Carlos Lamarca: há 50 anos era morto o guerrilheiro que marcou a vida de Bolsonaro - BBC News Brasil

Carlos Lamarca foi morto pela repressão da ditadura; a caçada a ele impressionou o adolescente Bolsonaro e inspirou sua vocação militar

17/09/2021 14:33:00

Carlos Lamarca foi morto pela repressão da ditadura; a caçada a ele impressionou o adolescente Bolsonaro e inspirou sua vocação militar

Em 17 de setembro de 1971, ex-capitão do Exército brasileiro que havia se engajado politicamente foi morto com sete tiros por agentes da repressão da ditadura militar então em vigor.

MitoMas é a própria polarização politico-ideológica da sociedade brasileira que deixa uma figura como Lamarca em proeminência. Se sua trajetória póstuma foi reconstruída pela redemocratização, sob os escombros dos porões da ditadura, o fato de ele ser recuperado como símbolo antagônico pelo atual presidente Bolsonaro garante a sobrevivência do mito.

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"O mito político não se baseia na razão, mas numa lógica afetiva. Não há neutralidade: ou você está a favor ou contra ele", diz o historiador Zenir Rodrigues dos Anjos Filho, que em 2003 defendeu, na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a dissertação de mestrado 'Carlos Lamarca: Significação, Mítica e História'.

"O mesmo argumento que coloca o mito como herói, coloca-o como bandido. O Lamarca é herói e é bandido. Ele sintetiza uma tragédia: se você procurar seus partidários, irão interpretá-lo como herói; adversários vão chamá-lo de demônio", explica. headtopics.com

Nesse sentido, os sete tiros não serviram para matar Carlos Lamarca. Porque mitos resistem à morte. "Todos os mitos ressuscitam", diz Anjos Filho. "Todos vencem a tragédia, e no caso de Lamarca isso ocorreu com o fim do regime militar."

E se a releitura dele estava já meio esquecida no imaginário, o fato de seu nome ter sido trazido à tona nos últimos anos pela biografia do atual presidente contribui para incensá-lo novamente. Porque, segundo Anjos Filho, "um mito só morre quando deixa de fazer sentido". "Ele se alimenta do oposto, do negativo. Se você tentar destruir um mito, você vai construí-lo cada vez mais", diz.

Para o historiador Victor Missiato, o mito Carlos Lacerda é calcado pelo fato peculiar de ele ter sido um "militar desertor" que teve "vitórias importantes enquanto guerrilheiro em ações contra bancos e também contra o Exército". "Ao longo do tempo, essas histórias foram construídas como a de alguém que desafiava a ordem autoritária, lutando por um ideal", pontua.

Mas ele mesmo ressalta que a historiografia "é um eterno campo de conflitos". "Com a ascensão de campos de direita ao poder, houve embates a uma certa leitura cristalizada que predominou entre os anos 1990 a início de 2000. Nesse sentido, podemos encaixar Lamarca como vilão e como herói", comenta. "Isso vai enriquecendo a figura do personagem, porque se de um lado ele é visto de uma forma e de outro, de forma diferente, as novas pesquisas vão enriquecendo sua biografia. Quem quiser fazer uma análise mais ampla consegue ter mais informações." headtopics.com

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"Nos últimos anos, sobretudo nos governos Dilma Rousseff e, agora, Jair Bolsonaro, houve tentativas, a partir de vitórias eleitorais, de reinterpretar a história daquele momento", diz o historiador, lembrando do passado de Rousseff como guerrilheira e a carreira militar do atual presidente do Brasil. "Com Bolsonaro, é mais forte ainda, quando ele ressalta um papel de capitão do Exército que não corresponde à sua trajetória dentro do Exército."

O historiador se refere ao fato de que a carreira militar de Bolsonaro foi curta e marcada por polêmicas. Documentos do próprio Exército, produzidos nos anos 1980, ressaltam que ele era avaliado por superiores como alguém com "excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente", além de ser visto como dono de temperamento agressivo. Em 1986, ele chegou a ser preso por 15 dias. Em 1988, foi para a reserva — a partir de então, empreenderia uma carreira política.

