A crise de saúde mental em Santa Maria após incêndio na boate Kiss - BBC News Brasil

A crise de saúde mental em Santa Maria após incêndio na boate Kiss

27/01/2022 14:27:00

A crise de saúde mental em Santa Maria após incêndio na boate Kiss

Nove anos depois do incêndio da Boate Kiss, a cidade gaúcha de Santa Maria enfrenta um dos efeitos mais duradouros da tragédia: o impacto na saúde mental. Hoje a cidade tem dois serviços especializados que são referência nacional em atenção pós-traumática.

EpisódiosFim do PodcastO professor Vitor Crestani Calegaro, do Departamento de Neuropsiquiatria do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), vinculado à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), viu nascer naquele dia o embrião do que viria a ser o Centro Integrado de Atenção às Vítimas de Acidentes (Ciava).

Na noite do incêndio, ele concluía o período de residência na instituição e engajou-se nas operações de socorro. "O atendimento de emergência durou uma semana. Depois, voltamo-nos para as pessoas internadas. Num terceiro momento, foi organizado o serviço ambulatorial. Psiquiatras voluntários, ex-professores, ex-alunos dispuseram-se a ajudar", relembra.

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Cliente chama dono de quiosque de ‘macaco’ durante discussão

Em Taguatinga, no Distrito Federal, uma mulher xingou um vendedor de açaí, de 22 anos, de “macaco”, entre outros absurdos. A vítima filmou as agressões verbais, que podem ser enquadradas como crime de injúria racial, quando a ofensa atinge a dignidade de uma pessoa por sua raça, cor ou etnia. A pena prevista é de um a três anos de prisão. Hugo Evaristo tem os detalhes. Consulte Mais informação >>

A tragédia é a impunidade! Então... a condenação dos réus não foi a solução, até pq não foi um homicídio intencional. Condenar os réus foi ato de vingança e ódio - e para apaziguar os familiares mais exaltados da Associação, já que muitos outros já deram 'a volta por cima'. E o prefeito ?!?!?! mas também, meu amigo... mais de 200 mortos jovens e de uma forma trágica. Imagina pras famílias que perderam mais de uma pessoa nesse ocorrido. Vi o caso de pais que perderam os dois filhos... imagina ter que conviver com esse fato

A equipe da BBC News Brasil lê para você algumas de suas melhores reportagens Episódios Fim do Podcast O professor Vitor Crestani Calegaro, do Departamento de Neuropsiquiatria do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), vinculado à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), viu nascer naquele dia o embrião do que viria a ser o Centro Integrado de Atenção às Vítimas de Acidentes (Ciava). Na noite do incêndio, ele concluía o período de residência na instituição e engajou-se nas operações de socorro. "O atendimento de emergência durou uma semana. Depois, voltamo-nos para as pessoas internadas. Num terceiro momento, foi organizado o serviço ambulatorial. Psiquiatras voluntários, ex-professores, ex-alunos dispuseram-se a ajudar", relembra. O Ciava, segundo Calegaro, surgiu por iniciativa de professores da UFSM e servidores de diversas áreas do HUSM. "Desde o início, pensamos que deveria haver atendimento de longo prazo e de caráter multiprofissional, com especialidades médicas e não-médicas, como Fisioterapia, Fonoaudiologia e Enfermagem. Esse é um grande diferencial do nosso serviço: atendemos em conjunto, com diversos especialistas. Não existe um lugar no hospital chamado Ciava. Somos uma equipe muito unida, fazemos reuniões e trabalhamos de forma coordenada", explica. O aprendizado de Santa Maria na resposta a situações de dor e trauma é reconhecido nacionalmente e foi empregado em outras emergências. Dassoler, do Santa Maria Acolhe, esteve em Mariana, Minas Gerais, depois do rompimento da barragem do Fundão, e em Chapecó, Santa Catarina, após a queda do avião com jogadores da Chapecoense, em 2016. "Há muitas semelhanças entre os episódios, mas também diferenças. São cidades menores, e no caso de Mariana o fator desencadeador foi uma grande empresa (a Vale S.A., proprietária da barragem) e não um pequeno negócio. Em todas, porém, há o impacto da urgência, porque esses acontecimentos rompem a rotina não apenas das pessoas, mas da cidade", afirma. Do município de Chapecó, Dassoler recebeu uma medalha de agradecimento, que doou à Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AAVTSM). O secretário de Saúde de Santa Maria, Guilherme Ribas, diz que a concepção de atendimento em rede, fundamental no estágio atual do Santa Maria Acolhe, é a principal lição em termos de atendimento à saúde mental após o incêndio da Kiss. Crédito, TJRS Legenda da foto, Detalhe do julgamento dos réus da Kiss: a sobrevivente Jéssica Montardo Rosado (de costas) presta depoimento "Sabemos que pacientes atendidos nessas situações chegarão, em algum momento, à alta. Nesse momento, precisarão ser acompanhados por meio de unidades e profissionais próximos de seus locais de residência, sejam postos de saúde, ambulatórios, serviços mantidos por instituições de ensino", argumenta. No caso de Santa Maria, a prefeitura já trabalha com a possibilidade de acionar essa rede para atender a uma eventual demanda reprimida na área de saúde mental depois de dois anos de pandemia de Covid-2019. No julgamento de dezembro, duas equipes de filmagem da TV Ovo, oficina audiovisual comunitária sem fins lucrativos criada há 25 anos, gravaram o deslocamento de ônibus e as reações de sobreviventes e familiares ao andamento das sessões. Um dos fundadores da produtora, o jornalista e cineclubista Marcos Borba participou das gravações. "Temos uma relação muito próxima com os familiares, especialmente nos últimos cinco ou seis anos, e nos sentimos na obrigação de mostrar como reviveriam o trauma. Depois da perda dos filhos e parentes, o julgamento talvez tenha sido a maior dor enfrentada por essas pessoas", diz Borba. "A gente conseguiu captar momentos de muita raiva, angústia, explosão emocional, sentimentos à flor da pele." No momento, a TV Ovo negocia com uma plataforma de streaming o lançamento do documentário em formato de série ainda este ano. Já assistiu aos nossos novos vídeos no