Sobrevivente do Holocausto conforta os vizinhos nesses tempos sombrios - Internacional - Estadão

@nytimes Sobrevivente do Holocausto conforta os vizinhos nesses tempos sombrios

19/01/2021 23:40:00

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Simon Gronowski escapou dos nazistas quando criança e passou a escrever e falar amplamente sobre suas experiências. Em abril, ele começou a iluminar vidas tocando músicas de jazz da janela de seu apartamento

“Eu a adorava”, contou. “Ela era uma pianista brilhante”.O primeiro ato de bravura de Gronowski foi há muitos meses de abril passados, quando uma calamidade completamente diferente castigava a Europa.No dia 19 de abril de 1943, Gronowski, que tinha 11 anos, pulou de um trem em velocidade. Ele e sua mãe estavam apertados com dezenas de outras pessoas em um vagão de gado na estrada mortal de Mechelen, cidade onde judeus belgas eram presos e levadas para Auschwitz.

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De todos os trens da desgraça, o de Gronowski ficou particularmente gravado na história do Holocausto. Conhecido como “Comboio 20”, foi  atacado por três combatentes da resistência logo depois da partida de Mechelen. Na confusão, dezenas de pessoas tiveram a chance de escapar e refugiar-se nas fazendas de Flandres.

Logo depois que o trem começou a acelerar novamente, a mãe de Gronowski, talvez animada pelo incidente e por este vislumbre de esperança, insistiu para que ele saltasse.“Saltei porque eu costumava obedecer às ordens de minha mãe”, explicou. Pulou e se salvou. A mãe não o seguiu. headtopics.com

“Se eu soubesse que ela não iria saltar, teria ficado no trem”, afirmou, apoiando o rosto à palma da mão, como se sua cabeça tivesse ficado repentinamente pesada demais.Nos 17 meses seguintes, o rapaz ficou escondido nos sótãos de algumas famílias católicas. Depois da libertação de Bruxelas, em setembro de 1944, conseguiu reunir-se ao pai doente, que há anos entrava e saía de hospitais onde acabou sucumbindo - de desespero, acredita Gronowski - deixando o menino órfão no ano seguinte.

Gronowski falou finalmente sobre as suas memórias do longo confinamento, do medo e da tristeza e do desespero dos anos 40, em uma coluna de jornal para dar coragem aos seus concidadãos belgas, no final de março, quando eles lutavam para suportar o fechamento.

“Atualmente reduzido ao ócio forçado, que aliás favorece a reflexão, o meu pensamento vagueia e relembra os confinamentos que eu sofri há 75 anos, de 1942 a 1944, quando tinha 10 a 12 anos de idade”, escreveu.“Hoje, podemos ficar com as nossas famílias ou confortar-nos por isto, ficar em contato, podemos fazer compras, guardar provisões, ler os jornais, ver televisão, mas naquela época vivíamos aterrorizados, não tínhamos nada, sofríamos com o frio, a fome e a perda do lar”, acrescentou.

A coragem que vemos hoje já queimava no coração do menino que perdera tudo  no final daSegunda Guerra Mundial.Passou três anos em lares adotivos, e então decidiu regressar sozinho para a casa da sua família, naquela altura, vazia, para conseguir recursos que lhe permitissem viver e estudar. headtopics.com

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Quando fez 23 anos, Gronowski obteve o doutorado em direito. Começou a advogar, casou com Marie-Claire Huybrechs, e hoje tem duas filhas, Katia e Isabelle. Durante sessenta anos pouco falou dos pais mortos, de sua amada irmã, Ita, ou do dia em que saltou do trem em movimento a caminho de Auschwitz.

“Não era nenhum segredo, mas eu não queria falar sobre isso”, afirmou, e por um momento o seu ar otimista apagou. “Por que? Porque eu me sentia culpado. Por que eles estão mortos, e eu estou vivo?”Tudo isto mudou em 2002, quando, pressionado pelos amigos que conheciam a sua história, decidiu falar do passado.

“Eu precisava dar o meu testemunho e contar a minha história, então escrevi meu primeiro livro”, outro ato de bravura, que deu a Gronowski uma inesperada nova vida de apresentações na mídia e um perfil mais destacado para ambicionar objetivos progressistas.

Depois da publicação deL’Enfant du XXe Convoy (O Menino do Comboio  XX), a historia de Gronowski se tornou conhecida dentro e fora da Bélgica, e ele começou a dar conferências principalmente em escolas.“Foi muito doloroso trazer a tona tudo aquilo de novo”, afirmou. “Mas agora sinto que estou transmitindo algo positivo para os jovens, e isto me deixa feliz. Eu me libertei”. headtopics.com

Enquanto a Bélgica luta contra o coronavírus, Gronowski toca o seu piano de janelas fechadas, desta vez (“Agora faz frio demais”) e planeja aventuras futuras. “Quero tocar com essa banda de Nova Orleans”, disse. Eles se chamam Tuba Skinny. São incríveis!”

A maioria das suas conferências em escolas foi suspensa por causa da pandemia, mas elas recomeçarão logo mais, afirmou, e é o que mais ele espera.“Quando eu conto minha história nas escolas, sempre encerro com uma mensagem de esperança. Sempre digo uma coisa importante. Falo para eles que a vida é maravilhosa. “Mas é também uma luta diária”. /

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TRADUÇÃO DE ANNA MARIA CAPOVILLAThe New York Times Licensing Group - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times. Consulte Mais informação: Estadão »

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nytimes nytimes nytimes Sombrios? Não há nada de sombrio. Um vírus espalhada por desídia da ditadura chinesa está matando, em grande maioria, idosos e comórbidos. A doença até agora não tem cura e iniciou-se um processo de vacinação em massa tendo as pessoas como cobaias. O que há de sombrio nisso? nytimes Dejá vú na Alemanha! Crazy times.

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