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Marcuse e a inegociável totalidade do êxtase e do corpo | Farofafá

Marcuse e a inegociável totalidade do êxtase e do corpo (via @farofafa_BR)

22/01/2021 06:00:00

Marcuse e a inegociável totalidade do êxtase e do corpo (via farofafa_BR)

De todos os gibis que têm tratado do legado de pensadores revolucionários (Marx, Freud, Jung), este é o mais abusado e dessacralizador: Marcuse em

289De todos os gibis que têm tratado do legado de pensadores revolucionários (Marx, Freud, Jung), este é o mais abusado e dessacralizador:Marcuse em Quadrinhos, de Nick Thorkelson. Expoente da Escola de Frankfurt, instituição intelectual revolucionária alemã, Herbert Marcuse (1898-1979) foi também uma estrela pop da filosofia. Com prefácio da filósofa norte-americana Angela Davis, que foi aluna de Marcuse, a biografia que a Veneta lança no Brasil foi editada nos Estados Unidos pela livraria City Lights (famosa como bunker dos escritores beatniks) e é uma rigorosa viagem em torno da prevalência das ideias utópicas do pensador.

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Nick Thorkelson é jornalista do periódico The Boston Globe (e, curiosamente, irmão de Peter Tork, da banda The Monkees). Possui um traço chargístico no desenho, aparentemente displicente mas embasado por uma rigorosa pesquisa histórica, cenográfica e musical.

A vida e as ideias de Marcuse são vistas como um contra-espelho das vidas e das ideias de pensadores e artistas com os quais debateu, usufruiu ou aos quais se contrapôs: Heidegger, Lukács, George Grosz, Horkheimer, Adorno. Mas o autor não constroi embates enfadonhos para ilustrar sua visão, apenas tinge tudo com humor. Martin Heidegger no alto de uma montanha, de tanga, uivando como o Tarzan de Johnny Weissmuller, torna tudo menos sisudo e amplia a possibilidade de engajar novos leitores em temas complexos. headtopics.com

Como uma biografia, o trabalho também é notável. Da infância nos ritos judaicos às ameaças de morte feitas pela Ku Klux Klan, nada passa em branco. Thorkelson ilustra a forma e o conteúdo de como Marcuse influenciou as mais modernas correntes revolucionárias, municiando as ideias do Maio de 1968 e insuflando a ação de ativistas como Angela Davis e Abby Hoffman. “Livros como este mantém o fogo aceso”, disse o premiado cartunista Joe Sacco. “Marcuse, o filósofo que nunca fez as pazes com as tiranias capitalistas: econômicas, políticas e culturais”, afirmou o escritor paquistanês Tariq Ali.

 Ao final, ficamos sabendo que as cinzas de Marcuse ficaram em uma prateleira durante todos os anos Reagan, sendo resgatadas em 2003 para serem enterradas no cemitério Dorotheenstadtischer, em Berlim, ao lado de Hegel e Brecht. Os discípulos derramaram seu uísque favorito no túmulo. Durante esse hiato, suas ideias já tinham se espalhado pelo mundo carregando os pressupostos irrestritos da liberação ante a fortaleza de opressão, dominação e repressão do mundo moderno.

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