BBC resgata vozes e sambas esquecidos dos soldados brasileiros na 2ª Guerra - BBC News Brasil

Gravações raras e pouco conhecidas colhidas na Itália por correspondente de guerra em 1944/45 são disponibilizadas; historiador saúda 'material fantástico'.

28/11/2021 09:13:00

Se a campanha brasileira na Segunda Guerra é pouco estudada, menos ainda se sabe sobre aqueles que participaram dela. A BBC trouxe à tona as vozes e histórias destes militares. ArquivoBBC

Gravações raras e pouco conhecidas colhidas na Itália por correspondente de guerra em 1944/45 são disponibilizadas; historiador saúda 'material fantástico'.

EpisódiosFim do Podcast"Uma coisa é passar anos estudando ou lendo sobre o assunto, outra é realmente ouvir esses registros. A variedade de tópicos, de situações... têm de tudo... desde reportagens relidas por correspondentes de guerra, seleções musicais, eventos, missas, humor, personagens, serviço médico... um material fantástico. É um estímulo a outros pesquisadores."

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Para Vinicius Mariano de Carvalho, professor e pesquisador do Brazil Institute do King's College, em Londres, que ajudou a BBC a recuperar esse material e está publicando um trabalho focado nas músicas compostas pelos pracinhas, as gravações de Hallawell "nos aproximam demais do que viveram esses soldados na guerra".

"O som do acampamento, da panela ao fundo, pessoas falando... é a única imagem que a gente tem do universo sonoro desses pracinhas. Esse material é extremamente importante, possivelmente o único documento sonoro que dá voz ao soldado brasileiro na Itália." headtopics.com

As gravações resgatadas totalizam pouco mais de quatro horas de áudio. São 12 programas de duração e temas variados com material gravado durante os oito meses de campanha militar dos 25 mil integrantes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália.

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'Cartas, pessoal!'Parte desse material foi transmitido ao Brasil por rádio durante a guerra, como por exemplo as reportagens que mostram uma distribuição de cartas e a "hora do rancho" em um acampamento, a visita a um hospital - transmitida para o Brasil na noite de Natal de 1944 - e o registro de uma missa na Catedral de Pisa, em que mais de mil soldados e oficiais, com a presença do comandante da FEB, general Mascarenhas de Morais, cantaram o Hino Nacional.

Um dos mais curiosos é o programa com um show de variedades celebrando a vitória, realizado no clube da FEB em Alessandria, no norte da Itália, quando os soldados aguardavam o retorno ao Brasil. O programa segue a linha de shows de rádio ao vivo populares na época, com concurso de calouros, música e muito humor, e foi gravado especialmente "para as famílias (dos expedicionários) no Brasil, enquanto espera-se o grande dia do embarque".

Crédito,1SgtNahon-AHExLegenda da foto,'O som do acampamento, da panela ao fundo, pessoas falando... é a única imagem que a gente tem do universo sonoro desses pracinhas' | Foto: 1SgtNahon-AHEx/Exército BrasileiroMas boa parte dos programas foi montada mais tarde, quando os soldados já tinham sido desmobilizados e retornado a suas cidades, como as homenagens aos três regimentos de infantaria da FEB - o 1º, também conhecido como Regimento Sampaio, baseado na então capital, Rio de Janeiro, o 6º, baseado em Caçapava (SP) e o 11º, de São João del-Rei (MG), recontando suas campanhas com depoimentos e dramatizações feitas no estúdio da BBC. headtopics.com

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O material do "Chico da BBC" deu impacto às transmissões da Seção Brasileira da BBC em ondas curtas. Eram três horas diárias de transmissão, sempre à noite, no horário nobre dos anos de ouro do rádio no Brasil. Havia notícias, programas de variedades, música, radioteatro e "cerca de 15 minutos dedicados ao noticiário sobre a guerra", segundo o livro

Vozes de Londres, de Laurindo Lalo Leal Filho, que conta a história da Seção Brasileira da BBC desde sua criação, em março de 1938.As notícias que os brasileiros ouviam sobre a guerra eram traduzidas do inglês, o que, segundo Rose Esquenazi, professora da PUC-Rio e autora de

O Rádio na Segunda Guerra: no ar, Francis Hallawell, o Chico da BBC, longe de ser um problema, ajudou a dar crédito ao conteúdo."A BBC trouxe maior equilíbrio. Falava quando um navio inglês era afundado", diz ela à BBC Brasil. "As pessoas sabiam que havia a censura do Estado Novo. Se você ouvia em outra rádio, a notícia seria mais parcial. Os brasileiros sentiam que o noticiário da BBC era mais isento."

