Como as mulheres italianas fizeram oposição a Mussolini - Aliás - Estadão

Como as mulheres italianas fizeram oposição a Mussolini

26.1.2020

Como as mulheres italianas fizeram oposição a Mussolini

Até então cidadãs de segunda classe, as mulheres foram mensageiras, espiãs, guerrilheiras e enfermeiras na luta contra o fascismo

Sérgio Augusto, O Estado de S.Paulo 25 de janeiro de 2020 | 16h00 A boca de Benito Mussolini . Nada tinha de marcante, mas é quase sempre ela que primeiro me vem à cabeça quando revejo as fotos da execução pública do duce italiano, dependurado como um porco na viga de um posto da Standard Oil, na Praça Loreto, em Milão, às primeiras horas de 29 de abril de 1945, il giorno della vendetta. LEIA TAMBÉM Chega ao Brasil uma biografia romanceada de Benito Mussolini Quase invisível nas imagens, aquela boca que tantas delícias e carícias experimentara finou-se da forma mais ignominiosa imaginável: abrigando um rato morto, sorrateiramente enfiado por um dos linchadores do ditador. Podia ser, mas não é de regozijo ressentido o sentimento que aquelas imagens me provocam. Pois nem todas as proezas epicuristas e sexuais do duce, numericamente impressionantes, eram dignas de inveja. Cerca de 400 diferentes amantes ao longo da vida, não sei quantas enquanto dava as ordens no país, alguns estupros, como Mussolini encontrava tempo e energia para dar conta de tamanha concupiscência? Tempo arranjava-se. Benito papava as moças — louras e morenas, magras e cheinhas, altas e baixas, maiores e menores de idade — nos momentos e locais disponíveis; com alguma frequência sobre a escrivaninha de seu gabinete, no Palácio Veneza. Energia? Chamava-se Hormovin e vinha da Alemanha o Viagra consumido pelo Casanova fascista, que nem depois de oficializar a união com Claretta Petacci amansou seu furor erótico. Oito anos atrás, Robert Olla escreveu e a Rizzoli editou uma biografia sexual do fauno, Dux (líder, em latim), com muitas das histórias que agora creio recontadas por Antonio Scurati em M: O Filho do Século , que ainda não li. A reputação de macho guerreiro, conquistador da Etiópia (Abissínia) e restaurador das glórias e ritos coletivos do antigo império romano, transformou Mussolini menos num “pai da pátria” do que no “amante da pátria”, a encarnação plena do sexo como símbolo do poder político. Mito da potência fascista, fundado sobre a masculinidade camponesa, o líder careca, parrudo, fanfarrão, 6 cm mais baixo do que Hitler (que media 1m75) e heroicas cicatrizes causadas por estilhaços durante a 1ª Guerra, corneou, simbolicamente, boa parte dos machos italianos. Mas nem todas as mulheres da Itália renderam-se ao seu carisma. Por mais paradoxal que pareça, a guerra por ele perfilhada muito contribuiu para a emancipação feminina no país. Em mais um ensaio sobre o fascismo italiano, a historiadora e jornalista britânica Caroline Moorehead, crescida e parcialmente educada na Itália, acaba de reforçar essa tese com documentação inédita e testemunhos surpreendentes. A House in the Mountains (Uma casa nas montanhas) entrega o jogo no subtítulo: As mulheres que libertaram a Itália —dos invasores alemães e do mussolinismo. Com milhares de soldados e civis presos, mortos ou despachados para campos de trabalhos, fábricas e minas na Alemanha, a Itália ocupada pelos nazistas ficou entregue aos cuidados, à tenacidade e à esperteza de suas mulheres. Até então cidadãs de segunda classe, com limitadíssimo acesso à educação, escravas e parideiras servis aos maridos, condenadas a cuidar sozinhas da cozinha e das crianças, elas acabaram sendo as mais destacadas figuras da Resistência italiana. Diligentes como mensageiras, espiãs, guerrilheiras e enfermeiras, aprenderam a roubar mapas e suprimentos, produzir panfletos em gráficas clandestinas, dinamitar pontes, matar inimigos, esconder e tratar de partigiani feridos, recolher, limpar e enterrar os mortos, com a mesma frieza com que se enfiavam em cavernas e fugiam por esgotos. Muitas das Rosas, Teresas e Adas que aparecem no livro morreram depois de presas, encarceradas e, quase sempre, violentadas. Repleto de atrocidades e atos de bravura, A House in the Mountains também tem, como era praxe nos filmes de guerra antigos, um interlúdio poético. Com a guerra definhante, à espera da rendição oficial, uma brava ragazza de 21 anos, chamada Mathilda Pietroantonio, cruza numa estrada com sete jovens fascistas, os braços erguidos em rendição. O companheiro de Mathilda faz menção de executá-los, ela o impede. “Não. A guerra acabou. Você não vai matar ninguém a sangue frio”, diz ela ao companheiro, ordenando aos jovens: “Vão pra casa. Vão. Corram”. Bravissima Mathilda. No cinturão de arroz que envolvia quatro regiões do país surgiram as “modines”, mulheres que zelavam pelos arrozais e os desinfetavam, de maio a julho, debaixo do maior sol. Com as pernas enfiadas na água por horas a fio, molestadas por mosquitos transmissores da malária e expostas a outras doenças, as modines tiveram sua faina comparada a um círculo que Dante não criara em seu Inferno. Ainda assim, arrumavam tempo para atuar na clandestinidade, bancar pombos-correios e malocar partigiani durante os 20 anos de fascismo. O duce as respeitava e concedeu-lhes inúmeras regalias, inclusive viagens de férias, não só porque a economia do país dependia à beça da exportação de arroz, mas sobretudo porque elas eram muito organizadas e conscientes de sua força política. Um filme de 1949, Arroz Amargo , projeto de um grupo de artistas ligados ao Partido Comunista, dirigido por Giuseppe De Santis e rodado em terras gentilmente cedidas pelo magnata Gianni Agnelli, projetou mundialmente a figura das modines, em clave neorealista ma non troppo. Sua mensagem social e política acabaria ficando em segundo plano, ofuscada pelo par de coxas fenomenais de Silvana Mangano, na flor dos 18 anos. Mas será que isso não configuraria uma nova vitória feminina? Notícias relacionadas Consulte Mais informação: Estadão

