Coluna | Estilo deveria ser razão para impeachment

Coluna | Estilo deveria ser razão para impeachment

03/03/2021 13:20:00

Coluna | Estilo deveria ser razão para impeachment

O desastre de Jair Bolsonaro como presidente já se anunciava nos seus gestos, nas suas piadas – e talvez até no seu gosto culinário

Estadão, publicada na segunda-feira. Quando lhe perguntam sobre o negacionismo da pandemia praticado pelo presidente, Pacheco argumenta que há uma distância entre a ação efetiva do governo na crise sanitária e as falas do presidente, que revelam um"estilo autêntico e popular”. O mais importante é que no Brasil, segundo o senador do DEM de Minas Gerais, já está estabelecida a cultura da máscara, da higienização, do distanciamento social. Pacheco negligencia o fato de que nenhuma dessas atitudes foi jamais reforçada pelo presidente. Bolsonaro promove aglomerações, desvaloriza o uso da máscara, e ainda agora, quando a pandemia chega a um terrível auge de contágios e mortes, desdenha das necessárias medidas de fechamento do comércio.

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Mas isso tudo é só parte de seu estilo. Um estilo que é autêntico, e que é popular.Depois do elogio à autenticidade popular e à autêntica popularidade do Mito, Pacheco se sai com uma evasiva:"Há ações concretas de enfrentamento

(à pandemia)com vigor. Vamos nos apegar a isso e valorizar mais que uma fala que aparenta ser negacionista”. O presidente sóaparenteser negacionista, enquanto combate o Sars-Cov2 em todas suas amazônicas variantes. O negacionismo é uma mera figura de linguagem. headtopics.com

Em uma entrevista à rádio Jovem Pan, o chanceler Ernesto Araújo outro dia recorreu ao mesmo termo para justificar o discurso em que seu chefe, entusiasta dos tratamentos mais heterodoxos, recomendou um clister de leite condensado aos jornalistas. “Esse é o estilo dele, que eu admiro”, disse Araújo. Não estava sendo original: há muito se alega que os arroubos autoritários, os ataques grosseiros a outros poderes e instituições, o elogio da truculência e a apologia das ditaduras seriam só fumaça retórica. O tipo (aliás, o tipinho) que em coluna anterior chamei de

Guerrilheiro Liberalrecorre com frequência a esse lugar comum. Ah, diz ele, Bolsonaro tem esse jeitão meio tosco, sim, mas é seu estilo. Pois só assim, a base do grito e da grosseria, ele consegue se comunicar com o povo. Chega de finesse tucana! Liberal de verdade ostenta trabuco na cintura e não bebe refrigerante cor-de-rosa!

Pois o presidente do Senado, o chanceler e o Guerrilheiro Liberal estão certos. É tudo uma questão de estilo.Eles erram apenas ao sugerir que o estilo é desprovido de substância. Não é.O estilo é o homem, já dizia um naturalista francês. Ele se referia sobretudo à arte da escrita, mas, como raramente vemos o presidente escrever mais do que 280 caracteres, vale estender um tanto noção de estilo: os arranques verbais bruscos e brutos, o vocabulário chulo, o terno e o penteado mal-ajambrados, as piadas colegiais – tudo isso constitui o estilo bolsonariano. E Bolsonaro, o homem público, está todo aí.

Nesse sentido, Pacheco acerta, mais uma vez, quando diz que Bolsonaro é autêntico. Sempre foi. O então deputado talvez não estivesse sendo literal quando disse que FHC deveria ser fuzilado, ou que Maria do Rosário era feia demais para merecer o estupro. Mas essas tiradas tão sutis já prenunciavam a desídia no trato da vida humana que vem marcando o atual governo. headtopics.com

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Talvez nem seja preciso recorrer aos momentos mais infames da trajetória do presidente. Arriscaria afirmar que, no estilo de um homem, não existe elemento trivial. O pão com leite condensado na mesa sem toalha já o define por inteiro.

PUBLICIDADEEu acredito que Bolsonaro já mereceria o impeachment quando se apresentou uma reunião ministerial de chinelo de dedo e camiseta pirata do Palmeiras. Quando recusou a culinária japonesa para cozinhar miojo em um quarto de hotel em Tóquio. Quando fez, em uma live, uma piada cafajeste com uma menina.

Ou quando recebeu Romero Britto no Palácio do Planalto (por esse critério simples, aliás, o impeachment anterior teria contornado muita discussão técnica sobre responsabilidade fiscal).Estou me deixando levar por minhas idiossincrasias, eu sei. A vida política não pode se reger por caprichos estéticos.

A vida política é guiada por gente razoável como Rodrigo Pacheco.Rodrigo Pacheco, que diz aoEstadãoque não é o momento para uma CPI sobre o descalabro da saúde sob o comando de Bolsonaro e de seu obediente ministro Eduardo Pazuello. headtopics.com

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Será!? Que em 2021 ainda vai ter gente que , tem a coragem de votar no Bolsonaro , pra mais 4 anos ...te terror ... esse queima ou nao queima? Eu nunca vi nada de vcs dizendo q os roubos de Lula e sua corja merecem algo Só fala 💩💩 Desespero que fala? CarlaZambelli38 carlosjordy MPF_PGR AmendoncaMJSP

Galera achado que impeachment é pizza , pede toda semana . Parem de passar vergonha, se organizem e votem nas próximas eleições.