Crise na Evergrande: por que o mercado está em alerta e quais as possíveis consequências para o Brasil e o mundo

Conglomerado de construção civil tem dívida de US$ 300 bilhões e dá indícios que pode dar calote, comprometendo mercado de commodities, bancos e todo o financiamento da economia chinesa.

Economia, Evergrande

21/09/2021 00:03:00

Conglomerado de construção civil tem dívida de US$ 300 bilhões e dá indícios que pode dar calote, comprometendo mercado de commodities, bancos e todo o financiamento da economia chinesa g1 economia Evergrande

Conglomerado de construção civil tem dívida de US$ 300 bilhões e dá indícios que pode dar calote, comprometendo mercado de commodities, bancos e todo o financiamento da economia chinesa.

A empresa é segunda maior do imenso mercado chinês, a ponto de fazer parte da lista Global 500, da revista Fortune, que reúne as maiores companhias do mundo em receita.A expansão da Evergrande foi patrocinada por um endividamento sem precedentes. A empresa tem mais de US$ 300 bilhões em débitos abertos, com juros rolando acima da capacidade de pagamento.

Como começou a crise?A situação chegou ao ponto de, segundo o jornal The New York Times, a empresa “forçar” os próprios funcionários a fazerem empréstimos de curto prazo em setembro deste ano para garantir o pagamento de bônus ao fim de 2021.

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O calote vem da China Meu deus globo ajeita essa merda de perfil, tá ridículo Será que vão fabricar o corona 20 pra vender máscaras, respiradores, etc ? Logo antigo do G1 Até na China igual Brasil também voltahansdonner logo horrível meu pai! GrupoGloboLixo Já já o governo Chinês salva a empresa. Tomara! 🙏🙏🙏🙏🙏🙏🙏

Eita

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A empresa tem mais de US$ 300 bilhões em débitos abertos, com juros rolando acima da capacidade de pagamento. Dívida alta costuma ser característica comum em empresas de construção pela própria natureza do negócio. É necessário colocar dinheiro à frente para financiar projetos e aguardar o recebimento aos poucos, conforme os compradores financiam seus imóveis. A Evergrande, contudo, esticou demais o comprometimento de caixa e a crise mundial causada pela pandemia abalou o faturamento previsto. Como começou a crise? O primeiro sinal de que havia desajuste aconteceu em agosto do ano passado, quando a construtora pediu socorro ao governo de Guandong (onde está sediada), pois não teria fundos para pagar dívidas com vencimento em janeiro. Um dos grandes investidores da empresa capitaneou o alívio e esticou o prazo de pagamento de US$ 13 bilhões. Ainda assim, a crise de solvência seguiu. A empresa chegou a desenhar um plano para cortar US$ 100 bilhões da dívida até meados de 2023, mas até agosto havia cortado apenas US$ 8 bilhões. A agência de classificação de risco Fitch diz que algum tipo de calote é “provável”. A situação chegou ao ponto de, segundo o jornal The New York Times, a empresa “forçar” os próprios funcionários a fazerem empréstimos de curto prazo em setembro deste ano para garantir o pagamento de bônus ao fim de 2021. Neste sábado, a empresa disse em uma postagem do WeChat que os investidores interessados ​​em resgatar produtos de gestão de fortunas com ativos físicos devem entrar em contato com seus consultores de investimento ou visitar escritórios locais. Quais os efeitos de um possível calote da Evergrande? Listada na bolsa de Hong Kong, a empresa já perdeu quase 85% do seu valor de mercado. A queda no último pregão, desta segunda, foi de 10%. E o risco de calote de um grupo gigante de construção gera uma série de ameaças, tanto à economia chinesa como aos mercados internacionais. Em resumo, os primeiros efeitos seriam os seguintes: Chineses protestam contra incorporadora Evergrande que tem dívida de mais de US$ 300 bi O que pode acontecer agora? Para analistas de mercado consultados pelo G1, são dois os aspectos em que o mundo estará atento nos próximos dias. Primeiro, como será (se houver) o plano de resgate da empresa e qual será o impacto nos bancos financiadores e nos setores adjacentes na economia chinesa. “A construção civil responde por cerca de 7% do PIB do país e chega a quase 25% contando fornecedores e indiretos. Tem sido uma máquina de crescimento da China e de mercados globais”, diz Luís Sales, estrategista-chefe da Guide Investimentos. O analista afirma que há ainda uma crise de confiança causada pelo caso Evergrande, em que a disposição de negociar cai. Estima-se que a empresa tenha mais de 1,4 milhão de imóveis em construção, que podem nunca ser entregues. E que, como a empresa tem um enorme estoque de ativos que precisarão ser liquidados às pressas — que vão de terrenos a casas não vendidas, passando pelo estádio de seu clube de futebol —, haverá uma pressão de desvalorização geral no setor. “O preço de imóveis cai, isso desvaloriza garantias dadas por hipotecas, os bancos vão segurar crédito e ainda não há sinais de uma intervenção forte do governo. Entramos em um estado de crise, em que cada dia conta”, diz Sales. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projetava alta de 8,1% do PIB chinês em 2021, segundo maior avanço entre os países analisados para este ano. Um espalhamento da crise da Evergrande pode colocar não só esse número em revisão, como de toda a cadeia global. “É um risco sistêmico. A empresa é tão grande que impacta toda a cadeia. É um risco de quebra de várias empresas do mercado”, diz Renato Breia, sócio da Nord Research. Toda a situação da Evergrande cria um dilema especial ao governo chinês. Por um lado, o presidente Xi Jinping precisa decidir nos próximos dias se cria um plano de resgate à empresa e se torna conivente com os excessos no sistema financeiro. Por outro, deixa a Evergrande afundar e coloca em risco toda a economia chinesa, que ainda se recupera da pandemia. “Difícil medir agora o tamanho dos desdobramentos, mas a história diz que o governo chinês terá que intervir”, afirma Breia. Protestantes exigem o reembolso de empréstimos e produtos financeiros na sede da Evergrande, em Shenzhen — Foto: REUTERS/David Kirton Quais as consequências para o Brasil? A China é a principal parceira comercial do Brasil, em especial pela compra de commodities. Em plena pandemia do coronavírus, a balança comercial brasileira colheu superávit de US$ 50,9 bilhões, dos quais US$ 68 bilhões foram em exportações aos chineses. Segundo a FGV, o superávit comercial do Brasil com a China equivale a 70,4% do saldo do país de janeiro a maio deste ano. Nesta tarde, o resultado se mostrava na cotação das principais empresas exportadoras com ações listadas na bolsa de valores de São Paulo, a B3. Às 15h, a Vale acumulava queda de 5%. A Petrobras, de 3%. Braskem caía 9%. O Ibovespa, índice das principais ações da bolsa, recuava mais de 3%. “O ponto positivo da economia brasileira em todo esse ambiente turbulento do último ano foi a exportação. A desaceleração da China prejudica a balança comercial, a arrecadação e o PIB brasileiro”, afirma Sales, da Guide Investimentos. Exportações: 10 principais parceiros comerciais do Brasil — Foto: G1 Economia