Índios do sul do Amazonas achavam que estavam livres dos incêndios. Acabaram dentro da catástrofe - São Paulo - Estadão

'Não tinha fogo aqui. Agora veio de uma vez', diz índio ao retratar queimadas

25/08/2019 14:01:00

'Não tinha fogo aqui. Agora veio de uma vez', diz índio ao retratar queimadas

'Não tinha fogo aqui. Agora veio de uma vez', narra líder dos tenharins, povo que vive numa área da Amazônia onde o desmatamento ilegal e a grilagem afloram a olho nu

, pioraram o cenário.“O fiscal que multou Bolsonaro (por pesca em uma unidade de conservação no Rio) foi punido. Quando oIbamadestruiu equipamentos apreendidos em uma operação contra madeira ilegal, em consonância com a lei, Bolsonaro teve um acesso de cólera, e Salles depois foi se encontrar com madeireiros”, lista Ricupero. 

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“O presidente contestou os dados sérios de desmatamento do Inpe e demitiu seu diretor. E seu filho Flávio apresentou no Senado um projeto de lei para acabar com a Reserva Legal (dispositivo do Código Florestal que protege parcelas de floresta dentro de propriedades rurais)”, continua. 

O resultado mais evidente disso, além da alta de desmatamento e de queimadas apontadas pelo Inpe, é a redução no número de autos de infração. Até o final de junho, tinham sido aplicadas 5.826 multas, contra 7.326 no mesmo período do ano anterior. É o valor mais baixo desde 2015. Completam o quadro os dados de desmatamento e de queimadas. Os alertas feitos pelo sistema Deter, do Inpe, indicaram um aumento de 49,45% no desmatamento entre agosto do ano passado e julho deste ano, na comparação com os doze meses anteriores. E o número de queimadas no País até esta sexta-feira era o mais alto desde 2013.

Pedidos de informações sobre a quantidade de ações de fiscalizações que estavam sendo realizadas pelo Ibama neste ano nunca foram atendidos. Mas o Estado apurou com técnicos do instituto que neste ano não foi autorizado nenhum acionamento do Grupo Especial de Fiscalização no combate ao desmatamento. O GEF é uma espécie de tropa de elite do Ibama, que combate o crime organizado e agem principalmente em Unidades de Conservação e Terras Indígenas. Por outro lado, não foi mais autorizada a aplicação de lei que previa a destruição de instrumentos do crime.

“O governo alega que os recursos são insuficientes, mas temos de lembrar que dos recursos que vinham de doações, como o Fundo Amazônia, Bolsonaro está abrindo mão, colocando obstáculos inventados. Que credibilidade tem um governo que diz a (Angela) Merkel (premiê alemã) que

? Os estrangeiros têm razão. Em 50 anos, essa é a maior crise de imagem e de política externa que já tivemos”, diz Ricupero.Piora progressivaA pesquisadora Mercedes Bustamante, da UnB, que faz parte de uma coalizão de cientistas que vêm fazendo manifestações de teor científico analisando impactos de ações do governo, pondera que alguns indicadores já vinham piorando nos últimos anos, como a taxa de desmatamento – que desde 2013 flutua com tendência de alta após ter chegado ao seu nível mais baixo em 2012.

O governo Temer também enfrentou mobilização internacional quando sugeriu abrir para exploração aReserva Nacional do Cobre e Associados (Renca). Por outro lado, mantinha no âmbito internacional o discurso pelo combate às mudanças climáticas e o então ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho ofereceu o Brasil, em 2017, para ser sede da Conferência do Clima da ONU neste ano. Quando Bolsonaro foi eleito, a oferta foi retirada por Temer e a reunião agora será no Chile.

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“Já havia sinais de que a situação ambiental estava mudando, mas o governo Temer ainda era mais cioso das relações entre os países. A forma como a gestão Bolsonaro conduziu a situação do Fundo Amazônia foi muito ruim. Um chefe de Estado tem de justificar num momento de crise como estava aplicando o dinheiro para conseguir combater o desmatamento, mas simplesmente falou para pegarem o dinheiro de volta”, afirma Mercedes.

Roberto Rodrigues, do GV-Agro, argumenta que também houve falhas na forma como a imagem do agronegócio foi passada para o exterior. Segundo ele, “comunicamos mal” que a agricultura do Brasil se expandiu no últimos anos com avanço tecnológico, com a produtividade crescendo 5 vezes mais do que a área plantada. “Mas desmatamento, queimadas, mesmo numa taxa normal, não são aceitáveis. E o governo precisa para isso ter ações específicas.”

Para ele, a questão das queimadas pode ter sido o que faltava para piorar os ânimos de produtores europeus que não estavam felizes com o acordo entre Mercosul e União Europeia. “Naturalmente, o  problema dos incêndios deu argumentação para esses grupos, de aumentarem a pressão, o que é legítimo. Ao deixarmos vazar dessa forma, demos o argumentos que faltavam pra eles.”

Quatro perguntas para Carlos Nobre, climatologista e colaborador do Instituto de Estudos Avançados da USP1. Qual a diferença da queimada hoje para as anteriores?Tivemos anos muito ruins. Em 2004, o desmate alcançou 27 mil km², um recorde. Mas isso não traz alívio, ao contrário. De lá pra cá, tínhamos entrado em outra trajetória. Até 2014 tínhamos reduzido o desmate em 75%.

2. Outro argumento é a estação seca, que favorece queimadas. A estação está normal, até menos seca que a média. Diferente de 2016, por exemplo, com uma megasseca em razão do El Niño forte e muitas queimadas. Não dá para usar o clima para explicar o que há hoje.

3. Qual é a explicação?Os sistemas mostram alta do desmate, de 20%, de agosto de 2018 até agora, especialmente nos últimos meses. E aí vem o pior fator: a mudança política. É como voltar aos anos 70, quando o desmate era política pública. Para retirar empréstimo do banco, tinha de comprovar seu lote desmatado e queimado. Tínhamos superado isso. Houve demarcação de terras indígenas. Desde a Eco-92, o País se posicionou na sustentabilidade. Houve combate à explosão do desmate em 2003, 2004 e 2005, com fiscalização, inteligência, quadrilhas desbaratadas. Isso, simbolicamente, foi para o lixo.

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4. Qual o ponto a partir do qual não se evita que a Amazônia vire savana?Quando de 20% a 25% da floresta estiver destruída. Já destruímos de 15% a 17%. Pelas taxas atuais, chegaríamos a esse ponto dentro de 20 a 30 anos. Consulte Mais informação: Estadão »

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