A armadilha iliberal | Fernando Schüler

Fernando Schüler: A armadilha iliberal

18/09/2021 14:00:00

Fernando Schüler: A armadilha iliberal

À direita ou à esquerda, uma boa síntese dos novos iliberalismos poderia dizer: nós somos o lado certo da história, logo não precisamos de vocês

Atualizado em 16 set 2021, 21h04 - Publicado em 18 set 2021, 08h00PELA DEMOCRACIA - Isaiah Berlin: “Nenhum preço a pagar é alto demais - Memorial Portrait Gallery - London/DivulgaçãoPublicidadeHaveria mesmo um “iliberalismo” de esquerda? Ou “progressista”? É a pergunta que a revista

Maduro chama Bolsonaro de imbecil por dizer que vacina provoca Aids; veja vídeo Senador flagrado com dinheiro na cueca pede ao STF extinção de processo que investiga desvio de recursos para pandemia Apple e Samsung são notificadas pelo governo novamente após venda de celulares sem carregadores

The Economistfez dias atrás, com direito a chamada de capa. Por óbvio, a discussão não dizia respeito à esquerda hardcore, que gosta do modelo cubano. A questão é mais sofisticada. Ela diz respeito à corrosão de certos valores liberais que nos acostumamos a ver andando junto com as democracias e que historicamente foram defendidos pelo progressismo democrático. A liberdade de expressão era um deles. Outro era a recusa dos rituais de “purificação” da cultura. Coisas como a imensa fogueira com livros do Asterix e da Pocahontas, no Canadá, de que tivemos notícia por estes dias.

O tema é interessante por muitas razões. Nos acostumamos, nos últimos anos, a associar o iliberalismo à “nova direita”, ligada a tipos como Trump e o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán. Eram eles que andavam “corroendo a democracia por dentro”. Impondo “valores cristãos”, combatendo a “sexualização das crianças”, exalando um nacionalismo cafona, desafiando ritos institucionais e regras eleitorais. headtopics.com

O conceito do iliberalismo apareceu em grande estilo nos anos 90. Fareed Zakaria sintetizou o tema em um artigo na revistaForeign Affairs, em 1997, dizendo que “a democracia está florescendo, o liberalismo constitucional não”. Estaríamos diante de um divórcio: fazem-se eleições, há partidos funcionando, mas um pouco abaixo da superfície vão se relativizando pilares essenciais das democracias liberais modernas: os freios e contrapesos, as garantias constitucionais, liberdade de pensamento, de reunião e de propriedade.

Vale aqui uma distinção. A democracia diz respeito basicamente a “quem governa” e às relações de poder na sociedade. A estrutura política, partidos e a alternância dos governos. O liberalismo supõe um programa muito mais amplo. Tem a ver com a limitação do poder, indo mesmo muito além das garantias constitucionais. Ele supõe uma agenda não escrita de valores envolvendo o respeito à pluralidade de visões de mundo, a tolerância cultural e uma interferência apenas muito moderada do Estado na liberdade das pessoas, inclusive no terreno econômico.

É precisamente nessas regras não escritas, da “civilidade liberal”, na boa definição que li, que estaria o calcanhar de Aquiles do iliberalismo progressista. Seus pecados são conhecidos. Aceita-se prender um jornalista “do outro lado”, sem perguntar muito o porquê; topa-se queimar livros e vetar trabalhos acadêmicos “incorretos”, banir divergentes da internet, desmonetizar canais que não dizem a “verdade”, trocar o nome de escolas e derrubar monumentos de quem não atende aos (atuais) padrões morais. A lista é longa; promover “cancelamentos”, humilhando pessoas das quais se discorda, impor padrões de fala, exigir reservas de mercado para certos grupos, alegar um direito vago a não sofrer “microagressões” em universidade e ambientes de trabalho.

Há quem diga que tudo isso é positivo e anuncia uma nova sociedade livre de preconceitos que o excesso de liberdade só tende a favorecer. Cada um pode julgar. Há muito adquiri o gosto por explicitar um problema e deixar que as pessoas cheguem a suas próprias conclusões. headtopics.com

Argentina em transe: peso tem a maior desvalorização da história Polícia Civil do DF confirma troca de bebês em hospital de Planaltina, sete anos após partos Cão destrói livro ‘Como treinar seu cachorro’ no momento da entrega, antes que tutor possa ler - Emais - Estadão

“O novo iliberalismo tem aversão ao pluralismo de ideias”Há quem argumente que o recuo iliberal do progressismo atual surgiu exatamente como reação à onda conservadora que tem marcado as democracias. Michael Powell escreveu um longo artigo no

The New York Timesmostrando como mesmo a icônica American Civil Liberties Union, que defendeu desde o direito à expressão dos comunistas, na era do macarthismo, até a Ku Klux Klan, nos últimos tempos recuou. O divisor de águas foi a eleição de Donald Trump e a ascensão da “nova direita”. Seus relatórios “falam na resistência ao trumpismo”, diz Powell, e não da Primeira Emenda e dos valores liberais que sempre defendeu.

Continua após a publicidadeO traço mais característico do novo iliberalismo é sua aversão ao pluralismo de ideias, na política e na cultura. A própria dificuldade de aceitar a legitimidade dos novos conservadores tem muito disso. Ou a tendência a reduzir a complexidade social a algumas categorias simples associadas a grupos de identidade, seja de gênero, raça ou orientação sexual. Tempos atrás participei de um debate sobre “diversidade”. Achei bacana o sentido de inclusão que todos queriam fazer avançar. Lá pelas tantas perguntei se a diversidade de ideias também estava incluída, e na hora senti o mal-estar. O que significaria “gente que pensa diferente”? “O que estaria incluído aí?”. A conversa terminou por ali mesmo.

