Coluna | Como ler um escritor que defendeu um genocida?

Coluna | Como ler um escritor que defendeu um genocida?

29/02/2020 22:11:00

Coluna | Como ler um escritor que defendeu um genocida?

Novelas do austríaco Peter Handke, Nobel de Literatura, renunciam o mundo da política em busca da beleza

: feminista, vegetariana, feroz opositora do governo de extrema-direita da Polônia, cujos livros se leem sem nenhum desconforto político.Mas como ler Handke? Como as opiniões políticas do autor informam sua obra e como o leitor deve reagir a elas? Como pode o leitor, ciente das opiniões criminosas de Handke, resistir à tentação da leitura censória e rancorosa da patrulha ideológica? Como desviar de argumentos embolorados em defesa de virtudes estéticas que, dizem, nada têm a ver com a política? A leitura de 

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Ensaio sobre a jukebox (tradução de Luis S. Krausz) e Ensaio sobre o louco por cogumelos (tradução de Augusto Rodrigues), duas novelas de Handke publicadas pela Estação Liberdade em novembro passado, poucas semanas após o Nobel, ajuda a elaborar melhor essas perguntas (ou a descartá-las e substituí-las por outras).

À primeira leitura, essas duas novelas ensaísticas não parecem ter nenhuma preocupação política. Handke se preocupa com a forma: ele trabalha exaustivamente a linguagem e constrói períodos longuíssimos, delicados, repletos de orações subordinadas. Seus narradores têm todo o tempo do mundo: se perdem, retomam assuntos passados e prestam atenção a cada palavra, à trilha sonora dos bares e aos cogumelos à beira do caminho.

Publicado em 1990, Ensaio sobre a jukebox acompanha um escritor que vaga por cidadezinhas geladas da Espanha à procura daquelas caixas de música que conhecemos dos filmes dos anos 1950. Ele quer escrever um ensaio sobre as jukeboxes, “capturar e fazer valer aquilo que uma coisa pode significar para uma pessoa e, sobretudo, aquilo que pode emanar de uma simples coisa”. Mas, em vez de escrever, ele passeia, perdido em memórias, recordações de quando era um estudante atarefado e, de repente, ouviu uma canção dos Beatles vindo de uma jukebox. 

Ensaio sobre a jukebox parece ser um ensaio sobre o ensaio, esse gênero literário que prefere “manter a distância, circundar, rodear”, “dar a seu tema um acompanhamento protetor a partir das bordas”. O ensaísta louco por jukeboxes (que, aliás, não é o narrador) procura por essas saudados caixas de música em bares periféricos, vazios, parados no tempo, em vizinhanças operárias ou cheias de soldados e imigrantes.

Já em Ensaio sobre o louco por cogumelos, publicado em 2013, o narrador relembra um amigo de infância que, na pobreza dos pós-guerra, ia à caça de cogumelos amarelos nas florestas austríacas para vendê-los e trocar o dinheiro por livros. A loucura micológica do amigo oscilou com o passar dos anos. Ele esqueceu os cogumelos quando se tornou um advogado atuante em tribunais internacionais, mas gostava de se refugiar na floresta, no meio dos cogumelos, para escrever suas peças jurídicas. A obsessão retornou quando ele topou com uma cogumelo porcino. A “existência fabulosa” do cogumelo porcino, dizia ele, “acentuava a realidade do dia”, como se essa estranha obsessão não se desdobrasse em delírios e turvasse a realidade, como costumam as obsessões, mas fincasse seus pés mais firme na realidade, tornando-o mais presente no mundo. Mas isso é o que ele diz — e é saudável desconfiar do que dizem os obsessivos sobre suas obsessões.

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