas úmidas. Após a seleção inicial dos ossos (por sexo, idade, tamanho e características dentárias), eu e minha família vivemos inúmeras frustrações à espera de pelo menos seis exames de DNA feitos nas ossadas que poderiam ser de Flavio. Vi minha mãe colher sangue mais de uma vez para a realização dos testes. Participei de uma entrevista kafkiana, na qual o legista me perguntou se o esqueleto montado à frente “parecia” com meu irmão. Em cada exame feito no Brasil e no exterior, provei a expectativa e a decepção. A opção de Flavio pela luta armada deve ser analisada no contexto da época. Hoje, a história mostra que era uma perspectiva equivocada. Ela mostra também as atrocidades institucionalizadas pelo estado, como a tortura, o assassinato de prisioneiros e ocultação de cadáveres. Embora soubesse de sua morte desde 1971, só tomei conhecimento de seu assassinato por meio de documentos oficiais em julho de 1979. Contei a meu pai num final de tarde. Com a voz embargada, ele indagou: “Por que, se o Flavio já estava preso?”. Ficamos em silêncio por não sei quanto tempo. A sala estava escurecendo quando minha mãe chegou da missa. Entre um grito e uma prece, ela foi para o quarto. Um dia depois de sua identificação oficial, 34 anos após o assassinato, Flavio foi sepultado no jazigo da nossa família, no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Depoimento dado a Roberta Paduan Notícias sobre Consulte Mais informação: VEJA

Ele deveria perguntar aos cumpanheiros dele, será q o exército matou todos q falam mesmo? Muitos usavam nomes falsos devem estar enterrados com o nome e identidade falsa tb....

Um velório de 34 anosO calvário de Gilberto Molina em busca do corpo do irmão assassinado pela ditadura

Acusado de matar menina Vitória em SP é condenado a 34 anos de prisãoEstudante de 12 anos foi sequestrada enquanto andava de patins perto do ginásio de esportes de Araçariguama, antes de desaparecer, no dia 8 de junho de 2018 É uma pena que não cumprirá nem a metade Nao vai ficar nem 10. Lei de merda

Siakam e VanVleet fazem 34 pontos cada, dão aula de basquete, e Raptors vencem Pelicans na prorrogação - ESPN VideoSiakam e VanVleet fazem 34 pontos cada, dão aula de basquete, e Raptors vencem Pelicans na prorrogação; VEJA NBAnaESPN

Acusado de matar menina Vitória no interior de SP é condenado a 34 anos de prisão - São Paulo - EstadãoO homem teve a pena agravada por motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima Do q adianta se em 6 anos sai p repetir? Daqui 6 anos ele sai. Rip código penal 34 anos que na verdade não chegam a 10!

Documentos mostram racha no PCC e afastamento de um dos líderes da cúpulaAmeaças de morte e mudanças na cúpula da facção aconteceram após morte de Gegê do Mangue e Paca; um dos suspeitos de participar do crime foi dado como morto e fugiu agenciapublica Lá vai o eleito, indicar seu filho Eduardo, para mais um empreitada. pontejornalismo

Adversários de Cristina Kirchner criam um 'pixuleco' da ex-presidente em Buenos AiresPrimeiro turno das eleições presidenciais argentinas acontece no domingo (27); Alberto Fernández, o titular da chapa em que Cristina é vice, é o favorito. Brasil fazendo escola. macri wins hahahahhahaha La pixuleca.



Bolsonaro pode sofrer impeachment por xingar repórter, diz Miguel Reale Jr

Nunca um presidente foi tão vulgar com uma mulher. Espere o efeito bumerangue

Huck: Bolsonaro ultrapassou fronteira da decência com ofensa a repórter

‘Oito horas sem comer, só consegui tomar água’: o cadeirante que entrega comidas por aplicativos na avenida Paulista

Dino propõe Lula e Huck juntos em 2022

Evolução da democracia - Política - Estadão

Pabllo Vittar, Faustão e o dilema do pronome adequado | Tela Plana

Escrever Comentário

Thank you for your comment.
Please try again later.

Últimas Notícias

Notícia

23 outubro 2019, quarta-feira Notícia

Notícias anteriores

MC Gui ganha seguidores após bullying contra criança | VEJA Gente

Próxima notícia

Revezamento do Brasil em Pequim-2008 receberá medalha na próxima quinta
Huck: ‘As fronteiras da decência foram ultrapassadas hj’ Quebra de decoro - Política - Estadão Menino viraliza na web após foto mal-humorado em RG: 'Estava com fome' Lucas é o quarto eliminado do BBB 20 com 62,62% dos votos A empresa americana que defende ‘compostagem humana’ como alternativa ‘verde’ a enterro ou cremação Gato 'mochileiro' visita Foz do Iguaçu, em viagem com o dono pela América do Sul Policiais que agrediram jovens em escola na zona oeste de São Paulo são afastados; assista - São Paulo - Estadão Jovens agredidos por PMs dentro de escola na Zona Oeste de SP prestam depoimento na delegacia Lula defende candidatura de Haddad em SP - Política - Estadão Mudar o que comemos pode ajudar no combate ao aquecimento global, diz estudo - Saúde - Estadão Norte-americano procurado pela Interpol por assassinato é preso pela PF em MG Bolsonaro e os governadores - Opinião - Estadão
Bolsonaro pode sofrer impeachment por xingar repórter, diz Miguel Reale Jr Nunca um presidente foi tão vulgar com uma mulher. Espere o efeito bumerangue Huck: Bolsonaro ultrapassou fronteira da decência com ofensa a repórter ‘Oito horas sem comer, só consegui tomar água’: o cadeirante que entrega comidas por aplicativos na avenida Paulista Dino propõe Lula e Huck juntos em 2022 Evolução da democracia - Política - Estadão Pabllo Vittar, Faustão e o dilema do pronome adequado | Tela Plana Escola estadual de Americana obriga aluno sem uniforme a usar camiseta escrito 'empréstimo', diz mãe; foto viralizou A aposta no consumo - Opinião - Estadão Sorte para o azar | Dora Kramer Brasileiro viraliza com vídeo de camisas de Chris Paul, ídolo responde e leva comunidade do basquete à loucura Menino que perdeu tudo em cheia do Rio Tietê ganha camisa do Corinthians e recados de jogadores: 'Sonho realizado'