Crédito,Legenda da foto,Trajetória de Lamarca marcou a adolescência de Jair BolsonaroFrisando que foram três vítimas fatais das atividades de Carlos Lamarca, o historiador e militar Sérgio Marques afirma que ser chamado de "Che Guevara brasileiro" não deve ser motivo de orgulho. "Porque Che Guevara era um homem que matava pessoas, infringia direitos humanos, não respeitava valores humanitários", acusa.

"Mas a figura de Lamarca acabou sendo tomada pela esquerda como uma grande referência. Evidentemente, ele tinha um ideal. Se era certo ou errado, isso é outra coisa. Mas ele era um idealista, acreditava naquilo que fazia", considera. "No meu modo de ver, não é correto pegar em armas e matar outras pessoas." headtopics.com

Emiliano José, seu biógrafo de primeira hora, ressalta que Lamarca é "parte da história brasileira e, inegavelmente, um grande símbolo de todos os que tombaram ao longo da caminhada na luta contra a ditadura", dentre os "covardemente assassinados" pelas forças repressoras.

"Podemos e devemos analisar os equívocos de sua trajetória, mas isso, esses caminhos trilhados durante a luta, só são possíveis de serem reconhecidos muito à frente, com os anos já passados", pondera José. "Fato é que ele se revoltou contra a ditadura, as mortes, as torturas e os desaparecimentos de pessoas, quadro patrocinado sobretudo pelo Exército brasileiro, pelas Forças Armadas."

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"Seu lado, o do combatente, do sujeito indignado frente aos crimes da ditadura, esse lado ninguém poderá apagar jamais. Compõe a história do Brasil", afirma. "É inegável que as classes dominantes tentem tratar [personagens assim] como bandidos. Mas não há como. A ditadura foi um regime de terror e morte. E eu sei o que é isso, como sobrevivente, porque passei quatro anos em uma prisão e fui torturado."

Emiliano José ressalta que 50 anos, para a história, é muito pouco. Portanto, a biografia de alguém como Carlos Lamarca permanece "em construção" — não à toa, seu livro, cuja primeira edição data de 1980, já teve outras 17 edições, todas com muitas alterações e ampliação de conteúdo.

Para a historiadora Nascimento, é preciso relativizar: "as memórias das esquerdas sobre a ditadura civil-militar tendem a ser mais simpáticas aos opositores, apesar disso a gente tem de ressaltar que as organizações revolucionárias de luta armada têm constantemente os seus objetivos e suas estratégias desvirtuadas pelos discursos memoriais".

"Lamarca parece ser muito importante para as esquerdas atuais, mas seus pensamentos e convicções são apagados do processo", acrescenta ela."Para os mais progressistas, ficou a imagem do capitão que queria romper com sua vida legal, sua família, sua carreira, em nome de uma luta contra a ditadura. Há um apagamento do lado mais radical de Lamarca, isso porque ainda que dentro das esquerdas, o radicalismo, a tentativa de revolução, quando colocada em prática de fato, e a implementação do socialismo pela via revolucionária, são consideradas táticas violentas demais", afirma.

Nascimento diz que "para as esquerdas atuais", a biografia de Lamarca assume aspectos "mais brandos". "Um 'Che Guevara' menos revolucionário, com o único e digno objetivo de pôr fim ao regime autoritário, libertar a população brasileira reinstaurando a democracia como ela era conhecida antes", explica. "Não era o que de fato Lamarca pretendia."

"Por muitos anos a narrativa de memória hegemônica sobre a ditadura foi advinda principalmente das esquerdas liberais, que valorizavam todas as tentativas de resistência", acrescenta. "Porém, nos últimos anos, sobretudo depois de 2013, vozes que antes estavam subterrâneas ou não encontravam lugar e legitimidade nos debates públicos ressurgiram com mais força, com um discurso de valorização da ditadura. Negando que tenham havido assassinatos, desaparecimentos e o uso da tortura como política de Estado."

Ela explica que foram esses mesmos discursos, à direita, que passaram a ressaltar "as eventuais mortes de soldados e civis que ocorreram durante as ações revolucionárias". É um cenário que ela classifica como "batalha por memórias".

Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,Lamarca foi 'completamente avesso ao golpe civil-militar de 1964'; ele foi morto com sete tiros por agentes da repressão da ditadura militar então em vigorIara IavelbergA historiadora Nascimento está pesquisando, na Universidade Federal Fluminense, a biografia de Iara Iavelberg. "Se você tem a impressão de que pouco se fala sobre os outros militantes que atuavam com Lamarca, imagine o que sobra então para as militantes mulheres", comenta. "Principalmente o caso da Iara: que ficou única e exclusivamente conhecida como companheira de um líder, e ainda é lembrada dessa forma."

