Quem fará o discurso da esquerda? | por Roberto Amaral

Opinião | Quem fará o discurso da esquerda?

Cartacapital, Carta Capital

14/01/2022 06:00:00

Opinião | Quem fará o discurso da esquerda?

A soberania popular fala a cada quatro anos, é verdade, mas sua vontade terá sempre de conviver com a vontade da casa-grande

Quinhentos anos tentando dar vez à emergência de um povo; duzentos anos de Estado independente; 133 anos de República, passados quase 70 anos de um império que já nasceu velho; um sem-número de golpes de Estado, duas longevas ditaduras. A única revolução vitoriosa, o movimento de 1930 – liderado por três governadores de província –, resultou de uma cisão na classe dominante. Exatamente por isso, venceu. Levada a cabo para assegurar a democracia e as liberdades, a “verdade eleitoral” terminou por instaurar uma ditadura de 15 anos.

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Virada Cultural tem shows de Chico César, Gloria Groove e outros artistas em São Paulo

Chico César e Glória Groove são os convidados do CBN São Paulo e falam sobre suas participações nos shows da Virada Cultural, que acontece neste fim de semana na capital paulista. Chico toca no palco Butantã. Groove vai se apresentar no palco Itaquera. 'Esse show tem uma importância tremenda de trazer a Lady Leste Tour pra dentro da minha Zona Leste', celebra. 'É um show que leva o nome das minhas origens exatamente neste lugar, por isso que tem todo esse gostinho especial de jogar em casa.' Consulte Mais informação >>

Esquerda c picolé de chuchu e garantindo a farra rentista? VTC, isso não cola Ciro é o candidato mais a esquerda já faz! Ciro Gomes é o único presidenciável de esquerda neste momento. PrefiroCiro Precisa? Já não sabemos? Qual esquerda? Caso o Presidenciável mais corrupto da história vença a eleição, o que só pode acontecer com fraude, nosso país se transformará em uma cleptocracia.

Lula o pai dos banqueiros... Ele mesmo que disse Olá, faça parte dos nossos grupos, sobre política e atualidades (se não for um bolsominion) 🤜✊🤛 Whats: Telegram: Roberto Amaral, cacique do PSB, que papel medíocre!

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todos os aliados do lula desde sempre no art, lula pede amem e a esq diz deus seja louvado...qq coisa pelo poder sem autocritica e projeto real.qq candidato da esq é mais esq que o pt.. hoje so ciro na esquerda lutando... boulos escanteado... freixo e dino rezando apoio futuro cirogomes , pq 🦂 não é de Esquerda.

Lula é liberal; liberais não são de esquerda Uma vergonha. O artigo da carta capitalista Neoliberal sequer cita a única candidatura de esquerda, Ciro Gomes. O único candidato com um Projeto de esquerda é Ciro Gomes. A vai rever seu apoio incondicional ao anti-taxação de fortunas Lula-Alckmin-Temer, ou vai virar de vez a Carta Neoliberal?

Dilma VC é que NÃO é

Hospital e Planalto não explicam quem pagou viagem de médico de BolsonaroAntônio Luiz Macedo estava de férias nas Bahamas quando recebeu um telefonema do presidente da República pedindo ajuda: 'Estou morrendo' E quem pagou a conta? Quem será que pagamos por essa viagem. Infelizmente, o jornalismo profissional MORREU! Só falta ENTERRAR!

Governo quer liberar vaga do Jovem Aprendiz para quem não estudaUm grupo de trabalho analisa possíveis mudanças no programa; uma conclusão está prevista para ser divulgada no mês de março

Tite convoca seleção: veja quem pode pintar nas EliminatóriasTreinador divulga um de seus últimos grupos de jogadores na preparação para a Copa do Mundo do Catar, no fim de 2022 Esse tite é um atraso

Quem vai liderar o PT na Câmara no ano da ‘grande batalha’ de Lula | RadarAos 48 anos de idade, deputado mineiro é o parlamentar mais jovem a assumir o posto de líder do partido radaronline Recado do LulaOficial para: Bozominions, Morominions e Cirominions de plantão:👇🏻 LulaNoPrimeiroTurno radaronline Grande batalha do Brasil ❗ Lula poderia se aposentar se quisesse... radaronline Batalha do povo do Brasil. Os brasileiros.

