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Maioria esmagadora dos chilenos vota por enterrar a Constituição de Pinochet

Com quase 90% das urnas apuradas, 78% dos chilenos votaram por uma assembleia constitucional que ponha fim à última grande herança da ditadura

26/10/2020 05:32:00

Com quase 90% das urnas apuradas, 78% dos chilenos votaram por uma assembleia constitucional que ponha fim à última grande herança da ditadura. Por rocio_montes

Com quase 90% das urnas apuradas, 78% dos chilenos votaram por uma assembleia constitucional que ponha fim à última grande herança da ditadura

era esperada neste domingo. A tendência das últimas eleições de baixa participação –que chegou a um mínimo de 36% nas municipais de 2016– foi parcialmente revertida neste dia, apesar da crise sanitária, que nesta semana ultrapassou 500.000 casos no Chile e matou 13.944 pessoas desde março. Com 9.748 pacientes com

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covid-19em fase ativa, os protocolos sanitários implantados pelas autoridades para evitar a propagação do vírus conseguiram convencer a população a ir às urnas sem medo.O movimento chileno não é liderado pelas instituições clássicas, como partidos e sindicatos. Portanto, nenhuma força política poderia reivindicar uma vitória que, acima de tudo, foi protagonizada pelos cidadãos.

A diferença entre os que aprovaram e rejeitaram a ideia de substituir a Constituição vigente não constitui, portanto, um espelho da correlação de forças entre o situacionismo do Governo de direita de Sebastián Piñera e a oposição. Entre os que votaram por um novo texto também fazem parte os eleitores de direita, não apenas de esquerda e de centro-esquerda, embora aqueles que se opuseram à mudança sejam principalmente da direita doutrinária. Na segunda-feira, portanto, começa a verdadeira batalha na política chilena com vistas à eleição dos 155 convencionais no próximo dia 11 de abril, em menos de seis meses.

O situacionismo parece em melhores condições do que a oposição para esta nova etapa. Embora até hoje tenham coexistido duas almas neste setor –as que aprovavam e rejeitavam uma nova Constituição–, existem os acordos necessários para chegarem unidos até abril, quando serão eleitos paralelamente prefeitos, vereadores e, pela primeira vez, governadores regionais. O mesmo não acontece com a oposição, onde algumas das forças de esquerda –tanto o Partido Comunista quanto a Frente Ampla– têm dificuldades para negociar com os setores moderados, que conformaram a Concertação (1990-2010). Portanto, dificilmente conseguirão uma lista única, o que aumenta as possibilidades de conseguirem os 2/3 necessários para aprovar os conteúdos da nova Constituição.

Embora seja fictício pensar que todos os que aprovaram a mudança na Constituição pertençam à oposição –a direita no Chile tem muitos eleitores–, no Governo não deixaram de preocupar nem os discursos políticos dos líderes oposicionistas nem a reação das ruas. No

palácio de La Monedanão se desvaneceu o temor de possíveis revoltas por parte daqueles que não entendem o referendo e o interpretam como um plebiscito de revogação contra Piñera, como se insinuou em alguns setores.Após a eleição dos convencionais em 11 de abril, no mais tardar em meados de maio de 2021, o presidente Piñera deve convocar a sessão de instalação da convenção, cujo lugar de funcionamento ainda não foi definido. A instalação deve ocorrer dentro dos 15 dias posteriores, ou seja, entre maio e o início de junho de 2021. Depois, em sua primeira sessão, a convenção deve eleger a presidência e a vice-presidência. A partir desse momento terá início um prazo de nove meses para redigir e aprovar o texto constitucional que deverá ser ratificado em novo plebiscito, desta vez de caráter obrigatório. Esse prazo de nove meses pode ser prorrogado, apenas uma vez, por três meses. Portanto, o novo texto constitucional deve estar finalizado, no máximo, até o início de junho de 2022. Nessa data, um novo presidente estará governando o Chile.

As imagens que foram vistas hoje nas ruas, nas redes sociais e na imprensa –longas filas espera para entrar nas seções eleitorais no Chile e no exterior– antecipavam uma alta participação. O referendo foi realizado com uma primeira onda da covid-19 ainda ativa e com um detalhado protocolo sanitário, razão pela qual os eleitores compareceram aos 2.715 locais disponíveis seguindo as recomendações. Nem a pandemia nem a violência de uma semana atrás detiveram a participação.