"É uma personagem fascinante", concorda o jornalista Emiliano José. Nascida em uma família de comerciantes judeus de São Paulo, em 1944, ela casou-se aos 16 anos com um médico de 25. Em 1963, ingressou no curso de psicologia da Universidade de São Paulo.

"Ficava na Rua Maria Antônia [em São Paulo], o maior epicentro social e político universitário da época", pontua Nascimento. "Lá ela entrou em contato com um mundo novo, ampliou referências sociais e políticas e encontrou formas de se libertar de seu casamento tão restrito, com casos extraconjugais e engajando-se nas organizações de esquerda." Desquitou-se em 1965.

Iavelberg passou a integrar grupos de estudo e células esquerdistas. A partir de 1965, lecionou em cursinho pré-vestibular organizado e conduzido por militantes da USP. "Há relatos de que ela fomentava muitos debates políticos e comportamentais entre os alunos, falando de pílula anticoncepcional e da Guerra do Vietnã", diz Nascimento.

Tornou-se líder estudantil e, depois de formada, passou a lecionar psicologia nas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e na Universidade Metodista, além da própria USP, como instrutora voluntária. Em 1968, foi para a clandestinidade.

"Esteve muito próxima de militantes como Dilma Rousseff", diz Nascimento. Na historiografia, é forte a tese de que ela teria sido responsável por subsidiar a formação intelectual de cunho marxista de Carlos Lamarca, durante o período em que tiveram um relacionamento amoroso. Apesar de ser fato que ela realmente encarregou-se da formação teórica de quadros guerrilheiros, Nascimento diz que é preciso lembrar que "o próprio Lamarca era muito dedicado e corria muito atrás para aprofundar suas informações, que ele mesmo considerava muito básicas".

"Ela não dava aula para ele. Mas eles discutiam muito [os temas] entre si", pontua.Sua morte, em 20 de agosto de 1971, praticamente um mês antes da de Lamarca, em Salvador, é bastante controversa. Oficialmente, de acordo com a certidão de óbito, teria sido suicídio com um tiro — para evitar ser presa pelos agentes da repressão em uma operação. Por conta disso, ela foi sepultada em ala reservada asuicidas no Cemitério Israelita de São Paulo.

Em 2003, depois de uma batalha judicial, a família conseguiu a exumação do corpo, com perícia para investigar a sua causa-mortis. Um especialista em medicina legal concluiu que o tiro que a matou foi disparado de longa distância. Seus restos mortais foram, então, removidos do espaço reservado aos suicidas e sepultados novamente na proximidade dos túmulos de seus familiares.

Para a historiadora Nascimento, estudar a trajetória de Iavelberg é retirar uma mulher da invisibilidade. "Embora ela tenha tido uma militância, principalmente teórica, anterior ao Lamarca, e tendo se mantido na militância por escolha dela, mesmo durante o relacionamento amoroso com ele, todas as notícias que saíam a seu respeito a retratavam como uma pessoa que usava seu sex appeal para influenciar as decisões políticas do Lamarca", enfatiza. "As informações estava sempre atreladas à figura dela, como sexy, sensual, bonita, e foi criada uma imagem fútil dela para deslegitimar ainda mais a imagem dele. E toda a história [de Iavelberg] foi apagada."

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A partir desta segunda-feira (18), os alunos das redes estaduais de São Paulo, Bahia e Mato Grosso voltam às aulas 100% in loco - além deles, mais 11 Estados optaram pelo presencial. Urgência no retorno às escolas é para garantir acesso a mais de 5 milhões de estudantes privados à educação durante a pandemia.

Que matéria absurda, fazer um paralelo entre jairbolsonaro e Lamarca é o mesmo que comparar Lula a Jesus. Lamarca foi um traidor, terrorista e mereceu o que teve, pena que outros que hoje ai estão e que destruiram o Brasil, não tiveram o mesmo fim. Quem diria um menino pobre do interior se tornar o presidente mais amado do Brasil 💚🇧🇷 BolsonaroAte2026

E Obrigado exercitooficial marmilbr fab_oficial. Parabéns pelo feito histórico! Está no inferno agora👏👏👏 Quando no título disseram “engajado politicamente” querem dizer guerrilheiro comunista que queria implantar uma ditadura como a de Cuba. A BBC tentando transformar um desertor, traidor e assassino em herói . Não vão conseguir pois vamos contar a verdade.