Molieres de direita, diga-se de passagem... Não tinha estatuto do Desarmamento, né? Texto chato demais de ler, bicho. Não consegui tadeu_alves As mulheres e a travessia do fascismo. Pegando em armas...mas são a favor do desarmamentismo 😴😴😴😴😴 Essas aulas de história de 'jornalista'. Entendemos a insinuação

Aqui lá Bolsonaristas falariam que seriam terroristas. vivamariguela Não foi DESARMADAS, com certeza. Aqui as mulheres de grelo duro do larápio são covardes! Provavelmente eram comunistas lutando contra o fascismo. Democracia e liberdade era o que menos importava nesse cenário.

Não tem como dar certo - Link - EstadãoEstadaoLink Pedro Doria: 'Criamos uma sociedade de linchadores'; Colunista do Estadão lista problemas do moralismo em tempos de redes sociais Link Só falar a verdade... Não minta! Simples Link é o mais puro controle social da mídia Link Relinchou o isentão, viúvo do Aécio e apoiador do Doriana. Ele está SENTINDO é porque os tucanos hoje em dia são raças em extinção! CholaMais que tá pouco! Kkkkkkkkkkk e outra, eu prefiro ficar no TT do cancelamento do que assinar esta imprensa canalha!

Soltando pombas e cantando Imagine. Se fosse hj, a Tamy poderia participar. 🤔 não foi no amor como defende o ~demori~ Fortemente armadas, por que é assim que nós deitamos ditadores para sempre. Desarmamentismo é o meu pau Comunismo, Fascismo e Nazismo: todas faces da mesma moeda. Que vitimizaram milhares de pessoas visando um Estado controlador através de uma elite vivendo do bom e do melhor às custas da exploração daqueles que são dominados: o povo. Bravos são aqueles (as) que lutaram contra isso

Com certeza não foi assim: Armadas com armas legais ou ilegais ? Não foi fazendo comidinhas veganas nem cuidando de cãezinhos como se fossem gente. Mayk aqui de milan Mulheres antifascistas👏

Canais no YouTube fazem sucesso como meio de aprender tricô e crochê - Emais - Estadão'Não é só um vídeo que você senta e começa a falar, é preciso criar a peça, ver se deu certo, refazer', afirma a youtuber Silvana Emais_Estadao costa_rafaa Emais_Estadao kellfluz Eu sou um que tentei,...mas a coordenação nao ajudou,...kkkk

Matar fascistas deveria se tornar esporte olímpico.

Como bombeiros conseguiram salvar as 'árvores-dinossauros' da Austrália dos incêndiosPinheiros Wollemi são conhecidos como 'árvores-dinossauros' pois existem há 200 milhões de anos G1 200 milhões kkkk Eita!!! 200 milhões? Quando eu crescer vou estudar pra ser bombeira.

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