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Aumento da participaçãoA participação eleitoral no Chile tinha diminuído continuamente desde as primeiras eleições presidenciais e parlamentares no marco do retorno à democracia, segundo dados doPrograma das Nações Unidas para o Desenvolvimento

(PNUD). A tendência cresceu em 2012, quando o voto passou a ser facultativo. A participação caiu de 87% em 1989 para 50% no segundo turno presidencial de 2017, com um mínimo recorde de 36% nas eleições municipais de 2016. De acordo com o PNUD, o Chile também se destacava por sua baixa participação eleitoral em comparação com outros países da região e da OCDE e inclusive se fosse comparado com a média de participação em países com voto facultativo (59%).

Neste domingo observou-se o desejo de participar de um processo eleitoral histórico que busca canalizar o mal-estar social. As pessoas respeitaram o distanciamento social nas longas filas que se formaram fora dos locais de votação e todo mundo usava máscara e álcool em gel. Foi um processo rápido e organizado, onde se observou a mobilização de uma boa logística em função da crise sanitária. O que acontecer neste domingo em relação à pandemia será fundamental para a marcha eleitoral que o Chile enfrentará entre 2021 e 2022.

As mesas começaram a tomar forma cedo –às oito da manhã no Chile– e quatro horas depois estavam totalmente constituídas, segundo o SERVEL. Devido à crise sanitária, o horário foi ampliado e funcionaram durante 12 horas, até as oito da noite. Entre duas e cinco da tarde os locais receberam exclusivamente idosos, população de risco em relação à covid-19. De manhã, porém, esse grupo da população compareceu em massa às urnas, como é habitual. Na televisão local foi mostrada uma chilena de 76 anos, Rosa, que saiu de casa pela primeira vez desde março, quando explodiu a pandemia. Como tem hipertensão e diabetes, vestia um traje plástico para evitar o contágio.

Muitos jovens –as gerações que protagonizaram os protestos– também votaram cedo. São os que compõem majoritariamente o padrão eleitoral: 57,9% não tinham idade para votar no referendo de 1988, sobre a continuidade de Augusto Pinochet, ou nem sequer tinham nascido naquela época. Nas últimas eleições presidenciais e parlamentares de 2017, o grupo que menos participou foi o dos que tinham entre 18 e 24 anos (35%), seguido dos que tinham entre 25 e 34 anos (36%). Os dados ainda não se conhecem em detalhes, mas muito provavelmente foi a participação desta geração que definiu o referendo.

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rocio_montes XeuleBot rocio_montes Vai dar muito certo. Kkkkk um dia sentirão saudades, mas será tarde. rocio_montes A virada chilena rocio_montes Chi-Chi-le-le 🇨🇱 rocio_montes Um grande dia para o Chile! 👏👏👏🇨🇱 rocio_montes RiP Chile BlogdoNoblat rocio_montes 👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾 BlogdoNoblat rocio_montes E o Brasil não consegue por fim a uma lei que anistia torturadores e assassinos da ditadura. Pelo contrário, elege seus defensores.

BlogdoNoblat rocio_montes medoedeliriobr BlogdoNoblat rocio_montes Que dia fudido ♥️♥️♥️♥️♥️♥️♥️♥️ rocio_montes Viva Chile rocio_montes Parabéns ao povo Chileno! rocio_montes Parabéns ao Chile. Aqui no Brasil nos falta decência para meter na cadeia os milicos nojentos, e os políticos simpatizantes de torturador. Todos deviam apodrecer numa cela, vendo fotos das vítimas.

rocio_montes Isso nos mostra que ainda há esperança. Um ótimo exemplo de democracia participativa para a juventude brasileira se espelhar e derrotar o fascismo. Viva la democracia! rocio_montes Um absurdo até hoje ainda está vigorando uma “constituição” ditatorial. Como demoraram tanto, puta que pariu !

rocio_montes Orgulho do povo chileno Vergonha do povo brasileiro rocio_montes Este sim é um povo, razão pela qual lutou para que haja uma verdadeira libertação do regime opressor. rocio_montes 👏👏👏👏 rocio_montes 🎉 rocio_montes Isso sim é que é herança maldita! Maldito Pinochet! rocio_montes Falta o Brasil ! Vamos por na cadeia os golpistas e vassalos entreguistas neocolizados ! Todos envolvidos no golpe ! Juízes! Militares ! Políticos ! Empresários! Todos na cadeira por alta traição a pátria e ao povo !

rocio_montes 👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽Enquanto isso no Brasil tem 'gente' pedindo a volta da ditadura ! rocio_montes rocio_montes E aqui no Brasil povo do preocupado com churrasco. rocio_montes 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼 rocio_montes Aqui precisamos de um plebiscito pra por fim ao Bolsonaro rocio_montes Bravo povo chileno!

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