Um anjo que se foi não é mesmo. Olá, eu sei. Pouco tempo antes deste fato, Lamarca e o seu grupo passou por aqui, Caetité. Eu estive no acampamento com mais 03, levando mantimentos. Só fiquei sabendo q era Lamarca quando cheguei em Salvador. Ele tombou numa tocaia a cento e poucos km daqui. Bora❗ Lamarca era terrorista, tocava o terror

incrível né como os bot do carluxo são ágeis né. cheio de bot bozonoia na noticia já

Carlos Bolsonaro fica noivo de gaúcha de 25 anos e casamento surpreende ex, diz jornal - ISTOÉ IndependenteGeórgia Paiva Azambuja, neta de políticos tradicionais e filha de produtores rurais de Bagé, no Rio Grande do Sul, está noiva de Carlos Bolsonaro. As informações são do jornal “Zero Hora”. O casamento, marcado para 26 de março de 2022, foi revelado por um tia dela, Rosane Oliveira. De a acordo com o publicação. a […] do nada..hahahahaha fofocalizando !!!!!!!!!! Coita de entrar nesse barco furado.

Obrigado Exército Brasileiro, mandou um comuna treinado em Cuba pro inferno Apenas um bandido morto! Queima no inferno até hoje... Por que não usam a alcunha devida: um guerrilheiro de extrema-esquerda? Quê? 🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣 Um lambe botas desde sempre o “nosso” presidente Há crimes ainda não julgados! Ditadura nunca mais!

Se inspirou na caçada e morte de um terrorista, esse é o nosso herói.

Sucuri digerindo animal é flagrada por empresário em rio de águas cristalinas, em BonitoJuca Ygarapé tem hábito de fotografar as serpentes gigantes há mais de 20 anos. Ele acredita que animal engolido era uma capivara. Saudades quando os animais comiam genten Empresário é um povo chato prá caramba. Não deixa em paz nem as sucuris.

Alguém precisa avisar o Te. Cel Sergio Marques que Pms matam pessoas inocentes , infringem direitos humanos, e não respeitam valores humanitários ATÉ HOJE! Sendo que no RJ é quase uma regra! BBC , onde foi parar o jornalismo. 'interesse militar', vocação não, de forma alguma. É só falar das atrocidades da ditadura militar que aparecem todos os excrementos fecais para defendê-la. Voltem para o lugar de vocês que é o esgoto, zumbis da ditadura militar. Canalhas.

Terroristas amados pela mídia! Carlos Lamarca NUNCA lutou por Liberdade, lutava para instalar a Ditadura do Proletariado no Brasil! Carlos Lamarca era socialista/comunista e pertencia a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR)! Lamarca era terrorista e assassino! PAREM DE EXALTAR BANDIDOS!!! Inspirou o caralho, se tivesse inspirado de fato não teríamos um miliciano filha da puta na presidência.

Um assassino traidor! Teve o fim que merecia!!!! Que fim melancólico de boa parte da imprensa brasileira Lamarca matou muito inocentes.

Oposição à agência antiterrorismo de Bolsonaro une policiais e esquerda - BBC News BrasilUm projeto de lei prevê a criação da Autoridade Nacional Contraterrorista, mas críticos veem risco de uso para perseguição política e apontam uma 'série de inconstitucionalidades' na medida Essa coisa de terrorista é pretexto dos EUA para entrar quebrando tudo. Explodem uma bomba e entram com o exército dominando. Papo furado.

Bandido enaltecido pela mídia, composta por “jornalistas”… Não faz falta nenhuma. Foi tarde. Guerrilheiro = Terrorista Foi a revelação dos delírios do Jair para se tornar o que é hoje. Lamarca pegou em armas para mudar um sistema, portanto foi sim um terrorista. Meu pai sempre disse que aquele que não tem vocação para uma atividade útil à sociedade, vai ser militar para poder continuar brincando de soldadinho. Nunca fez tanto sentido.

Lamarca morreu tarde demais... Um guerrilheiro a menos Nossa... CNN Brasil pagava de isentona, imparcial quando veio para cá e olha o lixo que virou.

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