As vozes dos combatentes brasileiros e as crônicas enviadas por Hallawell "traziam humanidade" nessas transmissões. "As pessoas queriam que a guerra acabasse, e o Chico trazia as informações lá do front, onde estavam os filhos, os maridos e os noivos", afirma Esquenazi. headtopics.com

'Ô Félix, tá caindo muita coisa no front?'Hallawell, nascido em Porto Alegre e educado parcialmente na Inglaterra, falava português com um leve sotaque britânico, mas sua voz, diz Esquenazi, "tinha certa intimidade com o ouvido do brasileiro".

Legenda da foto,'As pessoas queriam que a guerra acabasse, e o Chico trazia as informações lá do front, onde estavam os filhos, os maridos e os noivos'Apesar de muitos soldados estarem "lendo" suas falas - em particular nos programas feitos em homenagem aos regimentos de infantaria -, a impressão que fica no ouvinte é de que eles se comunicam com "Chico" de forma aberta e direta.

Para Francisco Ferraz, as gravações ajudam a traçar um perfil mais nítido dos pracinhas."Esse perfil é um dos pontos sobre o qual menos temos informações, a documentação da FEB não é muito pródiga nisso. Em vários momentos (nas gravações), há o cuidado de se perguntar o nome e a origem do soldado, a cidade de onde vem, o que ele fazia..."

"Nos anos 1940, o Brasil era muito diferente, tínhamos uma população pouco alfabetizada. Dados estatísticos indicam que, apesar de restrições do Exército, 6% dos soldados eram analfabetos. Quando você vê essa gente simples, que enfrentou temperaturas que nunca tinha enfrentado, nunca havia treinado para combater em montanhas - bem diferente a combate em terra plana -, vê que esses jovens pertencem ao coração do povo brasileiro, no sentido de sua extração."

Vinicius Mariano de Carvalho aponta para a riqueza "fabulosa" das gravações do expedicionários fazendo música. "Nos dá a dimensão da expressão humana musical que esses soldados estão encontrando e fazendo no meio do campo de batalha".

Hallawell e Farley gravaram 16 músicas em pelo menos quatro locais diferentes na Itália. Treze dessas canções, em sua maioria sambas e marchinhas, foram compostas por pracinhas."Música e guerra andam a par e passo", diz Carvalho. "Ela exerce uma função catártica incrível."

Legenda da foto,'Música e guerra andam a par e passo' | Foto: Exército Brasileiro"A FEB tinha uma banda de música, formada por cerca 60 músicos. Essa banda se desmembrava em pequenos grupos para tocar em acampamentos e circular com mais facilidade. Uma delas era a orquestra de jazz, formada pelo pessoal do regimento de São João del-Rei (o 11º), quase imitando uma

big bandamericana."As orquestras militares eram comuns na Segunda Guerra. O conhecido músico americano Glenn Miller dirigiu a banda da Força Aérea americana na Europa - e morreu em um suposto acidente quando seu avião desapareceu em um voo de Londres a Paris em dezembro de 1944.

Um dos programas diz, entretanto, "ser interessante notar que os brasileiros são os únicos de todos os combatentes na Itália que escrevem suas próprias canções". Carvalho diz ser "difícil saber" se a afirmação procede, mas que os pracinhas fizeram na Itália "o que se fazia no Brasil, com incorporação de termos em italiano, com narração do cotidiano que eles estão vivendo".