Governo quer liberar vaga do Jovem Aprendiz a quem não estuda, diz jornalO governo Jair Bolsonaro (PL) estuda alterar o programa Jovem Aprendiz para permitir que jovens de 14 a 24 anos sem matrícula escolar possam ser contratados. Se aprovada, a medida re

. A conciliação impede a fissura das estruturas arcaicas, e a “manutenção da lei e da ordem” funciona como dique contra o progresso; nem revolução nem reforma, nem mesmo as mais consentâneas com o capitalismo, como a reforma agrária e a reforma tributária. Nada que mesmo de leve, e mesmo sob controle, possa ameaçar a estabilidade das velhas estruturas que asseguram o domínio da nação por apenas 1% de brancos e milionários. Vez por outra a classe dominante ruge, dá estudados sinais de incômodo, mas é apenas jogo de cena; ela tem consciência de que, no frigir dos ovos, controla o espetáculo. Dão-se as mãos a caserna, o centrão e a Av. Faria Lima, os grileiros e as mineradoras, o capital financeiro nacional e internacionalizado e o agronegócio, e seu aparato ideológico, os grandes meios de comunicação de massa. Quinhentos anos tentando dar vez à emergência de um povo; duzentos anos de Estado independente; 133 anos de República, passados quase 70 anos de um império que já nasceu velho; um sem-número de golpes de Estado, duas longevas ditaduras. A única revolução vitoriosa, o movimento de 1930 – liderado por três governadores de província –, resultou de uma cisão na classe dominante. Exatamente por isso, venceu. Levada a cabo para assegurar a democracia e as liberdades, a “verdade eleitoral” terminou por instaurar uma ditadura de 15 anos. Qualquer sinal de alteração do sentido dos ventos é visto como fator de desestabilização sistêmica, ameaça à calmaria que acomoda o mando; a resposta é a intervenção do braço armado do poder, cumprindo com seu papel de instrumento da ordem: a conservação do status quo , a preservação do passado no presente. A história de nossos dias registra dois marcos desse intervencionismo reacionário: a ditadura de 1964-1985 e o golpe de 2016, que, depondo a presidente Dilma Rousseff, abriu caminho para a ascensão dessa chaga que é o bolsonarismo. Por intermédio do capitão, a direita brasileira, militar e civil, teve a primeira oportunidade, na República, de chegar ao governo pela via institucional e, com a proteção dos engalanados, empreender a exótica experiência de regime a um tempo neoliberal e protofascista. Enquanto teve fôlego, o fantoche estapafúrdio entregou o contratado aos senhores de seus cordéis: o aprofundamento da desindustrialização, da precarização dos direitos trabalhistas, da derruição da previdência social e, em plena faina, a desmontagem dos instrumentos de governo que, desde 1930, vinham permitindo ao Estado brasileiro cumprir com seu papel de vetor de desenvolvimento, cujo melhor atestado é a extraordinária taxa média de 6% de crescimento anual alcançada entre 1930-1980, contrastando com a estagnação de nossos dias, de que é indicador a expectativa do PIB para 2022, estimado 0,5% pelo Boletim Focus do Banco Central. Anistórico a mais não poder, o projeto Bolsonaro – reunindo a marginalidade política, empresários e fardados (exército, marinha, aeronáutica e forças auxiliares) – deu com os burros n’água, empurrado por histórica desaprovação popular que esvazia as pretensões de continuidade pela via eleitoral, depois de fracassada a tentativa de golpe do 7 de setembro de 2021, na qual investira o terceiro andar do palácio do planalto, ora com o silêncio beneplácito, ora com a articulação de seus generais, milicianos e empresários delinquentes. Os dados de hoje dizem que voltou à ordem do dia a regra do jogo democrático clássico, com a qual parece conformar-se a grande burguesia, olhando atenta para o que ocorre na Argentina, na Bolívia, no Peru e no Chile, e já aflita com o que podem oferecer as próximas eleições colombianas. Teremos eleições e, com os dados de hoje, elas serão respeitadas. O trumpismo, por enquanto, é de pouca valia, e pouco pode a direita brasileira esperar de um