O iliberalismo é ecumênico. Ele pode vir da direita ou da esquerda. “De maneiras distintas”, lê-se emThe Economist, “ambos os extremos colocam o poder à frente do processo, os fins à frente dos meios e os interesses do grupo antes da liberdade dos indivíduos”. A tônica é a instrumentalização de valores fundamentais em nome da afirmação de um mundo perfeito, que por algum acaso “nós” representamos. Uma questão de poder, de um lado, e de medo e exclusão, do outro. . headtopics.com

Talvez a culpa disso tudo seja da própria cultura liberal e sua complexidade, que no fundo exige um pouco mais das pessoas. Um saudável ceticismo em relação às próprias ideias; a aceitação de que as pessoas são falíveis, e quem sabe o mais dolorido: defender o direito dos outros de dizerem o que pensam, mesmo quando se tem certeza de que aquilo tudo é uma bobagem altamente prejudicial à humanidade.

Isaiah Berlin costumava dizer que se você está convencido de que conhece o encaixe verdadeiro para todos os problemas humanos, então “nenhum preço a pagar é alto demais para abrir as portas desse paraíso”. A partir daí, censurar, humilhar ou banir os outros será apenas um detalhe. Sua tese vai na direção oposta: vivemos em um mundo sem encaixe possível, marcado por uma pluralidade de visões éticas a um só tempo verdadeiras e incompatíveis entre si. E que no meio dessa confusão só nos resta alguma humildade.

CPI da Covid: imprensa internacional destaca acusações contra Bolsonaro Bolsonaro abandona entrevista ao ser perguntado sobre ‘rachadinha’ Minas rescinde contrato com Maurício Souza após série de polêmicas e comentários homofóbicos - Esportes - Estadão

Não vejo melhor antídoto do que esse para os iliberalismos que rondam nossas democracias. Eles não serão combatidos com novas leis. O problema está na cabeça de quem faz e de que julga as leis. Eles habitam o mundo das ideias e da cultura, e é nesse terreno, feito de areia movediça, que devem ser enfrentados.

Fernando Schüleré cientista político e professor do InsperOs textos dos colunistas não refletem, necessariamente, a opinião de VEJA Consulte Mais informação: VEJA »

Com rins de 35 kg, britânico faz arriscada cirurgia de remoção - BBC News Brasil

O britânico Warren Higgs, de 54 anos, foi diagnosticado com a doença renal policística há mais de 20 anos.

Imposto é roubo e o Estado é uma máfia pior do que o PCC Parabéns pelo artigo. Bom dia! Nos estamos nos conhecendo com conversas muito massa no app chamado Clubhouse. App de voz, da 0ra fazer debates etc. Nosso Club lá é o deveresperanca lá sou aprogressista A matéria e fechada, mas em se tratando do Schuler, um neoliberal do estado mínimo, fico curioso em saber o que ele enxergou por armadilha.

Gosto de comentários de quem entende das coisas… Veja - a armadilha da esquerda corrupta.

Biografia de Lula terá citação a Moro e vai explicar formação do PT - ISTOÉ IndependenteFernando Morais, autor de “Olga” e “Chatô”, escreveu uma biografia sobre o ex-presidente Lula. A obra será lançada pela Companhia das Letras e não se aprofunda na carreira política do petista, mas tem citações ao ex-juiz Sergio Moro e ao Partido dos Trabalhadores. As informações foram divulgadas pela Folha de S. Paulo. + Datafolha: Lula […] Porto feliz capital da cloroquina não falam nada ? Quanto foi investido ? Credo Lula como todos os LADRÕES, sonha em voltar ao local de seus crimes e continuar a ROUBAR pra CARALHO

Conselho Nacional reprova contas do Ministério da Saúde de 2020Presidente do CNS, Fernando Pigatto, disse que a rejeição do relatório é coerente com as cobranças feitas ao ministério durante a pandemia e que ficaram sem respostas G1 RamonMatos19 Só tem corruptos Bolsonarianos covardes no poder, roubando o dinheiro pras rachadinhas bolsonariana

Cano se torna o 6º maior artilheiro do Vasco neste século | Blog do Garone | LANCE!O jejum de gols de Germán Cano acabou, mas o Vasco segue sem vencer na Série B. Após ficar 10 jogos sem estufar as redes – sua maior sequência desde que chegou ao Vasco, no ano passado -, o argentino abriu o placar no empate em 1 a 1 com o CRB, nesta quinta-feira, duelo que marcou a estreia de Fernando Diniz no comando do time e a reestreia de Nenê. Cano agora é o 6º maior artilheiro do Vasco neste século, com 39 gols. O atacante empatou com Alecsandro, campeão da Copa do Brasil pelo clube em 2011. O […] qual a definição de craque pra vcs?

As estreias de Nenê e Diniz no Vasco | Blog do Garone | LANCE!O domínio e a penteada na bola seguem os mesmos. Assim como a finta seguida da falta do marcador. Nenê reestreou pelo Vasco mostrando a mesma categoria de sua 1ª passagem pelo clube e o protagonismo que por muitas vezes faltou ao Cruz-Maltino nesta temporada. Não é um exagero dizer que o meia foi o melhor em campo no 1º tempo de CRB x Vasco. Demonstrou não só a habitual qualidade na batida, como no escanteio cobrado que resultou no gol de Cano, mas também uma disposição fundamental para a marcação alta com pressão proposta por Fernando Diniz, outro estreante […]