"É uma rica transposição de uma vivência musical do Brasil para lá", diz o pesquisador, salientando "a grande relação de mútua troca" entre brasileiros e italianos.Não se ouve a palavra "alemão" nos sambas. Ouve-se "tedesco" - como nos sambas

Tedeschi Portare ViaTedesco Levante o Braço. "Ou 'paúra', em vez de 'medo'.""Há um fator que não podemos negligenciar dessa união, que é o catolicismo", pondera Carvalho. "A Itália é extremamente católica, o Brasil é eminentemente católico. É comum a narrativa de famílias italianas que abrigavam os brasileiros, compartilhando o que tinham na mesa, rezando o terço juntos."

"Outra coisa é a facilidade da língua. De todo o contexto do 5º Exército (americano, ao qual a FEB se juntou) e seus aliados, um grupo extremamente multicultural - com indianos, poloneses, neozelandeses, americanos, ingleses, canadenses - a única língua neolatina é o português. O entendimento foi facilitado por essa raiz comum na língua."

Crédito,1SgtNahon-AHExLegenda da foto,'Aí cheguei, me aproximei do Hitler e falei assim: Seu Hitler, o senhor completamente embriagado! Um homem de cartaz na Alemanha. Por que o senhor bebe tanto assim?' | Foto: 1SgtNahon-AHEx/Exército Brasileiro

As composições próprias, segundo Mariano de Carvalho, em sua maioria "são músicas humorísticas, ironizando os alemães ou louvando as batalhas que fizeram". Dessas, ele destacaOnde Vi Muito Tedesco, uma embolada que descreve passo a passo a tomada de Monte Castello. "É uma música fantástica. Narra detalhadamente as linhas de defesa, o avanço da tropa, a aviação 'que criou muita confusão', o Major Syzeno Sarmento, comandante de um os batalhões... e assim vai."

As exceções são, uma surreal conversa entre um soldado e um cadáver, o emocionante sambaLembrei('Se algum dia eu voltar/ jamais eu hei de pensar/ nas crises que eu passei/ pela vitória da pátria que tanto amei/ E será nobre dizer/ quando meu filho crescer/ a história de seu pai/ que com muito sacrifício/ buscou em seu benefício/ a vitória e a paz...), composto por um soldado morto em Monte Castello, Alcebíades Sodré, e apresentado pelo grupo de jazz da FEB no show de variedades em Alessandria.

"É um samba bem dramático, dolente, como se (o autor) estivesse prevendo que fosse morrer", diz Mariano de Carvalho.MenosprezoOs especialistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que essas gravações podem ajudar a reverter o que Mariano de Carvalho chama de "tendência a menosprezar a participação brasileira na Guerra".

Francisco César Ferraz diz que essa reversão já está em curso há alguns anos, e que as gravações "vêm em hora oportuníssima"."Durante muito tempo, a historiografia universitária, que é a que dita os tópicos que serão valorizados (no ensino escolar de História do Brasil, por exemplo), desprezou a participação brasileira na Segunda Guerra."

Uma explicação para esse "desprezo" seria o fato "de parte da cúpula do golpe de 1964 ter pertencido à FEB". "Há essa associação, a meu ver errada, entre militares da FEB e militares que patrocinaram o regime militar. Na FEB havia de tudo. Havia células comunistas dentro da FEB. Dois dos dirigentes nacionais do PCB pertenceram à FEB, Salomão Malina e Jacob Gorender."

"No últimos dez anos houve um volume crescente de interesse pela participação na FEB e na FAB (Força Aérea Brasileira, que também esteve na Itália). E isso começou a repercutir no material didático. O número de documentários sobre a FEB e a participação do Brasil na Segunda Guerra aumentou bastante."

Crédito,1SgtNahon-AHExLegenda da foto,No retorno ao Rio de Janeiro, expedicionários desfilaram em meio a grande entusiasmo da população | Foto: 1SgtNahon-AHEx/Exército Brasileiro"Provavelmente é uma questão geracional. A geração mais jovem não tem o ranço, aquele rancor contra as Forças Armadas, da geração anterior."

Um exemplo da retomada das produções sobre o assunto são os livros (1942: O Brasil e sua Guerra quase Desconhecida

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