inseguro Joe Biden, às voltas com a pandemia, as eleições legislativas de junho, Putin e Xi Jinping, adversários de respeito. A burguesia brasileira, mandante desde a colônia, caracteriza-se pela alta maleabilidade, sua capacidade de vencer obstáculos e manter-se no comando da política, sempre apta a ceder alguns poucos anéis de latão para conservar os dedos. Com o esvaziamento da candidatura do capitão, consequência de sua catastrófica passagem pelo governo, a Faria Lima e adjacências enfurnaram todas as velas na direção da chamada “terceira via”, a panaceia de seus estrategistas. O fracasso, porém, nada obstante a comovente obstinação da grande imprensa, foi o mais contundente. Não sentou praça o “conflito dos extremos” clamando por uma alternativa ao “centro”, e as candidaturas Lula (em ascensão) e Bolsonaro (em queda vertiginosa) continuaram polarizando, e assim deverão chegar às eleições de outubro. A menos que o capitão abandone a raia. A classe dominante não tem compromissos senão com seus interesses e, em função deles, sabe identificar a estratégia mais segura, não raro parecendo recuar quando, de fato, cuida de avançar. Se de todo não é mais viável a candidatura in pectoris do capitão, construa-se uma alternativa; indisponível esta, a saída, que o andar de cima não rejeita, é procurar apaziguar-se com o “sapo barbudo” seja indicando-lhe a parelha, seja, onipotente, ditando o modelo de esquerda, dita “moderna”, que nossa esquerda “atrasada” (PT à frente), deve seguir. O figurino, cantado em prosa e verso pelos grandes jornais, diz que a esquerda brasileira, para modernizar-se, precisa, em síntese, deixar de ser de esquerda, pois impõe-se deitar fora os “velhos temas”, como a luta de classes (vencida pela conciliação), a reforma agrária (vencida pelo agronegócio) e a defesa do Estado e da empresa nacional (vencida pela globalização). Vitoriosa essa linha, que pode encantar os que reduzem a política ao processo eleitoral, as esquerdas, nomeadamente a esquerda socialista, seriam condenadas à afasia, renunciando ao dever do proselitismo, do qual, aliás, se afastou desde as eleições de 2002, com as consequências consabidas, e delas destaco a fragilidade atual do movimento sindical e o atraso ideológico das grandes massas, cujo índice é a penetração do bolsonarismo entre as chamadas classes subalternas. Inicia-se uma longa caminhada de pouco mais de nove meses. E ela só terá sentido histórico, para as esquerdas (assim mesmo, no plural), se se constituírem em oportunidade de mobilização e organização popular, política e ideológica. O processo eleitoral, com as condições de articulação e debate que assegura, com o acesso aos grandes meios de comunicação que propicia, com o ambiente de liberdade e movimento que enseja, deve ser visto pelos partidos e organizações populares e progressistas como a grande oportunidade de contato direto com as massas. Derrotar a chaga do bolsonarismo não pode ser visto como um fim em si mesmo, fito que tudo justifica. *** Barriga de aluguel – Para emprestar sua legenda ao ex-governador Geraldo Alckmin, dando-lhe assim condição jurídica de ocupar a vaga de vice na chapa de Lula, o PSB – que vem de sua aliança com Aécio Neves em 2014, e do seu comprometimento com a campanha de Eduardo Cunha à presidência da Câmara em 2015, ponto de partida para o golpe – exige o apoio do PT a seus candidatos em Estados nos quais, como no Rio de Janeiro e RS, não tem votos, ou em Pernambuco, onde seu proclamado candidato renunciou à propositura. Isso, no dicionário de Antônio Houaiss, que foi presidente da sigla quando esta buscava o socialismo, está grafado como chantagem. Homenagem a Eny Moreira – Francis Bogossian, presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos-IBEP, informa que a instituição realizará uma mesa-redonda sobre a vida e a atuação da criminalista Eny Moreira, minha querida amiga recentemente falecida. A homenagem será no próximo 5 de abril, quando a destemida advogada de presos políticos na ditadura completaria 77 anos. Relacionadas