Cientistas políticos discutem a frente única em 2022

Cientistas políticos discutem a frente única em 2022

26/02/2021 15:00:00

Cientistas políticos discutem a frente única em 2022

Aldo Fornazieri e Marco Antonio Carvalho Teixeira discordam sobre a viabilidade de formação de uma coalização de centro-esquerda nas próximas eleições gerais

, gaúchoO que faz e o que fez: é professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Fez doutorado em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP) e foi organizador do livro

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A crise das esquerdasMARCO ANTONIO CARVALHO TEIXEIRA, baianoO que faz e o que fez: é professor e pesquisador do Departamento de Gestão Pública da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP). É doutor em ciências sociais pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP)

A eleição do deputado Arthur Lira para a presidência da Câmara selou a aliança entre o Palácio do Planalto e o centrão, grupo de parlamentares acusados de fisiologismo. Esse resultado enterra o sonho da formação de uma frente de centro-esquerda para enfrentar Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022? headtopics.com

ALDO FORNAZIERINão foi a vitória de Lira que inviabilizou a frente de centro-esquerda. Mesmo que tivesse vencido o deputado Baleia Rossi(MDB-SP), essa frente seria difícil. Os partidos se orientam por interesses próprios, e os interesses do PT não se casam com os interesses do PSB e Ciro Gomes, como dificilmente se casam com os interesses do PSOL. Talvez com o PCdoB. O PT acredita que tem chance de vencer as eleições e, por isso, busca alianças com setores mais de centro. Assim, essa frente não tem viabilidade no primeiro turno.

MARCO ANTONIO CARVALHO TEIXEIRANão enterra, o próprio centrão já mostrou que política tem muito a ver com conjuntura. Se estar próximo de Bolsonaro significar dificuldades para a reeleição, deputados do centrão mudam de barco sem nenhum constrangimento, como já fizeram outras vezes. Para além do cálculo das emendas eleitorais e dos cargos, deputado também faz cálculo eleitoral. Afinal, ficar sem mandato é perder totalmente os ativos.

Alguns partidos que se colocavam como lideranças de um projeto de construção de frente ampla, como PSDB, DEM e até o MDB, foram, na verdade, os que menos permaneceram unidos na eleição da Câmara. É possível acreditar que farão parte de um projeto de união?

PUBLICIDADEAFMesmo com as divisões e fragmentações e a derrota na disputa da presidência da Câmara, acredito que é possível que esses partidos se unam em 2022, pois é a única chance que eles têm de disputar um segundo turno. Se existirem vários candidatos nesse campo que eu enxergo como de centro-direita, o mais provável é um segundo turno entre o PT e Bolsonaro. headtopics.com

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MACTMe parece difícil, mas a conjuntura pode mudar. Hoje, o DEM virou uma geleia geral. Tem bolsonaristas, ciristas, adeptos de candidatura própria e também apoiadores do governador paulista, João Doria(PSDB). O PSDB mostrou que não há consenso em torno do Doria e trouxe de volta o deputado Aécio Neves

(PSDB-MG)ao centro do poder numa articulação em prol de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. O MDB está mais acanhado. O partido perdeu protagonismo, mas deve tomar rumo para uma candidatura tucana em função do acordo para as eleições da capital paulista. Não vejo hoje um candidato desses partidos que os unifique. Talvez algo de fora, como o Luciano Huck, encontre mais consenso, mas isso precisa ser combinado com o Doria, que já atropelou até Geraldo Alckmin em busca do sonho de ser presidente. Em suma, só com novidades na cena política eles vão andar juntos.

A reeleição de Jair Bolsonaro seria uma ameaça à democracia brasileira?AFSim, é e seria uma ameaça, mesmo que não seja através de uma ditadura. O presidente Bolsonaro vem minando e corroendo as instituições democráticas. Ele sufoca a imprensa, destrói e aparelha as instituições e mecanismos de controle, fiscalização e investigação, usa as instituições do Estado para proteger familiares e, além disso, agride recorrentemente preceitos constitucionais. Em minha opinião, esse processo se agravaria ainda mais num eventual segundo mandato.

MACTO governo Bolsonaro tem sido um governo de tensão e que testa os limites da relação entre os Poderes. Creio que hoje esse risco é menor, na medida em que tanto o Congresso como o Supremo Tribunal Federal vêm reagindo a ações que desafiam a normalidade democrática, como os casos das fake news das ameaças às instituições. O presidente tem alternado, como de praxe, momentos de tensionamento com sinalização de diálogo. Não podemos funcionar assim. headtopics.com

O que seria mais fácil de construir? Um acordo para ir junto no segundo turno ou uma frente única contra Bolsonaro já no primeiro turno?AFSem dúvida, o mais fácil seria costurar um acordo contra o presidente Bolsonaro no segundo turno. Enxergo uma frente única no primeiro turno como uma grande ilusão.

PUBLICIDADEMACTNeste momento, é mais fácil negociar uma ação estratégica para o segundo turno do que uma frente ampla como ponto de partida. A antecipação da campanha por parte do PT, por exemplo, dificulta essa construção à esquerda. A fragmentação do DEM cria obstáculos para que uma grande composição tenha a centro-direita como ponto de partida. Vive-se um cenário extremamente favorável ao bolsonarismo.

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Alguns dos nomes colocados como representantes dessa frente ampla são o de Doria, Huck e o do ex-ministro Sergio Moro, todos eles mais alinhados ao centro ou à direita. Dá para imaginar esses nomes conseguindo agregar forças da esquerda?

AFNo primeiro turno, não. Impossível. Se um desses nomes, hipoteticamente, disputar o segundo turno contra Bolsonaro, aí sim. Nesse cenário, imagino que estará em jogo a questão democrática e, nesse caso, não há como se omitir.

MACTMuito difícil. Doria não tem consenso nem em seu partido. Huck padece de ter por trás de si partidos e lideranças políticas que deem sustentação a seu projeto, que neste momento ainda é bastante duvidoso. Inclusive, o enfraquecimento do deputado Rodrigo Maia

(DEM-RJ), uma das lideranças políticas mais entusiasmadas com o projeto Huck, não o ajuda. Moro está sob desconfiança de praticamente toda a classe política. Tem restrições à esquerda e sofre muitas restrições nos próprios partidos de direita mais alvejados pela Lava Jato e que hoje formam o centrão.

O senhor acredita que, com influência no comando da Câmara e do Senado Federal, o presidente Bolsonaro conseguirá aprovar seus projetos prioritários e chegar a 2022 mais forte do que está atualmente?AFNo Senado, quase todos os partidos apoiaram o Pacheco. A influência de Bolsonaro não é exclusiva. Na Câmara, o centrão cobrará um preço alto pelo apoio. Mesmo com Arthur Lira, projetos autoritários não serão aprovados. Acredito que o presidente Bolsonaro chegará a 2022 com os cerca de 30% de intenção de voto que tem hoje.

MACTO maior problema de Bolsonaro é ele mesmo. Quando tudo parecia encaminhado para se retomar a agenda das reformas, eis que surge a crise da Petrobras, nascida das entranhas do próprio governo. Maioria, com os acordos feitos para eleger os presidentes das duas Casas, ele tem. Todavia, não basta isso. É preciso pacificar as relações políticas, inclusive com sua base original, e também ter interlocutores capazes de negociar sobretudo os projetos de reforma. Se inventar de trazer à tona a pauta de valores, assim como fez com o decreto de armas, certamente vai embaralhar o processo e travar a agenda como fez anteriormente.

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